Posted by oculos on Feb 5, 2012 in
Corrida,
Oslo,
Principal
Agora em fevereiro completo 4 anos correndo. Eu sei que volta e meia volto a escrever sobre isso, como se fosse algum profeta, arauto ou religioso devoto e radical de uma seita qualquer. Mas vai ver é exatamente isso: escrevo sobre corrida, talvez para lembrar a mim mesmo porque quero continuar a correr, e porque preciso sempre acender uma vela nesse altar.
Acho que os melhores anos da minha vida vieram após começar a correr. Eu não acho que eu precisaria de um motivo para correr – correr basta por si só. Mas, após um período de stress em 2007-2008, após colesterol alto, após fim de um namoro, após atingir meu maior peso, correr parecia ser o escape, a promessa de redenção. E, de certa forma, foi.
Eu nunca fui disciplinado para nada, e não tinha fé alguma de que poderia sê-lo. Mas, curiosamente, conseguir sê-lo com a corrida, ainda que não tanto quanto deveria. E essa foi a primeira lição que aprendi: eu, também, posso ser disciplinado.
Agora, seis maratonas corridas (com duas previstas para esse ano), e, tendo chegado ao meu peso mais baixo desde que comecei a correr (16 quilos a menos), atingi o que Haruko Murakami chama de “running blues”. Já não tenho tanta vontade assim de correr. Mas corro. É como se fosse a corrida entregasse certa coesão a tudo o que faço, nÃo sei.
E não é que fiquei exatamente mais saudável depois que comecei a correr, se saudável significa não ter mais nenhum problema de saúde. Sim, minha alimentação é saudável, até onde se consegue manter uma alimentação saudável em um país onde a comida é, em grande medida, feita com molhos, produtos congelados e quase nada fresco. Mas desde que comecei a correr, tive várias intercorrências – desde asma, gastrite, a uma tireoidectomia. Nada provocado pela corrida. Aliás, cada problema de saúde, depois de superado, era um incentivo a correr não só pela saúde, já que nem sempre temos controle dela, mas sim porque correr em si basta. É, sem dúvida, uma religião, uma droga.
Não, não digo isso no sentido de vício, ou no sentido de corrida é mais um dos remédios de auto-ajuda que podem ser receitados para dar algum sentido à vida de alguém – embora até creio que isso tenha lá seu sentido. Também não me refiro ao efeito estimulante das endorfinas, algo já conhecido e que também já virou cliché (confesso que me sentiria muito mal em depender de um esforço monumental para correr só para produzir uma dose de um entorpecente). Digo que é uma religião porque, se nos rituais religiosos há certa catarse, há certa submissão a algo superior ou maior, nas pistas de corrida há certa diminuição nossa em razão de algo maior – chame-o de tempo, de distância, de suor, ou de desafio. Mas há também a atitude de trazer à pista, como se altar fosse, nossos problemas, nossos dilemas e aporrinhações, esperando que, através da auto-flagelação que é correr, alcancemos alguma luz, alguma absolvição, alguma misericórdia. E, desculpem-me por dizê-lo, frequentemente conseguimos alguma dessas coisas após a corrida. E logo eu, pessoa que não costuma comparar muita coisa às religiões deístas quer por crença, quer por devoção.
Mas não escrevo isso para fazer proselitismo. Odeio (mas com certa inveja) os promotores de lifestyles (e odeio ainda mais gente que usa expressões em inglês pra tudo). Odeio gente que diz que eu deveria defender o planeta, odeio gente que diz que eu deveria doar dinheiro para os pobres da África (ou de qualquer lugar – pobres, infelizmente, não faltam), ou que eu deveria ter melhor alimentação. Ou que deveria correr. Acho que o ódio é, em certa medida, porque essas pessoas estão corretas, assim como são nobres as causas que defendem. Mas não acho que eu, tão incerto que sou no que se refere à minha própria vida, tenho lá lastro para ficar dando palpite no que seria bom para os outros.
Se escrevo, é mais como um depoimento (ou como um pagamento de indulgência). Um relatório para mim mesmo, a fim de que compreenda que não se corre apenas para se chegar ao final de nada. Como Murakami, não ambiciono grandes tempos, grandes resultados. Corro, apenas, porque de certa forma, e não sei exatamente como, correr parece fazer de mim alguém melhor. Não melhor do que quem não corre, mas melhor do que eu seria sem a corrida.
