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Primeiro-Ministro português sugere que professores emigrem para o Brasil

Posted by oculos on Dec 21, 2011 in Política, Principal

A notícia mais WTF do dia: em razão da crise que afeta Portugal, o Primeiro-Ministro daquele país sugere que seus professores emigrem para o Brasil, ou para outros países de língua portuguesa.

Não obstante poderia eu aqui refletir sobre as raízes dessa sugestão sob diferentes prismas, do tipo “terá o Brasil ficado atraente demais, ou estará Portugal tão ruim assim?”, ou da espécie “e agora, será que a imigração portuguesa vai continuar a barrar brasileiros? será que nossa imigração vai começar a ser xenófoba?”. Mas não vou por aí, embora seja tentador.

Acho, no entanto, que, a despeito do notável crescimento do Brasil e da distribuição de renda ter aumentado, o que o Brasil fez não foi virar primeiro mundo. Não somos essa “coca-cola” toda não. Continuamos ainda a anos-luz disso. O que o Brasil fez foi, tão-somente, mas de imensa importância, reduzir drasticamente a pobreza e introduzir milhões na cadeia de consumo.

Portanto, embora adoraria que emigrantes fossem ao Brasil, para tornar o nosso país um tanto mais cosmopolita e não tão fechado em si mesmo (muito embora seja um país tão rico e diverso que ser cosmopolita acabou não fazendo tanta falta), acho que, por um dever humanitário, alguém deveria avistar à Sua Excelência quanto ganham os professores no Brasil, principalmente quando o nobre político falou em deficiências no ensino básico em terras brazucas, justamente onde se ganha menos…

P.S. Há algo realmente digno de reflexão aqui: nos piores anos do Brasil, nunca se incentivou a imigração, como forma de promover melhores chances para os cidadãos. Mesmo nos anos da ditadura, o slogan “Ame-o ou deixe-o” era de conotação política, não social. E, pelo contrário, logo que o Brasil ensaiou melhorar, não lembro se no governo de FHC ou no de Lula, houve certa campanha para que os brasileiros retornassem! Acho que isso se deu por conta de que aqui, políticos gostam de fazer cara de paisagem em todos os momentos – a coisa pode estar pegando fogo, mas nenhum político admite a tragédia…

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Filmes que vi: The Limitless

Posted by oculos on Dec 21, 2011 in Filmes, Principal

Idéia muito interessante, que poderia ter sido melhor explorada.

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Filmes que vi: Hot Tube Time Machine

Posted by oculos on Dec 11, 2011 in Filmes, Principal

WTF?

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FTC: A omissão (ou “Crônicas de uma morte anunciada”)

Posted by oculos on Dec 7, 2011 in Direito, Principal, Vitória da Conquista

A situação era conhecida, todo mundo sabia, e ninguém fazia nada: sempre que algum professor da FTC era demitido, tinha que mover processo judicial para receber os valores devidos a título de FGTS.

Até aí, nada de anormal: a Justiça está aí pra isso, e dela se utilizar para receber parcela trabalhista não-paga é absolutamente corriqueiro.

O problema começa quando se nota que TODOS os funcionários da FTC, ao serem demitidos tinham que percorrer idêntico caminho, e isso desde 2006 (provavelmente até antes disso, mas a memória não me ajuda aqui).

Pergunta: como foi possível que, durante esse tempo todo, essa situação perdurasse sem que ninguém questionasse o que estaria acontecendo?

Sim, porque, ao que todo o resto indicava, a FTC seria uma instituição em franco crescimento: suas filiais recrutavam cada vez mais alunos, a publicidade da empresa era onipresente, os alunos costumavam adiantar os pagamentos semestrais através de cheques.

Porém, insistentemente, a instituição, apesar do estilo de vida de ostentação e luxo de alguns dos seus proprietários (muito se falou do apartamento luxuoso do Sr. Gervásio Oliveira, sócio da instituição), parecia sangrar de propósito.

Algo que era de conhecimento de todos era o fato de que, alguns anos atrás, a empresa começou a adotar a tática de não mais demitir seus funcionários – esperava que estes “caíssem de maduro”. Ou seja: não davam mais horários de aula para alguns professores, ou simplesmente comunicavam a demissão de forma informal, a fim de “cavarem” uma briga judicial que lhes permitissem prorrogar o pagamento das verbas rescisórias. Era comum o funcionário de RH dizer ao empregado demitido “isso só pagamos na justiça”, mesmo se tratando de verba corriqueira como aquela do FGTS.

Sendo a FTC uma empresa autorizada pelo Ministério da Educação, prestando, assim, serviço público (Educação), sempre foi estranha a grande mudança de personalidade jurídica. Primeiro, SOMESB. Depois, IMES. Tudo isso dificultava a execução das dívidas trabalhistas. Depois, engenhoso esquema financeiro foi montado para que o dinheiro que ingressava na faculdade (oriundo das mensalidades dos alunos) não fosse visto pela Justiça: a sua folha de pagamento foi, aparentemente, terceirizada! Ao invés do dinheiro entrar direto na conta da FTC, os valores pagos pelos alunos eram depositados na conta de uma empresa sediada em São Paulo, fora, portanto, do alcance das penhoras online da Justiça.

Nesse meio-tempo, as notícias de mandados de prisão contra o Sr. Gervásio Oliveira pipocaram nos noticiários, mas a omissão da grande imprensa, normalmente destinatária da publicidade ostensiva da FTC, causa espanto.

Para efeito de comparação, quando a FAINOR, de Vitória da Conquista, proporcionalmente bem menor do que a FTC, passou por problemas financeiros, a comoção social foi enorme, a ponto de que uma ampla negociação foi feita com professores que deixaram a instituição, sendo que, até onde se sabe, todos os acordos foram devidamente honrados. Por que só agora os professores da FTC entraram em greve? Por que não houve nenhuma comoção antes?

Perguntas, então, que exigem uma resposta:

- onde está o MEC, que, após sucessivas inspeções na FTC, após sucessivos rebaixamentos nas notas dos cursos da instituição, após sucessivos cortes no número de vagas de alguns cursos, nunca pareceu atentar para o problema do FGTS?

- onde está o Ministério Público do Trabalho, que parece nunca ter procurado verificar a precarização das relações de trabalho de uma faculdade que não é qualquer uma, mas talvez a maior faculdade de ensino privado do Nordeste?

- onde está a Justiça do Trabalho, que, a despeito de centenas de reclamações trabalhistas, até recentemente, chegou a recusar o pedido de advogado, de enviar o caso ao MPT (o que talvez responda em parte a questão anterior) para que este investigasse a situação, sabendo que se tratava de empresa de grande porte que, curiosamente, tinha apenas centavos em suas contas-correntes?

- onde está o Ministério do Trabalho?

- onde estavam os professores que hoje fazem greve, quando assistiam a seus colegas serem demitidos e viam estes terem que brigar na justiça para receberem o FGTS?

- onde estavam os alunos, ao verem as notas de seus cursos caírem, e ao tomarem conhecimento de que seus mestres eram diariamente vilipendiados no que se refere aos seus direitos trabalhistas mais indiscutíveis?

