Posted by oculos on Oct 29, 2010 in
Política,
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Eu já disse que política é algo que não me encanta mais. Acredito em gente séria e ponto final.
Mas duas coisas me chamaram a atenção: uma, as generalizações. Amigo meu, que vota em Serra, disse que alguém que vota em Dilma fechou a cara pra ele no trânsito. Ele posta o episódio no Twitter, e coloca o tag #coisadopt. Cito apenas um exemplo, mas expressões como “petralhas” são comuns, ou de dizer que algo é coisa do PT. Sinceramente, acho a generalização ruim, embora a entendo como ato de campanha. É ruim, porque alguns dos meus maiores amigos, um deles quase irmão, era fã incondicional de ACM. Se não fosse protestante, acho que acenderia vela pra ele (desculpe meeeeeeeuuu… hehehehe). No entanto, nunca tive coragem de chamar “carlistas” de “ladrões”, porque sempre na cabeça vinha a imagem desse meu amigo, e de outros. Assim como conheço várias outras pessoas que migraram de um partido pra outro, por várias razões: desilusões, oportunismo, mudança de opinião filosófica, etc. Por isso, embora protestante, nunca ridicularizei alguém por professar fé diferente da minha, e nem me refiro a católicos com expressões ruins (que não vou usar nem para exemplificar) por serem contra coisas que eu, protestante, não sou. Daí entendo que o processo eleitoral perde muito com essas coisas.
É como se as pessoas fossem ingênuas a ponto de achar que é política de partido jogar uma bola de papel (ou de boliche) na cabeça de alguém. Ou que Serra mandou jogar bexiga com água na Dilma. Onde há o ser humano, há o imprevisível.
Me espanta a mídia cobrar tanto propostas dos candidatos, quando o JN, talvez o programa com maior audiência, faça perguntas do tipo “O Ciro Gomes disse isso – a senhora concorda?”, ou “O senhor conhece o Paulo Preto?”. Enfim, a hipocrisia é grande porque a mídia sabe que proposta não dá audiência nem voto. Audiência e voto se conseguem por factóides, por fofoca e por escândalos. Essa é a dura realidade. Ou você viu algum candidato dizer qual o tamanho do orçamento pro ano que vem e o que pretendem fazer?
A outra coisa uqe me chamou a atenção foi o oportunismo de Serra e as perigosas conseqüências de uma vitória (ao que parece, implausível agora) dele. Eu até simpatizava com o candidato, confesso. Mas quando prometeu salário de R$600,00, vi que tinha alguma coisa errada. Quando o tema do aborto virou de repente ponto de honra nacional, acendeu a luz amarela. Mas quando prometeu, assim, vetar a lei que pune a homofobia – coisa que ninguém teria coragem de dizer, assim, com todas as letras, me surpreendi com o oportunismo do candidato. Se não for oportunismo, é mais perigoso ainda, porque implica um conservadorismo que vai na contramão do mundo.
Mas o problema é maior: ao fim dessas eleições, seremos católicosxprotestantes, heteroxhomossexuais, abortistasxnão-abortistas, a-favor-da-vidaxcarniceiros, bonzinhosxmauzinhos. É esse o Brasil que sai das eleições.
Curiosamente, quando o Brasil mais cresce, mais é o nosso retrocesso.
P.S. – Nunca fui exatamente orgulhoso de ser protestante – as lideranças protestantes nunca falaram por mim, e acho que dizem muita porcaria. Só ainda me declaro protestante devido à minha identidade com o ponto de vista da fé evangélica – se bem que, com tanta adulteração da doutrina, nem sei se hoje eu seria considerado protestante. Mas confesso que nunca me orgulhei tanto de não ser católico, apesar de admirar bastante a maioria do seu clero, a beleza dos seus rituais e a fé dos que, em um mundo de descrença, continuam a buscar a espiritualidade nas catedrais e igrejas, e a procurarem ser pessoas melhores ali. Mas quando o líder maior da igreja arrisca vir a público meter o bedelho em um assunto soberadno de estado laico, é o tipo de pretexto que cria para dividir um povo. E isso não tem perdão.
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Tags: Eleições 2010, eleições
Posted by oculos on Oct 9, 2010 in
Política,
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Eu tenho certeza que você é um(a) cidadão(ã) de bem. Sei que você é gente boa, uma pessoa honesta, um amigo para todas as horas.
Sei que se preocupa com a sua família, com alguns valores morais importantes. Sei que se preocupa com os exemplos a serem dados aos seus filhos.
Sei que seu voto é consciente. Que, na época das eleições, procura se informar sobre os projetos políticos dos candidatos, e, possivelmente, faz suas escolhas com base nas propostas dos seus candidatos.