E espero que o “running blues” seja apenas coisa de aniversariante da corrida. Que venham outros 4, 8, 12 anos de corrida.
…
E agora, em algo completamente diferente: descobri que adoro andar no transporte público de Oslo (bondes, principalmente), nas sextas e sábado à noite. Eles são inundados por hordas de gente jovem bêbada e falante, como se eu estivesse em uma praia baiana, e não em uma cidade onde os habitantes são silenciosos, via de regra, quando usam o transporte público – cada um com seu fone de ouvido e seu olhar distante.
No Brasil, não usava muito transporte público – aliás, usei no meu último mês, ao vender o carro e despertar certa curiosidade de meus colegas quando me viam andar de bicicleta ou pegar o ônibus. Cheguei a perceber certo olhar de solidariedade (ou pena) em um amigo que me viu na fila de um ônibus, como se pensasse “puxa, que pena, tão promissor, o mundo deve estar mau para os advogados”. E também nunca fui de falar com estranhos em um bar – no Brasil (ou em qualquer lugar) nunca me senti muito à vontade com estranhos em um bar – parece que não sou exatamente do tipo que vai ao bar e consegue engatar alguma conversa sobre alguma coisa relevante ao ambiente – qualquer que seja essa coisa – quando essa conversa implica em conseguir se inserir ali naquele contexto de diversão, paquera ou azaração. Mas, curiosamente, em Oslo parece não haver essa pressão, no sentido de que parece sempre ok falar com um estranho em um bar, falar merda com a garota bêbada ao lado, ou dar palpite se a amiga da menina deveria ou não ligar pro namorado dela para dizer que vai vê-lo ainda àquela noite. Sim, não consigo falar com estranhos em qualquer lugar, mesmo em um bar, mas em Oslo isso não me pareceu algo angustiante.
E no transporte público isso é um show à parte – desde gente vindo falar com você do nada, até escutar as maravilhosamente descontraídas conversas de gente bêbada e despreocupada, como se os sábados fossem carnavais e que as segundas podem esperar…
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Tags: Corrida, Haruki Murakami, Oslo
Posted by oculos on Jan 29, 2012 in
Filmes,
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Doido, doido, doido. Perturbador, mas muito revelador.
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Tags: Filmes, Melancholia
Posted by oculos on Jan 28, 2012 in
Filmes,
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Muito legal, estilo anos 80. Gostei!
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Posted by oculos on Jan 28, 2012 in
Filmes,
Principal
Bacaninha, meio sessão da tarde, mas bacaninha.
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Posted by oculos on Jan 21, 2012 in
Livros,
Principal
Autor: Haruki Murakami
Muito inspirador para corredores ou futuros corredores.
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Posted by oculos on Jan 15, 2012 in
Oslo,
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Domingo de manhã, rotina de sempre: ler jornal, tomar café, assistir a um filme, pensar em tomar coragem para ir correr, etc.
Abro o jornal e leio uma das manchetes: “Cotidiano: mulher é encontrada sem olhos e sem pele em Mairiporã.” Pergunto eu: “Cotidiano”?!?!
É o mundo cão de volta, depois de dois, três dias de paz com o universo.
…
Na semana que passou, fui voluntário junto à faculdade para receber os novos estudantes intercambistas. Sim, aqui é muito comum receber estudantes que saem dos seus países para cursar um semestre em outra faculdade. Com currículos mais flexíveis, é uma excelente oportunidade para treinarem o inglês e adquirirem experiência internacional, ainda que a diferença cultural não seja assim tão acentuada entre os países da Europa, de onde vêm a maioria. OK, as diferenças são grandes, mas pequenas aos olhos de quem vem de outro continente, como eu.
A semana foi um sucesso. É sempre bom conhecer gente de vários lugares do mundo. As últimas noites (quinta e sexta) foram só de farra, com este quem vos escreve dançando (bom, dançando, não – tentando) e zoando um bocado. As férias vão acabar em breve, e é sempre bom fazer novos amigos e fazer algo de diferente para quebrar a rotina.
…
A pior coisa de ser um brasileiro atípico (se é que é possível ser brasileiro atípico, já que quase tudo no mundo pode ser considerado também brasileiro) é que as expectativas às vezes são decepcionantes: uma menina pediu para eu mostrar meus passos (moves?), já que, como brasileiro, eu devo tê-los, não? Enfim, não sabia se inventava alguma coisa ou sumia. Fiz os dois… (ou foi ela que sumiu, não lembro… hehehe).