- onde estava a imprensa, que parece nunca ter visto nada?

Quem acompanhava judicialmente a questão, compreendia que havia (e há) uma estrutura jurídica bem montada com o propósito de enriquecimento dos donos da FTC às custas do suado trabalho de seus funcionários. Não se podia compreender como uma instituição em franco investimento podia ser tão omissa quanto aos pagamentos de seus professores. A coisa era deliberada. Mas, curiosamente, era tratada de forma individual: cada professor que matasse seu leão quando chegasse a hora.

E, pior: havia um valor depositado na Justiça Estadual, referente ao Prouni, em favor da FTC, não liberado porque parece ter havido irregularidade nessas bolsas.

Não quero aqui criticar o ensino privado, mas perguntar não ofende: como pode uma instituição de ensino, cujo objetivo primordial é formar profissionais éticos, preparados para o mercado de trabalho, ou, dizendo de outra forma, cujo objetivo é educar, pode se comportar de uma forma tão mesquinha, tão aviltante, tão deplorável?

Lembro-me de professores-doutores, usados de forma descartável, que se mataram para aprovar determinados cursos e depois foram praticamente chutados da instituição. Lembro-me de árduos defensores da FTC, inclusive diretores, que depois tiveram que entrar na fila para tentar receber algum dinheiro que caísse por acidente dos seus proprietários.

Preferia que a FTC não caísse de podre. Preferia que as pessoas acordassem, e que a instituição fosse publicamente confrontada, e não incensada, como se fossem respeitáveis cidadãos ou próspera empresa. Gostaria que seus donos tivessem que enfrentar uma cela fétida. Incomoda-me não tanto os crimes pelos quais alguns são investigados – “operação jaleco branco”, “octopus” e outros nomes. Incomoda-me que seu enriquecimento tenha ocorrido através da espoliação sistemática de professores, profissão que merece respeito, e não funcionário de RH mandando “buscar na justiça”.

 

P.S. – Não posso deixar de fazer uma homenagem anônima e silenciosa a determinado Procurador da República e a determinado Juiz Federal, que não se reduziram à burocracia das funções que ocupam, mas que promoveram as devidas diligências a fim de defenderem os interesses dos alunos em determinado processo contra a FTC. Queria que a Justiça do Trabalho fosse igualmente diligente. Não foi, e não é – pelo menos até onde vi.

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Filmes que vi: I love you, man!

Posted by oculos on Dec 4, 2011 in Filmes, Principal

Slap the bass!

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Filmes que vi: The Hangover

Posted by oculos on Dec 3, 2011 in Filmes, Principal

Engraçado.

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O tabaréu do Sushi em Oslo

Posted by oculos on Dec 2, 2011 in Oslo, Principal, Vitória da Conquista

Vai este quem vos escreve fazer sushi. Entendam: em Vitória da Conquista, eu acredito que era o maior consumidor de sushi da cidade. Um dia vou perguntar pra minha amiga que tem um delivery de sushi em Conquista se eu era o cliente mais frequente.

Mas, estamos em Oslo, a cidade mais cara (ou segunda) do mundo, onde comer fora frequentemente não é uma opção. Então, descobri que, por um acaso, salmão é uma das coisas (relativamente) baratas que tem por aqui. E resolvi aprender a fazer sushi. Ou melhor, a tentar aprender.

Consegui fazer bolinhos de arroz com salmão por cima, mas não me atrevo a chamá-los de niguiri. São feios, disformes e com um arroz empapado. Mas dá pra comer e matar a saudade de sushi de verdade.

Ocorre que parei de comprar o salmão congelado, para comprá-lo fresco. O sabor é outro. E hoje, para não gastar muito, comprei um em promoção. Só que o tabaréu aqui, cujos conhecimentos de norueguês não são assim uma Electrolux (pra escandinavizar a metáfora, sacou? ;) , não notou o “Røkt” na porquera da embalagem. Resultado: depois do arroz cozido e preparado, percebi o cheiro: “røkt” quer dizer “defumado”…

Fiz a disgrama do sushi assim mesmo, que coroa norueguesa não dá em árvore. Mas confesso que um estomazil cairia bem agora… :S

 

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Conciliações

Posted by oculos on Nov 30, 2011 in Direito, Principal

Amigo meu postou notícia do CNJ com números de acordos feitos em audiências de Conciliação, principalmente aquelas de mutirões.

As conciliações podem ser vistas por dois ângulos: um deles no fim da angústia da vida processual, para as partes. O outro, na diminuição de um passivo, do ponto de vista do Judiciário. O problema é que o tal passivo é que o tal passivo é que alimenta a tal angústia, sob forma da demora da prestação jurisdicional.

Me pergunto, sinceramente, até que ponto é saudável a comemoração com números de acordos em mutirões. Esses acordos geralmente são enfiados guela abaixo das partes, que já não podem confiar em uma justiça que não é, sobretudo, efetiva. Não que os juízes forcem um acordo. Mas as circunstâncias são as do “não tem outro jeito, ou se acorda aqui, ou se espera uma sentença que levará anos”. Juro que gostaria de comemorar um número recorde de julgamentos – não porque tal comemoração seria uma apologia à litigância, mas simplesmente porque não consigo acreditar que as conciliações demonstrem tentativa de pacificação – são, sobretudo, demonstrações de um Estado falido que, incapaz de cumprir uma função tão básica, devolve aos cidadãos a responsabilidade que não lhes pertencem: “Virem-se”. E, pior: ainda apregoam que isso é solução alternativa de litígio, como se fosse mais austera, ou moralmente mais aceitável, do que o julgamento competente.

Sei que muitos Juízes de boa-fé fazem os tais mutirões, inclusive para tentar diminuir um passivo processual que sequer criaram. Sei, ainda, que outros, sem tanto passivo assim, só têm seu trabalho atrasado com tais semanas de conciliação – ninguém consegue nada em cartório nas semanas antecedentes ou durante à semana de conciliação. Sei que, de fato, alguns acordos são feitos, trazendo paz social. Mas tenho certeza que, na ampla maioria, o acordo é feito porque o aparelho judicial não dá a segurança de um julgamento célere. E aí vem a liçãozinha de moral da propaganda: “quando um não quer, dois não brigam”.

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SuzanaSuzana(10)
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Vocação e pragmatismo

Posted by oculos on Nov 28, 2011 in Principal

Ok, escolhi Direito, e mantenho-me fiel à escolha. Caralho, até mestrado em Direito estou fazendo.

Mas às vezes me pergunto se deveria deixar a vocação falar mais alto. Não que não tenho vocação para a área jurídica. Devo tê-la, ou pelo menos me dizem que a tenho. Mas acho que nada me interessa mais do que gente.

Acho que entender as pessoas, seus motivos, seus desejos – entender gente de verdade – queria que essa fosse a minha verdadeira vocação. É que nada me interessa mais do que as pessoas. E nada me satisfaz mais do que conhecer gente de bem.