Mas, na intimidade do seu lar, quando ninguém está olhando, você, solitariamente, vive uma vida dupla.
Você se transforma em um criminoso.
Você repassa aos seus amigos um texto qualquer, sem sequer se dar ao trabalho de pesquisar no Google algo acerca da sua autenticidade. Você não percebe que o autor da matéria sequer existe, ou sequer escreveu aquilo.
Você vilipendia a honra das pessoas, questionando, de forma covarde, a sexualidade delas, violando, de uma só vez, a postura ética, despida de preconceitos pela qual você se pauta, e a verdade, sem se dar ao trabalho de verificar a fonte da calúnia.
Você envia fichas criminais falsas, sendo cúmplice, assim, de falsificação grosseira (isso sem contar com o fato de que, enquanto a maioria de nós vivia como gado tangido durante a ditadura, alguns contra ela se insurgiam – toda e qualquer legislação do mundo democrático trata com benevolência o crime político, porque entende que a liberdade não pode ser sufocada, e que, quando isso acontece, há que se insurgir contra isso até com a vida).
Você, que vota conscientemente, bom cidadão que é, deseja conquistar o voto dos outros pela mentira, pela calúnia que espalha no anonimato, pelo boato que espalha. Você se torna cúmplice do crime.
Crime? Sim. Basta olhar o Código Penal Brasileiro e verificar que todos esses atos constituem ou calúnia, ou injúria, ou difamação.
Você está virando terrorista.
Você espera que seus filhos sejam cidadãos iguais a você. Justos, honestos – do bem. Mas você, secretamente, pratica aquilo que não gostaria que eles praticassem. O terrorismo. A mesquinharia da destruição anônima da honra alheia.
A internet possibilita hoje que, de forma confortável, pratique-se aquela conduta típica de décadas anteriores: a da carta anônima.
Prática covarde, que não dá direito de resposta. Que tenta intimidar. Que não propõe nada de novo, apenas tem por objetivo desmoralizar o seu alvo.
E, pior de tudo: você manda esse lixo todo pra seus amigos, a mim, inclusive, que você sabe ser simpático a candidatura diferente. Ou você me julga burro o suficiente para me convencer com os ultrajes que me envia, ou, se acredita naquilo que está a me enviar, precisa rever urgentemente sua forma filtrar informações, sob risco de tornar-se mero joguete na mão dos outros.
Sei que você se preocupa com um Brasil melhor. Eu também. Vamos fazer um pacto? Você daí, eu daqui, vamos juntos estudar o programa dos candidatos, ao invés de nos deixar teleguiar por boatos que só querem desviar a nossa atenção do que realmente importa.
Vamos desconfiar do moralismo – bem x mal, ao qual tentam nos alinhar, como se não soubéssemos que todos nós temos nossas contradições. Você vota na Dilma? Você vota no Serra? Você tem lá as suas razões. Confio em sua escolha. Deixe-me cá livre com a minha. Eu não sou idiota. Eu leio o que recebo, e vai pro lixo a mentira. Fosse nosso país um lugar sério, você e os outros que repassam as notícias já estariam na cadeia. Fosse eu um inimigo seu, já teria registrado um B.O. devido à calúnia que você praticou.
Vamos adotar na política a mesma atitude que esperamos dos nossos filhos: que sejam justos. Que não queiram nada mais ou nada menos do que lhes pertence por direito. Que não falem mal dos outros, assim como esperemos que não falem mal deles. Quem não sejam fofoqueiros, espalhadores de boatos, e que aprendam a respeitar as outras pessoas, sem macular-lhes a honra.
Apelo a você, pessoa do bem que é, que reflita sobre a postura covarde de espalhar mentiras. Você não enfiaria dedo no olho ao brigar, enfiaria? Pois a covardia dos e-mails difamatórios envergonha o Brasil. Dizem que o voto dos que recebem Bolsa-Família é um voto comprado. Pois o voto daqueles que acreditam em boatos é fruto da coação moral e vergonhosa à qual somos submetidos todos os dias.
Nossa consciência, afinal, é o que nos resta. Cuidemos dela.
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Tags: Eleições 2010, eleições
Posted by oculos on Jun 2, 2010 in
Política,
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Nada contra, nada contra mesmo à candidatura de Walter Pinheiro…
Mas não cabia a ele, Walter Pinheiro, um tantinho de humildade e respeito a uma figura histórica, exemplar (no que se refere à vida ilibada) e injustiçada em igual eleição ao senado, e ter desistido em favor de Waldir Pires?
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Ninguém aplaudiu! Pôôô...
Tags: Eleições 2010, PT, Waldir Pires, Walter Pinheiro