Esperam que saibamos samba (um outro lá me pediu para dançar samba). Só faltava pedir capoeira ou para dizer qual foi nossa escalação na copa de 78 para que a decepção fosse completa. Bom, pelo menos falo português e adoro praia, não?
…
Decidi: meu plano agora é me transformar em um brasileiro típico. Já baixei “Ai Se Eu Te Pego”, e acabei de comprar “Danza Kuduro”, hit do momento na Noruega. Sim, um diligente e informado leitor irá me informar que Danza Kuduro é um hit cantado por um latino, de um emigrante português (salvo engano) na França, baseado em rítmo angolano. Mas, por incrível que pareça, um dos discos de Kuduro, na iTunes Store, tem “brasileiro” como gênero. Vou capitalizar nisso…
Falando nisso, que coisa, não? A Angola tem uma música sua, original, que agora pasteuriza-se e é enlatada para consumo na Europa. Espero que isso seja uma coisa boa para aquele país, e não uma exploração cultural de gosto duvidoso.
…
Outra idéia para me transformar em brasileiro da gema: vou aprender a fazer feijoada. Já mandei ver um bolo esses dias (desses que nossas avós e mães fazem no Brasil, normais, sem frufru, mas que adoramos), e agora vou ver se faço feijoada. Ou acarajé, para ser ainda mais brasileiro: baiano. Mas sem axé, que tudo na vida tem limite.
…
Nos momentos de tédio, resolvi procurar música brasileira no Spotify, serviço de música na moda por aqui, e achei uma versão de Arrumação, de Elomar, cantada por Sérgio Reis. Caralho, não sei se é porque ando em fase de autoafirmação geográfica, mas fiquei arrepiado. Até MPB tenho ouvido… E, para lembrar da infância, escutei “Bananeira Mangará” e “Frevo de Mulher”.
…
Foi excelente ter ido às festas no bar da faculdade, coisa que normalmente não faço. Descobri que já conheço muita gente, descobri que há muita gente boa a conhecer, e descobri que, por mais que não tenha tanto a falar do meu país, é de lá que eu sou, e de lá sinto falta, talvez pela primeira vez.
…
Conheci uma grega. Sempre quis conhecer uma desde que Cam’s me deu um CD de Despina Vandi. A grega, tal como num filme, me disse que todas as palavras vêm do grego. ADOREI!
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Vou tirar o troço da Nike que posta no Facebook o quanto eu corro. Descobri que é um pouco demais. De repente, encontrava com noruegueses na faculdade que já sabiam como dizer “Eu corri XX km” EM PORTUGUÊS por causa das postagens automáticas.
…
Bom, deixa eu voltar a ler o jornal, pulando, obviamente, o caderno “Cotidiano”, e fingir que a vida é uma beleza.
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Posted by oculos on Jan 8, 2012 in
Filmes,
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Sinceramente? Não gostei.
Não sei se é porque assistir um filme falado em inglês britânico, com legendas em norueguês, não seja lá muito fácil, ou se é porque Sherlock Holmes, pra mim, sempre foi um camarada reflexivo e austero (embora excêntrico), ou se simplesmente porque no filme o que vi não era Sherlock Holmes. Era um filme de ação – meio Matrix (que adoro), meio “O Tigre e o Dragão”, com a desculpa de um grande personagem.
Mas acho que sou único nisso – todo mundo fala maravilhas do filme.
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Tags: Filmes, Sherlock Holmes
Posted by oculos on Jan 4, 2012 in
Principal
Feliz Ano Novo!
Coisa que tem me irritado: a quantidade de gente descendo a lenha em Michel Teló. Ah, vai se catar…
Vamos aos fatos:
1. Desde quando neguim espera que música de massa seja exatamente intelectual? Povo metido a besta! Mania de gente descer o cacete em música popular só porque prefere ouvir a MPB, como se esta, apenas por seus méritos, tivesse que ser socada na guela do povo. É como se dissessem: “olha, povão, vocês não têm o direito de gostar dessa música, porque a música popular, de fato, é essa outra, que chamamos de MPB”. É presunçoso, preconceituoso e, no fim das contas, revanchista.
É óbvio que não estou a dizer que a tal música seja lá cheia de mérito, mas é que não vi o cara, nem ninguém, dizer que a música “Ai Se Eu te Pego” deveria ganhar o Prêmio de Letra mais Profunda. Portanto, não pode ser julgada pelo que ela não é.