Por isso talvez eu não seja a pessoa mais adequada para viver no exterior. É que a alegria de conhecer gente boa é facilmente ofuscada pela tristeza de perdê-las, porque, no exterior, quase tudo acaba sendo transitório devido à própria natureza de nossas estadias. Sim, nossas estadias são transitórias por natureza – quer em razão de nossas atividades – um curso, um estágio – quer em razão legal – há sempre algo chamado  ”visto” a limitar nossas experiências.

Há, pra mim, algo triste em, por acaso, conhecer gente boa, quando esses encontros já vem com data de validade…

Enfim, que seja eterno enquanto dure! :)

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Filmes que vi: The Big Lebowski

Posted by oculos on Nov 22, 2011 in Filmes, Principal

Hilário! :D

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Sensibilidade exacerbada

Posted by oculos on Nov 17, 2011 in Política, Principal, Vitória da Conquista

Descobri, finalmente, a razão de nossas mazelas: A sensibilidade exacerbada.

Ora, vejamos:

Uma ministra do STJ diz que existem “bandidos de toga”, e só faltou ser crucificada. Um deputado falou que 30% dos seus pares não se salvam. Jornalista em Conquista, participando de movimento, critica entidade de classe e recebe críticas de referida entidade.

Por trás das respostas às críticas acima, sempre o mesmo argumento: “generalização”.

É, como já disse aqui antes, infantilizar o debate, tentando esvaziá-lo com argumentos meramente formais. Ou seja: ao invés de discutir a essência da crítica, tenta-se desqualificá-la sob o argumento de generalização. É como se, de repente, dizer que “ganha-se muito mal no Brasil” seria uma mentira apenas porque algumas pessoas ganham bem.

No caso do Caíque, a situação é ainda mais surreal, porque a ADUSB, entidade que o critica, não costuma usar de linguagem lá muito franciscana quando revolta-se (sempre com razão) contra o poder incubente. Aliás, nunca vi movimento algum de protesto usar palavras de ordem do tipo “Governador (ou prefeito) mauzinho!!! Assim não vem mais!!!”. Para quem já viu até enterro simbólico de prefeito, eu acho que “masturbação mental”, uma das expressões que o Caíque teria usado, é até pudico.

Pior: a ADUSB, ao falar em patrulhamento, não só patrulha, como ainda ameaça de forma velada, lembrando do vínculo profissional do Caíque. É vergonhoso, porque espera-se de uma entidade formada por professores o estímulo ao pensamento plural, à crítica, à indignação. Talvez até incentivem isso, mas não contra eles próprios. Crítica sempre é bom quando é contra os outros.

Em um país tão acomodado como o nosso, a provocação para que a academia participe de um debate construtivo é bem-vinda. Pode até ser que a boa parte dos professores tenha algum engajamento em uma mudança social, ou mesmo o contrário. O que importa, no caso, não é a verdade ou inverdade da afirmação. O que me parece grave, aqui, é essa sensibilidade de freira carmelita (com todo respeito às religiosas), justamente quando se sabe que, em protesto contra o sistema, não se pode esperar suavidade.

Eu, se estivesse em Conquista, pode ser até que não teria participado da manifestação. Estaria, é bem possível, enchendo a “pança de batata frita”. Mas, se assim estivesse, me sentiria envergonhado por, em um país tão injusto, não estar protestando.

Aliás, professores devem entender que são, mais do que ninguém, exemplos. Portanto, devem acostumar a ser vidraça também. E, se injustas as críticas, que contestem-nas. Agora, protestar contra o ato de criticar, chegando ao absurdo de dizer que seu exercício beirou a injúria é, mais do que desconhecimento jurídico, intolerância.

E, sinceramente, tenho medo de professores falando que tal manifestação seria um “germe da desagregação”. Muito fascistóide pro meu gosto. Como assim desagregação, cara pálida? Devemos agregar-nos? Com quem? Com a ADUSB? A ADUSB, por acaso, defende o pensamento único, em torno do qual devemos nos agregar?

Acho que a crítica do Caíque não usou de palavras que eu, cheio de não-me-toques que sou, não usaria. Mas acho que esconde, no fundo, uma decepção: se em protestos desse tipo professores não se fazem presentes, acaba por retirar-lhes um pouco de contundência. Porque são eles quem nos ensinaram a indignação. É como se, de repente, tivéssemos sido traídos.

Confesso que, ao receber os primeiros releases sobre o “Nas Ruas”, fiquei preocupado. Nossos professores sempre nos ensinaram a ter medo de movimentos que se dizem apartidários. E estavam certos – vide o “CANSEI”. O problema é que as esquerdas, no poder, provaram que corrupção não tem ideologia. Antes de defender o capitalismo, o socialismo, ou outro ismo, o que estamos pedindo é tão-somente decência com a coisa pública. Sim, eu continuo achando que o capitalismo é, em essência, corrupto. Por isso, acabo sendo de esquerda. Mas há algo legítimo em um pouco de pragmatismo quando se pede, simplesmente, decência. O “Cansei” era dissimulação de burgueses para desestabilizar um governo. Já os Nas Ruas me parece, simplesmente, um legítimo movimento social em uma hora em que a demissão de ministros por corrupção está se tornando algo corriqueiro.

E sim, nossa omissão até hoje deixou que a corrupção se alastrasse.

Não vi nenhuma intolerância em relação às diferenças, conforme afirmou a ADUSB. A crítica do Caíque, dando o desconto para as palavras de ordem e retórica de protesto, resume-se no sentido de falta de envolvimento da Academia nos protestos. Concorde-se ou não com essa falta de envolvimento, parece ser razoável tal crítica. Pode até não agradar, mas, no academicismo de alguns, há pouco ativismo, exceto nas catarses das greves.

E acrescento: infelizmente, não só os professores foram omissos. Fomos, também, nós, advogados. Servidores públicos. Médicos.

Falta de motivos para protestar não é o caso. Falta-nos, na verdade, coragem.

 

 

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Notícias do Brasil

Posted by oculos on Nov 14, 2011 in Oslo, Principal

Procuro me manter atualizado quanto a tudo o que acontece no Brasil, o que não é difícil, graças à internet. Mas não quero ficar alienado em relação ao que acontece aqui na Noruega, então leio quase que diariamente o principal jornal daqui, o Aftenposten.

Quase nunca vi notícias sobre o Brasil. Hoje saiu apenas uma foto da ocupação da Rocinha, escrito “Rochina”. O que é estranho é que, em outros jornais importantes do mundo, é normal ler notícias do Brasil. Aqui, nada. Mas quase diariamente saem notícias de países mais próximos, como Afeganistão, Geórgia, Rússia…

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Enquanto isso, na Noruega…

Posted by oculos on Nov 14, 2011 in Política, Principal

Notícia interessante no jornal:

Um parlamentar quer mudar a constituição daqui para que seja proibido indicar como Secretário de governo alguém que seja representante no parlamento. A idéia é que é a população, e não o governo, quem deve escolher os membros do parlamento.

Interessante, não?

Lembra-me desses ajustes que no Brasil são comuns de indicar deputados, senadores, vereadores, etc., para ocuparem cargos, a fim de que outros que não conseguiram votos suficientes integrem o parlamento.