2. Concordo com Lobão. Podem me detonar. Eu sei, meu gosto pra música é sofrível (porém não gosto dessa música da qual falamos, bem entendido). Mas somos um país intenso – alegre, violento, cheio de contrastes. E, diz Lobão, nada é mais idiota do que achar que a música que nos representa é aquela cantada com o sujeito todo tranquilo, parecendo que tudo é calmo e sereno, em um banquinho com um violão, dizendo “Ela é Carioca, Ela é carioca…”. Ah, devo dizer, essa música NÃO me representa MESMO.
3. Sinceramente? Em que essa música é pior do que o techno dos clubs alemães, do que o dance de Ibiza? Enfim, é música de praia, de festa, não de concertos artísticos. É diversão. Música não tem que ser sempre obra de arte, assim como texto de jornal não tem que ser literário. Música tem função utilitária. Não é útil pra mim, não é pra você, mas muita gente gosta.
4. Mania chata essa de neguim politizar até a porra da música! O cara começou a cantar uma coisa qualquer. Vendeu. Faz sucesso na Europa toda. E é ELE que tá errado? Longe mim dizer que é a música ideal, mas, puta que pariu, essa crítica toda cheira tanto a dor de cotovelo mal disfarçada. Pra que tanto auê?
5. Odeio pensamento único. Do tipo “só curto música boa”, como se música, melodia, não tivesse certo apelo a sensações, emoções, sentidos. E fica aquela coisa meio arrogante, do tipo “a música que escuto é que tem qualidade”. Então tá, então 80% da indústria musical brasileira deveria desaparecer, só porque o povo não aprende que a música que escuta é ruim? Sei…
6. Sei, compreendo e entendo que parte da indústria musical brasileira contribui para a alienação, reproduz valores e mentalidade com a qual não nos identificamos. Mas não é assim com toda espécie de arte, seja ela de qualidade ou não? Ou será que queremos uma ditadura intelectual agora? Uma ditadura onde só caibam Marisas Montes, Caetanos Velosos (pra mim, um chato de galocha) e Cia. Ltda.?
7. É horrível quando alguém se acha superior por causa dos seus gostos. Seria como se eu começasse a achar que todo usuário de Windows é cidadão de segunda classe. Ou que um xiita de dietas começasse a dizer que quem come no McDonald’s é doente, e que essa lanchonete deveria ser extirpada.
8. Não gostou da droga da música? Bem-vindo ao clube. Agora, garanto, tem muita gente que gostou. Não vai ganhar nenhum prêmio da APCA, mas fazer o que se D. Maria lá da feira gosta?
9. O Brasil não é único nessas coisas. A Romênia convive com seu Manele, Portugal com sua música Pimba (é assim mesmo?, e por aí vai. Na Romênia, sei que há um movimento forte contra o apelo do Manele, apesar da popularidade do gênero. Na Noruega, há o DDE, por exemplo, que não é o supra-sumo da música nórdica, mas a garotada escuta e se diverte. Fazer o que?
10. Por último, acho que falta apenas bom humor às pessoas. Música de qualidade não pressupõe, para existir, que se elimine a de massa. É clichê chato o tal “tem espaço pra tudo”, mas, em se tratando de fenômenos que, em regra, são efêmeros, não sei porque não encarar como mais uma daquelas ondas do verão, que sempre vêm e vão. Aliás, um picolé de limão para quem apontar uma música de verão sequer que seja uma pérola da poesia. Acho que, escutável, mesmo, só os Tribalistas que, salvo engano, fizeram sucesso no verão de 7, 8 anos atrás.
11. (UPDATE) Fico pensando no que inspira as pessoas a perderem o seu tempo para escreverem longos textos para detonar alguém apenas porque canta uma música que não é a que gostariam de ouvir. Talvez seja o mesmo e inexplicável desejo meu, de ser ouvido, ou, no caso, lido. Mas talvez seja mais que isso: talvez uma demonstração de uma agressividade latente para com tudo o que não lhes agrada, em uma espécie de egocentrismo no gosto, na opinião. Gente que critica a revista Época porque colocou o cara na capa, como se o cara estivesse ali retratado pela qualidade da música, e não pelo impressionante sucesso alcançado. Se Tiririca foi eleito deputado, porque o cara não pode sair na capa da Época? Aliás, a capa da Época, da Veja, da IstoÉ, da Newsweek, agora virou certificado de importância das coisas? Vá entender…
Enfim, deixem o cara fazer sucesso, deixem que pensem que somos um país alegre, sensual, vibrante. Antes isso do que essa mentirinha de “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…”.