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Politização demais é ruim

Posted by oculos on Nov 12, 2011 in Política, Principal, Vitória da Conquista

Dizem que Conquista é uma cidade politizada. Não acho. Conquista é uma cidade onde a frivolidade é centrada na política, como se esta fosse apenas a Sessão da Tarde, ou a revista Contigo. Enfim, é um passatempo. Aliás, não é diferente no interior da Bahia – a polaridade na política é onipresente na maioria das cidades, com as famílias devidamente alinhadas a um ou a outro grupo político.

Isso, penso eu, é extremamente alienante. Pessoas bem-intencionadas acabam apoiando causas ruins em nome do grupo político que integram, apenas para evitar o fogo-amigo. Do mesmo modo, criticam projetos adversários apenas por serem defendidos por estes.

O pior é quando políticos agem a reboque dessa forma simplista de agir com a coisa pública. Vereadores ou jogam movidos com certo medo da opinião pública (o que seria, em tese, bom), ou simplesmente de acordo com sua posição nessa polarização da política: se são oposição, tendem a criticar tudo e, se situação, costumam defender tudo.

Poucos são os políticos que procuram ter uma postura construtiva, independente ou destinada a criar decisões mais discutidas, ou de acordo com a própria consciência.

O maior exemplo disso é a questão do Centro Cultural Banco do Nordeste.

Pelo que me lembro, referido centro seria destinado a funcionar onde hoje existe a Feira do Paraguai. Difícil pensar em melhor lugar: estacionamento de sobra (à noite), central, com acesso às principais artérias da cidade, transporte público frequente, e possibilidade de revitalizar uma região degradada.

Pois bem: a prefeitura, então, coloca o debate da seguinte forma: ou será na Praça Sá Barreto, ou não será em lugar nenhum. Aí o que os vereadores (e bons amigos meus) fazem? Votam com o seguinte raciocínio: “o melhor lugar seria no centro, mas, para não perder o equipamento, vamos aprovar”. Ou seja: não quiserem arriscar um desgaste com a opinião pública.

Na verdade, a administração de uma cidade deveria ser coletiva. Se os vereadores, quando chamados a discutir uma séria questão (ao invés da costumeira trivialidade de mudança de nomes de ruas, indicações do tipo “indicamos enviar o fulano à lua” sem consideração com orçamentos, etc.) preferem não assumir riscos ao invés de promover uma adequada consulta às suas bases, apenas para salvar a pele, isso apenas aponta que o parlamento não tem a devida autonomia ou interesse pelo coletivo – apenas joga para a torcida e pela auto-preservação. A cidade que se dane.

Sempre votei nas administrações de esquerda, e sempre nelas continuarei a votar. Apóio o atual governo, do qual fiz parte, inclusive. Mas essa decisão foi praticamente empurrada goela abaixo, e, infelizmente, nenhum vereador deve a coragem de não ceder à implícita chantagem do “ou aqui ou em lugar nenhum”. Eu prefiro uma Câmara que erre com coragem do que acerte com medo. Medo é bom freio quando se toma uma decisão apenas por um motivo político, em detrimento da população. Mas é péssimo incentivo quando destina-se apenas a decidir para não ficar feio na foto.

Conquista precisa de praças, de lugares abertos. O surgimento da cidade, quase sem planejamento, fez da ocupação desordenada uma regra. Com o surgimento de shopping centers mais afastados, os centros da cidade de varias cidades enfrentam, sempre, estagnação. O de Conquista já começa a estagnar-se, seja por causa do trânsito, seja por causa da migração dos serviços públicos para lugares descentralizados. O que será do centro de Vitória da Conquista daqui a 10 anos, com o Poder Judiciário todo na Estada para a UESB, com Shopping Centers em franca expansão, e com milhares de novos carros postos em circulação?

No entanto, um bom equipamento para trazer cultura ao centro é destinado a uma região quase predominantemente residencial, sem muito estacionamento e com o argumento de que estaria próximo a bairros populares, como se existisse algum lugar em Conquista que não estivesse próximo a bairro populares…

Enfim, não conheço bem as razões para a escolha do local. Vai ver até exista alguma exigência do BNB – eu não me lembro de ter ouvido isso, mas pode ser que seja essa a razão. Mas fico triste pela excelente oportunidade perdida pela cidade. E fico triste de que nossos destinos sejam tratados por vereadores que preferiram se omitir para salvarem suas cabeças ao invés de serem firmes em uma postura mais democrática.

P.S. – Não, não passei para a oposição. Continuo a admirar o governo como sempre o fiz. Mas, da mesma forma que seria estúpido acreditar que todos no governo concordam com tudo o que ali acontece, seria também cínico ou hipócrita achar que não posso criticar algo no governo só porque sou alinhado com ele.

P.S.2 – Sim, eu sei que pessoas que só querem atingir o governo podem usar meus argumentos apenas para prejudicarem um adversário. O problema é dessas pessoas, não meu. Se seu modo de fazer política consiste nesse comportamento mesquinho de que tudo da oposição é bom e tudo do governo é ruim, não preciso eu agir da mesma forma de fingir que tudo que eu mesmo faço e apóio é bom e tudo o que os outros fazem é ruim. Ingênuo? Talvez. Mas é mais honesto e menos cínico.

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Os dados da revista Veja

Posted by oculos on Nov 9, 2011 in Política, Principal, Vitória da Conquista

De longe, acompanhei nessa semana a repercussão de artigo do querido Prof. Paulo Pires, que, em seu texto sempre muito bom de se ler, protesta contra o protesto, ou melhor, contra a manifestação motivada pelos dados divulgados pela revista Veja, que situam Conquista como a pior cidade do Brasil no quesito educação. Para o Prof., pelo que entendi, “Vergonha Nacional” seria um termo pejorativo demais para uma cidade como Conquista.

Meu amigo Gutemberg Macedo, da OAB, pelo que li em outro artigo do Prof. Paulo Pires, teria dado um “puxão de orelha” no Prof. Paulo Pires, e este teria recebido críticas no sentido de que seu artigo acabaria por defender o prefeito.

Eu confesso que não sei como me posicionar. Não acho eu que tenho que me posicionar sobre tudo nessa vida, mas gosto de ter idéias claras.

Gosto da idéia do protesto. Eu prefiro protesto errado, mal direcionado, do que ausência de protesto. Políticos precisam ter medo. Autoridades são bajuladas a todo instante; é preciso sempre mostrar-lhes que devem um trabalho bem-feito à sociedade. Nesses termos, acho que o protesto foi bem-vindo.

Por outro lado, acho que essas coisas acabam sendo factóides. Sinceramente: alguém precisaria da revista Veja para descobrir que a educação pública sempre foi ruim em Conquista, na Bahia e no Brasil? Ou será a Veja agora a única fonte de visão para nós, cegos a respeito da nossa própria realidade?

Alguém acha que a educação de Conquista é de fato a pior do Brasil? Alguém acha que é a melhor? Isso importa?

O que importa, acho eu, é conhecer a realidade da educação e se envolver com ela. É saber quem são os professores que ensinam aos nossos alunos.