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Tags: Ai Se Eu Te Pego, Manele, Michel Teló, Portugal, Romênia, brega, música
Posted by oculos on Dec 29, 2011 in
Política,
Principal,
Vitória da Conquista
Vejo em um blog da cidade uma notícia que me causa espanto, indignação e raiva. Não sei porque, já deveria eu estar acostumado…
Pois bem: o Secretário de Planejamento do Governo da Bahia, sr. Zezéu Ribeiro, diz que “Ainda não[sabe]” quando vão iniciar as obras do aeroporto de Vitória da Conquista.
O comentário ilustra algumas coisas importantes:
1 – Como é que um secretário de planejamento tem a coragem de ir a Vitória da Conquista e dar uma resposta idiota dessas, por mais honesta que seja?
2 – Como é que um secretário de planejameto não tem idéia a respeito do início da obra mais esperada, desejada e adiada de toda uma região?
3 – Como é que um secretário de planejamento é incapaz de gerenciar com cuidado algo que é tão caro a uma cidade que, por sinal, tem dado voto de confiança às administrações do PT?
E não se diga que, por ser arquiteto, o Sr. Zezéu Ribeiro não teria formação profissional apta a gerenciar a Secretaria de Planejamento, talvez pasta mais apropriada a economistas, ou sei lá o que. Primeiro, porque uma das maiores gestoras que conheci é, justamente, arquiteta. Segundo, se essa profissão fosse inadequada, que não se colocasse alguém sem qualificação para gerenciar pasta tão importante.
Mas isso dá mostras de uma incompetência dos nossos políticos que é algo que, em outros lugares, já os teria enforcado: como é que anunciam uma obra, por reiteradas vezes, para depois virem a público para dizer que “vão ter que captar mais recursos para a obra?”. Será que políticos são incapazes, de uma incapacidade inata (perdão pela redundância), de gerenciar alguma coisa? De falarem algo limpo? De prometerem algo que realmente desejam cumprir?
É por essas e outras que o Brasil é essa coisa confusa: a China constrói um aeroporto em tempo recorde, uma ferrovia no estalar de dedos. Mas, no Brasil, administrar é algo que os políticos fazem muito a contragosto. É um encargo que têm que suportar enquanto fazem política. E, se o Sr. Zezéu Ribeiro vai a Vitória da Conquista e não sabe a resposta para uma pergunta como essa, deveria ter ficado em Salvador fazendo o que quer que faz por lá. Assim, pouparia o dinheiro dos contribuintes. Não fosse o Brasil um país democrático (e democracia, infelizmente, acaba permitindo a cara de pau irrestrita – coisa que também é comum em ditaduras, diga-se), um cidadão desses seria proibido de pisar em Conquista até que tivesse algo a dizer, ou melhor, contas a prestar.
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Tags: Zezéu Ribeiro, aeroporto
Posted by oculos on Dec 29, 2011 in
Filmes,
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Chato… Não se compara ao de Tim Burton,
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Posted by oculos on Dec 29, 2011 in
Apple,
Livros,
Principal
Autor: Walter Isaacson.
Muito bom livro, principalmente para quem não conhecia a saga de Steve Jobs, nem sua vida com reviravoltas épicas. Afinal, não é sempre que se vê alguém ser expulso da própria empresa depois de ter criado a peça chave desta, fundar uma empresa de tecnologia excelente (NeXT), assumir outra revolucionária (Pixar) para, depois, voltar ao primeiro amor (Apple) com a tecnologia para salvá-la e torná-la a empresa de tecnologia mais valiosa do mundo.
Se a vida de Steve Jobs é inspiradora, ela traz em si um certo dilema: será possível ser tão artístico sem ser tão cruel, tão sem empatia? No livro quase que se torce por uma melhora nos modos sociais de Jobs, mas, ao que se vê, essa não veio com a intensidade esperada. Pareceu-me, a um certo ponto, que o autor esperava que o câncer trouxesse redenção a Steve. Como não trouxe (não na intensidade que se esperaria), fica-se com esse dilema: será necessário ser tão duro com os outros (e consigo mesmo) para ser genial? Será possível ser genial e ser, também, humano?