Penso que o uso de palavras de ordem como “Vergonha Nacional” deveria ser o que menos importa. Pra mim, não passa de slogan. Não passei a ter vergonha de Conquista por causa dos dados da revista Veja, nem meu orgulho diminuiu. Não foi a Veja quem me disse que a educação em Conquista é ruim – a educação no Brasil é ruim, e migalhas decimais em avaliações de ensino não vão exatamente me fazer crer que essa educação seja a pior, como quer a reportagem, nem que seja excelente, como os textos oficiais querem fazer crer.

Pra mim, esse é o problema: introduzir o elemento paixão na briga política é sempre tentador, mas não sei se constrói. Nem dizer que a cidade é vergonha nacional, nem dizer que ama Conquista – tudo isso, parafraseando um texto conhecido, contribui tanto para resolver o problema quanto “mascar chiclete contribui para resolver uma equação matemática”.

Agora, cabe a pergunta: o que os políticos da cidade – oposição e situação – querem fazer para resolver o problema?

Preocupa-me o fato de que o Brasil, neste ano, alcança a posição de 6ª maior economia do mundo. Parece piada – estamos entrando na porta das nações mais ricas pela porta dos fundos. Mas não há um esforço de desenvolvimento direcionado a melhorar a educação. Há um esforço para fazer as obras da copa em um tempo hábil, isso sim, dá pra se ver…

A realidade da educação é fruto do dilema do Brasil: falta de vontade de ruptura. Sim, ruptura. A mera injeção gradual de recursos, ao que parece, só contribui para manter a educação nos níveis ruins que se encontram. Professores mal remunerados produzirão péssimos resultados. Escolas mal conservadas, idem.

Eu acho urgente uma avaliação contínua dos professores públicos nas áreas em que atuam. Com a qualidade de muitos professores que temos, sem acesso a salário que lhes permitam uma vida digna, como exigir deles que mantenham-se reciclados, atualizados, empenhados e motivados? E, com professores assim, o que esperam? Que alunos tenham acesso a ensino de qualidade?

Sinceramente, não são números da revista Veja – esse lixo de jornalismo – que irão me fazer descobrir que nenhum professor que ganha salário mínimo – ou dois, ou três – poderá desempenhar bem sua profissão. Não são os números daquela revista de gente reacionária e vendida que irão me dizer que escolas projetadas sem levar em conta a utilidade dos prédios para a tarefa de educar estarão fadadas a se transformar em depósitos de alunos.

Um dado interessante, que talvez ajude a entender um pouco a coisa toda: o Brasil é um país com baixo grau de individualismo, de acordo com o site Geert Hofsteder Cultural Dimensions. Esse site faz uma análise de dimensões culturais. No Brasil, para o bem e para o mal, nossa sociedade não é muito individualista. Nós somos um país extremamente generoso. Por outro lado, esperamos que a coletividade nos dê o que precisamos, esquecendo-nos que temos que construir essa coletividade. Eis os gráficos – Brasil e Noruega:

 

Ou seja: não parece que cabe a nós, cidadãos, resolver o problema da educação. Não conhecemos as salas de aula onde nossos filhos estudam. Alguém já foi ajudar a limpar a escola? Alguém já coordenou algum mutirão de reforma? Alguém já organizou doações de material para a escola de sua comunidade?

Não – essas funções são sempre de outras pessoas. A culpa é do Prefeito, a culpa é do dono da escola particular, a culpa é dos professores… Enquanto não começarmos a nos envolver com os serviços públicos, ficaremos sempre sujeitos à realidade que não conhecemos – a dos baixos orçamentos públicos, que, segundo os políticos, impedem avanços significativos. Nunca conheceremos a real dimensão dos numeros – quer dos de Veja, quer das cifras orçamentárias. Com isso, vamos conduzidos como gado por slogans como “Vergonha Nacional” ou “Ame Conquista”. O problema, diremos, não é nosso – é do prefeito.

Não quero eximir a Administração Pública quanto a isso – acho que política, infelizmente, não segue a ciência da administração (ou Teoria da Administração). Segue uma lógica de poder que nem sempre coincide com as melhores escolhas. Mas acho que poderíamos ter o melhor prefeito do mundo, e a situação não seria nunca a ideal, pois o ideal sempre passará por um governo onde a sociedade, de fato, conheça a administração e com ela se confunda.

Voltando ao protesto – o ruim dessas coisas é que tudo acaba se politizando (no sentido ruim da palavra) – quem protesta pela qualidade da educação acaba sendo de oposição, e quem reclama do protesto acaba sendo de situação. Mas a educação, mesmo, com ela parece que ninguém se preocupa. Tudo, no fundo, acaba sendo reduzido à responsabilidade do prefeito (como se a comunidade nada tenha a ver com isso), ou ao desamor à cidade, ou à confiabilidade dos dados. Pergunto eu, que gosto de perguntar coisas: se os dados dissessem que estamos entre as 10 melhores cidades em educação pública, alguém aí estaria satisfeito, ou amaria Conquista por causa disso?

E o assunto voltará a dormir até que algum outro dado estatístico venha a dar um novo “barato” a quem precisa dele para fazer a sua “viagem”…

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O Brasil e a Imigração

Posted by oculos on Nov 7, 2011 in Principal

Uma coisa é realmente interessante em relação ao Brasil: sempre que imigrantes decidem tentar a vida no nosso País, não é porque estamos em situação fantástica, mas é que, de onde vêm, as coisas estão piores.

Quando os italianos, alemães e japoneses iniciaram a migração, o Brasil não era nenhuma coca-cola. Talvez isso explique o fato de que não há no ranço do brasileiro o preconceito selvagem contra estrangeiros – éramos todos miseráveis. Claro, preconceito existiu quando da imigração, mas não foi algo que deixou marcas no Brasileiro – pelo contrário, dificilmente outro povo tem atitude tão amistosa em relação a imigrantes.

Agora, surpreendeu-me essa notícia: o número de estrangeiros no Brasil está quase que se equiparando ao número de brasileiros no exterior! E, ao que parece, mesmo a quantidade de brasileiros em Portugal parece – alguém me tire a dúvida – menor do que a de Portugueses no Brasil! E olha que continuamos no mesmo terceiro mundo de sempre…

Gosto disso. Ouço muito aqui o quanto as pessoas admiram o Brasil e os brasileiros por serem mais tranquilos quanto à questão da convivência com pessoas de outros países (é que preferimos matar-nos uns aos outros, respondo eu). Mas, como a imigração no Brasil era coisa do passado, sempre me perguntava se seríamos mesquinhos e xenófobos caso estivéssemos em melhor situação. Quero crer que não, muito embora de vez em quando escutamos algo vergonhoso a respeito de exploração de bolivianos em São Paulo.

P.S. – A questão parece ser realmente uma tendência atual – até o jornal norueguês Aftenposten dedicou uma matéria na edição de ontem, falando dos países europeus – espeficiamente Grécia, Itália, Espanha e Portugal – cujos jovens estão decidindo pela imigração: no passado, eram famílias de imigrantes buscando trabalho braçal, e hoje são pessoas altamente qualificadas.

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Filmes que vi: The Help

Posted by oculos on Nov 6, 2011 in Filmes, Principal

Filme fantástico, mesmo. Vale a pena ser visto.