Não que esse lado um tanto perverso de Steve Jobs me surpreenda – já sabia que ele não tinha lá bons modos. Detesto gente de maus modos. E também tais modos não poderiam ser desculpa para um fim maior – note que Steve era contraditório com os supostos fins altruísticos de sua conduta por vezes repreensível. Mas o diabo é que não se pode deixar de reconhecer a genialidade do homem, e isso é perturbador.
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Tags: Apple, Livros, Steve Jobs
Posted by oculos on Dec 26, 2011 in
Principal
No passado, já escrevi aqui sobre a minha preocupação a respeito do uso exagerado da tecnologia, e o quanto isso pode ser prejudicial, ou, melhor dizendo, o quanto isso supostamente pode nos alienar em relação à vida “lá fora”.
Mas outra coisa tem me preocupado esses dias – e, ao que parece, não só a mim, como poderão facilmente perceber: o tal déficit de atenção.
Em primeiro lugar, algo me tranquilizou um pouco: conheço muita gente que suspeita ter transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, etc. Eu mesmo já me perguntei se teria algo assim. Dia desses assistindo Ana Maria Braga (não ria, caro leitor – você ainda há de morar no exterior e devorar qualquer coisa que lhe dêem em sua língua natal – de Ana Maria Braga a “Ai se Eu te Pego”), vi uma reportagem interessante sobre a banalização do Transtorno do Déficit de Atenção. Afinal de contas, quem nunca esqueceu a chave de casa? Embora eu ainda acho que tenho alguma dificuldade em me concentrar em escutar algum monólogo superior a 10 minutos, de repente percebi que isso pode ser algo inerente à minha personalidade, uma idiossincrasia minha, e não um transtorno (algo muito chato quando se é advogado, por exemplo, e se tem que escutar um depoimento de alguém falando por horas…).
Mas, porém, contudo, todavia, se colocamos de lado a possibilidade de que todos temos o tal transtorno, percebi – com a ajuda dos artigos abaixo – que estamos vivenciando uma transformação no nosso modo de processar informação. E não sei se isso é bom ou ruim.
Quando concluí a faculdade, a internet ainda não era a ferramenta de estudo por excelência. Porém agora, ao voltar a estudar, percebi que, a não ser por dois livros didáticos do currículo (um deles em formato eletrônico), todo o meu material de estudo encontra-se online. Ou seja: estudo praticamente no computador. E é aí que mora o problema: parece que o uso sistemático de ferramentas de busca, hiperlinks, múltiplas janelas abertas, etc., não faz com que estudemos de forma reflexiva, mas utilitária.
Segundo um dos artigos, nós passamos nossos olhos por textos cada vez menores, porque dificilmente nos prendemos, na internet, a textos longos – há uma miríade de fontes a nos ensejar que consultemo-nas. Raramente voltamos ao lugar onde começamos a pesquisar. Veja: antes, nossa leitura era profunda – entrávamos em um estado de imersão no livro. Sem distrações, sem alternâncias.
Isso sem falar das outras atrações da internet: Facebook, Twitter, mensagens instantâneas, notícias atualizadas. Ou seja: estamos o tempo inteiro aptos a consumir informação. Um dos artigos fala, inclusive, no fato de que o Facebook se torna, cada vez mais, o espaço de interação por excelência: para se sentir integrado, precisamos conhecer cada nova piada ali postada, cada novo “trend”. Fora da vida online, nossas experiências de interação acabam reduzidas e, mesmo assim, orientadas ao que acontece online: os assuntos giram em torno do que é notícia nas redes sociais.
Se por um lado essas redes propiciam possibilidades de relacionamento inéditas – não é preciso esperar o Natal ou outra época propícia a reencontrar amigos e parentes para nos inteirarmos do que tem acontecido com eles – por outro, nossas experiências acabam orientadas para a profusão de informações a que somos submetidos quando ligamos nosso computador. Eu percebi, por exemplo, que para ler a Folha de São Paulo (online), o jornal da Noruega que leio (ou folheio) e o meu feed de RSS, bem como o feed do Facebook, pelo menos 3 horas diárias são necessárias. 2 horas, com algum esforço.