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Contatos

Posted by oculos on Nov 4, 2011 in Principal

Quanto mais se vive, mais se aprende. Embora uma das frases que mais gosto é “O tempo não cria sábios, cria velhos”, devo admitir que ninguém fica mais burro com o tempo. Acho que ficamos, sim, mais pragmáticos, o que nem sempre é uma coisa boa.

Lembro-me que, quando adolescente, costumava me sentir triste quando amigos que eu prezava muito iam embora e, invariavelmente, não mandavam mais notícias. Sempre procurava manter contato com todo mundo, porque, de certa forma, sempre agi como amigos, família, fossem raizes que merecessem o eterno cultivo.

Não é que eu tenha mudado de idéia ao longo do tempo. Pelo contrário: a distância apenas acentua o quão essas raízes são importantes. Mas não quero mais culpar os outros por não manterem contato, porque não quero negar a ninguém a escolha do que fazer da vida, principalmente porque a idade também nos mostra que o tempo é muito curto.

Não gosto quando as pessoas passam por nossas vidas como se fôssemos apenas pequenos enfeites que adornaram suas passagens, mas que destinam-se apenas ao momento vivido. Mas, por outro lado, agora compreendo que, para algumas pessoas, é importante, quase desesperador, espremer cada gota de novidade da vida, cada nova sensação, cada nova descoberta, cada nova amizade.

No fundo, no fundo, hoje percebo que quero cultivar minhas raízes principalmente porque tenho a impressão de que custa muito criar novas. Custa muito viver a busca intensa pelo novo. Quem realmente importa, fica. Quem realmente importa, chega mesmo a definir quem somos, ao ponto de se misturarem com o que queremos para nós.

E, tenho a sensação de que, no fundo, a vida vence a todos nós, por mais que tentamos dela espremer uma limonada inteira: temos direito apenas, sempre, à metade do copo.

Ou, como diríamos eu e Srta. T.L.: “A vida não é nada mais que isso que tá aí não…” ;)

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Filmes que vi: Quebrando o Tabu

Posted by oculos on Nov 4, 2011 in Filmes, Política, Principal

Documentário estrelado por THC, digo, FHC (hehe, perdão pelo trocadilho cretino, feito apenas para zoar com o ex-presidente), sobre o problema das drogas e da criminalização do uso, do tráfico, etc.

Vou confessar uma coisa: tenho uma admiração grande por Fernando Henrique Cardoso. Essa admiração às vezes é prejudicada por preconceito meu de que nada que venha do PSDB pode prestar – muito parecida com o preconceito que muita gente tem do Lula, por ser este último popular. Em razão do meu preconceito, fico imaginando que o documentário foi uma forma de FHC levantar uma bandeira, qualquer uma, a fim de ganhar um certo verniz de estadista, meio que a la Al Gore.

O preconceito, como todo ele, é ridículo. FHC já era estadista muito antes do documentário, e o fato de tê-lo lançado depois da conquista de Lula de igual patamar requer apenas malícia para não achar que o ex-presidente tucano estava falando sério.

Eu não suporto preconceito. Não importa, pra mim, quais as razões de FHC, assim como não quero que ninguém desconfie das minhas razões o tempo todo. No Brasil, temos esse problema: nunca confiamos em ninguém porque preferimos especular as razões dos outros.

Pessoalmente, acho que ele refletiu muito sobre o assunto, e não teve medo de se expor ou de usar sua credibilidade para falar de um assunto tão espinhoso. Gostaria muito que os políticos, cada vez mais, assumissem posições, ainda que espinhosas. O debate franco é muito melhor do que essa dissimulação ridícula que existe no Brasil, onde o discurso político é semore envernizado, cuidadosamente preparado para não gerar compromisso, para não tomar partido, para não dizer nada.

A verdade é que o documentário é excelente. Se não admiro FHC como presidente, admiro a sua inteligência, bem como o fato de ter tido o desprendimento de falar do assunto que preferimos jogar para debaixo do tapete.

Continuarei a não votar no PSDB. Mas confesso que gostaria que esse e outros assuntos polêmicos fossem, sinceramente, objeto de defesa de partidos políticos. Esses, no entanto, defendem as mesmas coisas. Já reparou que no debate político o discurso é sempre homogêneo?

Lembro-me que, durante a campanha eleitoral, houve aquela celeuma toda a respeito da Dilma e a igreja, Dilma e o terror, etc. Vimos que nada daquilo era de fato importante. Era apenas mis-en-scene eleitoral. Como sempre. Porque, no Brasil, não estamos acostumados a dizer a verdade. Apenas colocamos uma bonita cortina perfumada para ocultá-la. Ou apagamos a luz para não vê-la.

Quando cheguei a Oslo, isso me espantou um pouco, porque vi partidos políticos dizendo explicitamente que eram contra jardins -da-infância gratuitos, ou contra a proibição de carros no centro da cidade. Não imagino jamais um político no Brasil dizendo, em época de campanha, algo negativo, impopular…

Enfim, o documentário vale a pena ser assistido.

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Exame de Ordem da OAB é constitucional, segundo STF

Posted by oculos on Oct 27, 2011 in Direito, Principal

Em 26 de outubro de 2011 (ontem), decidiu o STF: o Exame de Ordem da OAB, para acesso à profissão de advogado, é constitucional.

Conforme escrevi aqui alguns dias atrás, não havia nenhuma inconstitucionalidade no exame. Os Ministros do STF, inclusive, citaram que há interesse coletivo em jogo, e que o interesse público clama por profissionais devidamente qualificados, e que o controle é necessário.

Resta agora esperar que a OAB, diante da responsabilidade agora assegurada, aprimore o exame, no sentido de que este verdadeiramente venha aferir a qualidade dos advogados que entram no mercado.

 

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Filmes que vi: Crazy Stupid Love

Posted by oculos on Oct 26, 2011 in Filmes, Principal

Muito legalzinho. Gênero comédia romântica, mas boa diversão.

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O casamento homoafetivo

Posted by oculos on Oct 26, 2011 in Direito, Principal

Antes de ler esse artigo, saiba de uma coisa: Eu sou completamente a favor do casamento entre homossexuais, sou contra qualquer discriminação aos mesmos, e sou a favor da extensão dos efeitos do casamento às uniões homoafetivas.

Porém, devo dizer que algo me incomodou nisso tudo: embora eu acredite que, hoje, o conceito de família é elástico, e compreende, ou poderá compreender, até famílias formadas por homossexuais, Ives Gandra disse algo que me parece fazer sentido: o conceito de família, na Constituição, não parece contemplar o de casais homossexuais.

Não concordo com o jurista citado quando diz que família é aquela apta a produzir prole, e não é por isso que sua conclusão faz sentido, primeiro porque seria absurdo reduzir o conceito de família, segundo, pela maluquice que implicaria dizer que homem e mulher inférteis, mas casados, não seriam família segundo a Constituição. O que eu acredito é que o constituinte não incluiu casal homoafetivo no conceito de família em 1988, e fazê-lo agora é dar extensão ao vocábulo maior do que aquela pretendida pelo constituinte. Ou seja: será que se, em 1988, alguém dissesse que o conceito de família inclui casais de homossexuais, não iriam colocar um texto deixando claro que família é a união do homem com a mulher? Parece-me que, ao dar essa interpretação ao conceito de família, hoje, o STJ frauda a vontade do legislador constitucional.