Ao lado disso, sempre customizei a interface do meu computador para que tivesse acesso a qualquer informação relevante. Uso o Growl, que avisa desde quando alguém se conecta ao Skype até qual o assunto do e-mail que acabei de receber. Cada novo evento tira o foco do meu trabalho, ainda que por um segundo. Claro, foi uma opção minha, e é claro que posso desligar essa função. Mas as distrações podem vir de todo o canto: desde o sms no celular à tentação de olhar o Facebook, o Twitter, o Foursquare….
E esse hábito de processamento contínuo de informação (ler o que interessa, descartar o resto), faz, ainda de acordo com os artigos que li, com que tenhamos maior dificuldade de atingir aquele mencionado estado de reflexão que costumávamos ter quando de uma leitura metódica.
O assunto tem me preocupado. Percebi que poderia ter rendido muito mais no meu estudo no semestre passado. Percebi que, antigamente, as pessoas liam muito mais para se preparar para as provas. Porém, o Google nos torna um pouco mais estúpidos, já que o importante não é mais aprender, mas sim saber onde está a informação.
Até o iPad agora tem notificações. Acho que vou desligá-las. Tenho tentado ler no Kindle, e tem sido fantástico, porque, após algum esforço de concentração, percebo o quão tranquilizante é poder me deter em uma coisa, sem o stress mental advindo da experiência de buscar algo na internet e, de repente, me ver pesquisando 10 coisas diferentes que não guardam nenhuma relação entre si (nem muito menos com o que me propus a pesquisar).
Não sei se estamos entrando em uma nova era onde teremos que mudar a forma com que lidamos com o conhecimento. Também não sei se estamos ficando mais passivos em relação à informação. Se por um lado a vida moderna parece nos cobrar uma certa atualização frequente no que se refere ao quanto nos informamos, por outro lado me parece claro que isso acaba roubando de nós tempo em que poderíamos estar, de fato, vivendo.
Artigos mencionados:
My life without Facebook
Is Google making us stupid?
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Tags: Facebook, Google, atenção, estudo, growl
Posted by oculos on Dec 21, 2011 in
Política,
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A notícia mais WTF do dia: em razão da crise que afeta Portugal, o Primeiro-Ministro daquele país sugere que seus professores emigrem para o Brasil, ou para outros países de língua portuguesa.
Não obstante poderia eu aqui refletir sobre as raízes dessa sugestão sob diferentes prismas, do tipo “terá o Brasil ficado atraente demais, ou estará Portugal tão ruim assim?”, ou da espécie “e agora, será que a imigração portuguesa vai continuar a barrar brasileiros? será que nossa imigração vai começar a ser xenófoba?”. Mas não vou por aí, embora seja tentador.
Acho, no entanto, que, a despeito do notável crescimento do Brasil e da distribuição de renda ter aumentado, o que o Brasil fez não foi virar primeiro mundo. Não somos essa “coca-cola” toda não. Continuamos ainda a anos-luz disso. O que o Brasil fez foi, tão-somente, mas de imensa importância, reduzir drasticamente a pobreza e introduzir milhões na cadeia de consumo.
Portanto, embora adoraria que emigrantes fossem ao Brasil, para tornar o nosso país um tanto mais cosmopolita e não tão fechado em si mesmo (muito embora seja um país tão rico e diverso que ser cosmopolita acabou não fazendo tanta falta), acho que, por um dever humanitário, alguém deveria avistar à Sua Excelência quanto ganham os professores no Brasil, principalmente quando o nobre político falou em deficiências no ensino básico em terras brazucas, justamente onde se ganha menos…
P.S. Há algo realmente digno de reflexão aqui: nos piores anos do Brasil, nunca se incentivou a imigração, como forma de promover melhores chances para os cidadãos. Mesmo nos anos da ditadura, o slogan “Ame-o ou deixe-o” era de conotação política, não social. E, pelo contrário, logo que o Brasil ensaiou melhorar, não lembro se no governo de FHC ou no de Lula, houve certa campanha para que os brasileiros retornassem! Acho que isso se deu por conta de que aqui, políticos gostam de fazer cara de paisagem em todos os momentos – a coisa pode estar pegando fogo, mas nenhum político admite a tragédia…
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Posted by oculos on Dec 21, 2011 in
Filmes,
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Idéia muito interessante, que poderia ter sido melhor explorada.
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Posted by oculos on Dec 11, 2011 in
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WTF?