Embora acho progressista a decisão do STJ de aprovar o tal casamento, acho também que a constituição precisa deixar isso claro. Sei que há princípios constitucionais que implicam na elasticidade do texto conforme a evoluem os conceitos, mas acho que, aqui, seguramente, deram uma interpretação atual a conceito diverso à época da promulgação do texto.

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Não a uma guerra ao Irã

Posted by oculos on Oct 26, 2011 in Política, Principal

Admito: desconheço muito da situação do regime iraniano, a não ser o que é informado pela imprensa e a despeito de conhecer alguns iranianos. Imagino que seu governo, como quase todo governo que existe, não deve ser flor que se cheira.

Mas espero, sinceramente, que as previsões de Mark Wesibrot (Folha de São Paulo de hoje) não se confirmem: a de que Obama poderia lançar mão de uma guerra ao Irã com fins de garantir a sua reeleição. Não espero – e acho que ninguém espera – isso de Obama. Mas, segundo o artigo, algumas frases do presidente americano fazem crer isso, inclusive uma em que diz que “todas as opções estão sobre a mesa”.

Enfim, preciso conversar com mais iranianos. Precisamos, todos, ouvir as pessoas. Elas é quem nos devem dizer se precisam de uma guerra, pois são elas que sofrem. É preciso ouvir gente de carne osso, como eu e você, a fim de que formemos nossas opiniões. Não somos nós que teremos vidas destruídas, ruas e casas arrasadas e gente mutilada. E até que um iraniano me diga que precisa de uma guerra americana para acabar com seu regime político, apoio a frase com que Brot termina a sua coluna:

“O Brasil é um dos poucos países que têm a estatura internacional e o respeito necessários para ajudar a desativar esse confronto. Só podemos esperar que ele faça mais tentativas de poupar o mundo de mais uma guerra horrível.”

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Culturas

Posted by oculos on Oct 24, 2011 in Principal

Ontem, andando no centro de Oslo, encontrei uma daquelas bandas de música latinoamericana que se encontram nas grandes e médias cidades brasileiras. Normalmente são da região dos Andes, e tocam música tradicional, com instrumentos e vestimentas típicas. Geralmente, com traços indígenas.

A música era fantástica, e me aproximei para escutar um pouco. Achei interessante quando duas garotas norueguesas se aproximaram para perguntar pelo CD, e falaram em espanhol com o um dos integrantes do grupo. É incrível como quase todos os noruegueses que conheço têm alguma ligação com a América Latina, seja porque lá já estiveram, ou porque gostam do lugar. Infelizmente, a cobertura da América Latina nos jornais é quase inexistente…

Mas, voltando: uma das moças, a que falava em espanhol, respondeu que gostava muito do Equador, país de origem dos músicos que ali tocavam. Então esse integrante perguntou se a amiga dela seria sua irmã. A moça respondeu: “No, es mi novia!”. O músico sorriu um pouco, e disse: “Não, sério, ela é o que sua?”. E a moça, sorrindo: “É minha namorada!!”. O moço, então, ainda sem acreditar: “Vocês aqui são muito engraçados”, no sentido de que ainda pensava que era uma piada…

Essa situação me deixou um tanto pensativo: quantos Brasis existem no nosso país? Quantas mortes em nome da honra ainda se admitem? Quantas agressões às minorias?

Por outro lado, ainda me dá medo ao se banalizar alguns valores – e me refiro especificamente ao caso da piada(?) do tal Rafinha Bastos a respeito da Wanessa Camargo. Muita gente da imprensa defendeu o humorista, invocando a liberdade de expressão, e de que o contexto era de humor.

Vamos então esquecer, por um segundo, que unanimemente se considerou que aquilo foi de péssimo gosto, e que, assim, no meu entendimento, deixaria de ser humor, mas sim tentativa de fazer humor às custas de um ato grosseiro.

Será a liberdade de expressão absoluta? Eu sei que a charge, o deboche, a caricatura, todas são formas de liberdade de expressão às custas do ridículo alheio. Mas será que não há uma dignidade violada quando alguém vai a público dizer que “comeria” uma mulher grávida e seu filho ainda por nascer? Colocando-se no lugar da cantora – será que seria agradável ver uma piada(? – insisto na interrogação, pois se aquilo era pra ser piada, o autor agiu com imperícia, o que traz sobre si ao menos a culpabilidade) desse tipo, ainda mais referente a um filho?

Sou só eu que consigo ver diferença entre a gozação com o alheio de uma ofensa moral? Será que os jornalistas que defendem o cidadão não conseguem fazer nenhuma distinção entre ofensa à honra e manifestação artística indevida?

Enfim, acho que o que nos falta hoje em dia, talvez, seja não só boa educação para enxergarmos as nuances da vida moderna, com todas as suas sensibilidades, mas também caráter para não abusarmos dos nossos direitos que a duras penas foram conquistados, usando justamente dessa desculpa para deles abusar.

P.S. – Nunca sei como consigo começar com um tema e saltar para outro assim, na maior cara de pau… :)

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Filmes que vi: Machete

Posted by oculos on Oct 22, 2011 in Filmes, Principal

Doido. Muito. Doido.

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Quando tem que acontecer, acontece…

Posted by oculos on Oct 22, 2011 in Apple, Mac, Principal, iPad

De alguns anos pra cá, sempre segui o conselho dos mais velhos, e passei a fazer backup de todos os meus dados.

Hoje em dia, fazer backup é muito relevante, já que nossa história é quase toda digital – fotos, músicas, documentos e até livros. É claro que muita coisa já tem backup por si só, devido ao fato de que boa parte de nossos dados já está “na nuvem”.

Mas, não se enganem: quando é pra dar errado, dá…

Em dezembro do ano passado, meu HD foi pro beleléu. Sorte minha, tinha um backup, além de ter conseguido salvar quase tudo do HD. O que não é pouco, já que guardo dados referentes a períodos superiores a 10 anos no meu computador.

Pois em menos de 10 meses, eis que o problema volta a ocorrer. E dessa vez me pegou de calças curtas: sim, eu tenho backup. Ou melhor, tinha: nessa semana, o Time Machine, sistema de Backup da Apple, resolveu dizer que precisava recomeçar um backup do zero. Meu HD deu problema justamente quando a cópia dos dados estava em 90%.

Estou conseguindo, até o momento, copiar minha pasta de usuários para outro HD. Mas perdi a confiança total nesse Mac que uso (MacBook Pro Mid 2009). Dois HDs com defeito em menos de 1 ano?

Eu queria comprar um MacBook Air, e vinha adiando isso. Sim, precisava comprar uma máquina portátil pra levar pra faculdade. E o Air funcionando é a coisa mais linda que existe – é rápido de uma forma que todos os computadores deveriam ser. Mas precisava (e preciso) economizar. Entretanto, não tive escolha agora, e, morto de medo de HD, parto para o SSD (novo tipo de dispositivo de armazenamento usado no MacBook Air, tipo memória flash, semelhante aos usados no iPad, no iPhone, etc.).

O duro vai ser me acostumar a usar 256gb quando minha pasta de usuários tem, se estiver íntegra, 411gb…

 

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Interesse Público

Posted by oculos on Oct 5, 2011 in Direito, Principal, Vitória da Conquista

Escrever sobre o próprio país quando se está longe pode ser uma tarefa delicada. A distância e as novas experiências dão uma visão privilegiada, mas também, se a reflexão não é cuidadosa, pode revelar-se arrogante ou mesmo imatura, por desconsiderar as peculiaridades do determinado país.

Feita reflexão acima, eu devo dizer que algumas coisas me chamam a atenção na forma que a gente vê as coisas no Brasil. Imagino que discutimos muito as coisas sem uma visão finalística, de resultado, mas apenas com um certo viés imediatista. Dois casos me fizeram pensar muito nisso.

Um, é o Exame de Ordem da OAB. Conversando com colegas de lugares tão variados, não conheci um só exemplo de país onde o exame de ordem não existe. Pelo contrário: as exigências para o ingresso na carreira da advocacia são quase sempre mais duras do que no Brasil, envolvendo, além da graduação, um tempo de mestrado, de estágio em escritórios (além daquele realizado na graduação), etc.

No Brasil, o que se diz? Não vi um só defensor da abolição do Exame de Ordem discutir se este é ou não útil para melhor o nível da advocacia, que é o que está realmente em jogo. O debate passa sempre pela (in)competência da OAB para regular o acesso à profissão, à vontade da Ordem em arrecadar, em que o MEC é quem deveria fiscalizar, que o Exame seria inconstitucional, etc. Ou seja: tudo o que NÃO importa tanto quanto o fato de que é absolutamente necessário maior rigor no acesso à advocacia, e isso qualquer pessoa atuante nos forums (ou “fori”, para preservar o rigor latino) pode testemunhar. O nível de preparo dos advogados no exterior é impressionante. Vi advogados que saíram das faculdades especializados em Propriedade Intelectual, Direito da Tecnologia da Informação, etc. E no Brasil, a preocupação com a qualidade dos nossos profissionais parece ser a última em ordem de relevância entre os argumentos contra o Exame de Ordem. O interesse individual é sempre maior do que o coletivo.

Igual reflexão fiz em relação ao projeto de lei que atualmente virou moda em algumas cidades, e agora está a ser analisado em Vitória da Conquista, sobre a regulamentação do horário de funcionamento de bares. Os argumentos contra o fechamento dos bares depois de determinado horário são sempre os mesmos: suposta inconstitucionalidade, aumento do desemprego, cerceamento da liberdade e de uma opção de lazer. O que realmente importa, a questão da suposta redução da criminalidade e da ampla discussão de que a forma de lazer da juventude hoje resume-se, nas médias e pequenas cidades, ao consumo de álcool em bares, não é sequer lembrado.

E quando a discussão passa pela constitucionalidade, parece piada, porque subitamente, o Brasil se transforma no país mais garantidor das liberdades, mais democrático e mais humano do mundo, como se países onde o controle da venda em bares de bebidas alcoólicas fossem exemplos de ditaduras (justo países como Reino Unido, Noruega, Japão e Estados Unidos).

Eu não estou dizendo que o Brasil não teria uma realidade única, e que não poderia ser vanguarda no debate das garantias civis, ou que sempre teria que respeitar, como se fosse um cão vira-lata, o entendimento de outros países. Só acho que, por conta de décadas de ditadura, desconfiamos tanto do Estado e não enxergamos mais o que é interesse coletivo (digo isso inspirado no que disse um dos primos meus em uma discussão no Facebook). Aqui na Noruega foi feita uma pesquisa que apontou a relação entre a venda de álcool e o aumento da violência.

O bom de se morar fora por um tempo é perceber que às vezes temos que pensar no que queremos, e não apenas se algo está de acordo com os paradigmas que construímos como uma jovem nação, ainda um tanto insegura com o que seríamos quando donos do nosso próprio destino.

 

 

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Voltas do mundo

Posted by oculos on Oct 4, 2011 in Principal

Desde sempre, um dos meus maiores hobbies foi mexer com VoIP. Cheguei a configurar um servidor Asterisk em casa, e lembro-me das primeiras experiência com o Oliver e com o José Antônio entre os anos 2005-2007.

Qual não é a minha surpresa quando recebo uma das tarefas do mestrado, dando a opção de escolher um tópico entre três, para falar de net neutrality e VoIP em redes móveis…

Quer coisa melhor? :D

(posso até escrever mal, mas pelo menos vou escrever com gosto! :D )

 

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Memórias de São Paulo e as Burecas

Posted by oculos on Oct 2, 2011 in Principal

Morei em São Paulo por uns 4 meses ao todo – cerca de um mês em 1989 e 2-3 meses em 1992-1993. Estranho dizer “morar” por tão pouco tempo, mas é que a ida sempre foi em caráter definitivo, mas acabei não ficando muito por lá.

Na primeira vez, em 1989, morei em um lugar que ficava vizinho a uma lanchonete chamada Casa Búlgara, e lá conheci as Burekas, salgados típicos da Europa Oriental-oeste da Ásia. Qual não foi minha surpresa ao encontrá-las aqui na Noruega, nos mercados!

Mas, devo dizer, não fazem jus à memória que tenho daquelas da Casa Búlgara…

P.S. – O link acima não é da Casa Búlgara mesmo, mas sim de um blog onde encontrei informações sobre o lugar, feliz por saber que ainda existe!

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Dorian Gray

Posted by oculos on Sep 28, 2011 in Principal

Cada vez mais concordo com a situação descrita no livro de Oscar Wilde, “O Retrato de Dorian Gray”. Cada vez que erramos, cada vez que somos injustos, levianos, maldosos ou quando nos falta caráter, essas falhas ficam meio que impregnadas, e passam a ser parte de nós, constantemente ali.

Não que seremos para sempre injustos, levianos, maldosos, etc.. Para isso existe o perdão, o arrependimento, a purgação. Mas parece que sempre carregaremos os erros como lições. Sem o perdão, nossa humanidade se perderia na obrigação de nunca aceitar falhas, e na constante paranóia de nunca errar.

Gosto do fato de que a religião que escolhi (ou de ter me escolhido) ensinar que se deve ter compaixão. Isso me faz ter esperança de que poderei encontrar compreensão, e também me impõe o dever de procurar entender as pessoas. Porque se eu erro, todo mundo também o faz – e nisso Cristo foi revolucionário ao mandar atirarem a primeira pedra. E ainda que alguém tivesse atirado por não ter errado – Cristo poderia tê-lo feito – a compaixão por quem erra nos torna, ao menos, mais justos com nós mesmos.

(PS. – Sei que o texto parece meio estranho, permitam-me a diatribe de falar sobre esse assunto – é que tenho visto algo aqui que me chamou a atenção sobre o assunto)

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