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Posted by oculos on Dec 7, 2011 in
Direito,
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Vitória da Conquista
A situação era conhecida, todo mundo sabia, e ninguém fazia nada: sempre que algum professor da FTC era demitido, tinha que mover processo judicial para receber os valores devidos a título de FGTS.
Até aí, nada de anormal: a Justiça está aí pra isso, e dela se utilizar para receber parcela trabalhista não-paga é absolutamente corriqueiro.
O problema começa quando se nota que TODOS os funcionários da FTC, ao serem demitidos tinham que percorrer idêntico caminho, e isso desde 2006 (provavelmente até antes disso, mas a memória não me ajuda aqui).
Pergunta: como foi possível que, durante esse tempo todo, essa situação perdurasse sem que ninguém questionasse o que estaria acontecendo?
Sim, porque, ao que todo o resto indicava, a FTC seria uma instituição em franco crescimento: suas filiais recrutavam cada vez mais alunos, a publicidade da empresa era onipresente, os alunos costumavam adiantar os pagamentos semestrais através de cheques.
Porém, insistentemente, a instituição, apesar do estilo de vida de ostentação e luxo de alguns dos seus proprietários (muito se falou do apartamento luxuoso do Sr. Gervásio Oliveira, sócio da instituição), parecia sangrar de propósito.
Algo que era de conhecimento de todos era o fato de que, alguns anos atrás, a empresa começou a adotar a tática de não mais demitir seus funcionários – esperava que estes “caíssem de maduro”. Ou seja: não davam mais horários de aula para alguns professores, ou simplesmente comunicavam a demissão de forma informal, a fim de “cavarem” uma briga judicial que lhes permitissem prorrogar o pagamento das verbas rescisórias. Era comum o funcionário de RH dizer ao empregado demitido “isso só pagamos na justiça”, mesmo se tratando de verba corriqueira como aquela do FGTS.
Sendo a FTC uma empresa autorizada pelo Ministério da Educação, prestando, assim, serviço público (Educação), sempre foi estranha a grande mudança de personalidade jurídica. Primeiro, SOMESB. Depois, IMES. Tudo isso dificultava a execução das dívidas trabalhistas. Depois, engenhoso esquema financeiro foi montado para que o dinheiro que ingressava na faculdade (oriundo das mensalidades dos alunos) não fosse visto pela Justiça: a sua folha de pagamento foi, aparentemente, terceirizada! Ao invés do dinheiro entrar direto na conta da FTC, os valores pagos pelos alunos eram depositados na conta de uma empresa sediada em São Paulo, fora, portanto, do alcance das penhoras online da Justiça.
Nesse meio-tempo, as notícias de mandados de prisão contra o Sr. Gervásio Oliveira pipocaram nos noticiários, mas a omissão da grande imprensa, normalmente destinatária da publicidade ostensiva da FTC, causa espanto.
Para efeito de comparação, quando a FAINOR, de Vitória da Conquista, proporcionalmente bem menor do que a FTC, passou por problemas financeiros, a comoção social foi enorme, a ponto de que uma ampla negociação foi feita com professores que deixaram a instituição, sendo que, até onde se sabe, todos os acordos foram devidamente honrados. Por que só agora os professores da FTC entraram em greve? Por que não houve nenhuma comoção antes?
Perguntas, então, que exigem uma resposta:
- onde está o MEC, que, após sucessivas inspeções na FTC, após sucessivos rebaixamentos nas notas dos cursos da instituição, após sucessivos cortes no número de vagas de alguns cursos, nunca pareceu atentar para o problema do FGTS?
- onde está o Ministério Público do Trabalho, que parece nunca ter procurado verificar a precarização das relações de trabalho de uma faculdade que não é qualquer uma, mas talvez a maior faculdade de ensino privado do Nordeste?
- onde está a Justiça do Trabalho, que, a despeito de centenas de reclamações trabalhistas, até recentemente, chegou a recusar o pedido de advogado, de enviar o caso ao MPT (o que talvez responda em parte a questão anterior) para que este investigasse a situação, sabendo que se tratava de empresa de grande porte que, curiosamente, tinha apenas centavos em suas contas-correntes?
- onde está o Ministério do Trabalho?
- onde estavam os professores que hoje fazem greve, quando assistiam a seus colegas serem demitidos e viam estes terem que brigar na justiça para receberem o FGTS?
- onde estavam os alunos, ao verem as notas de seus cursos caírem, e ao tomarem conhecimento de que seus mestres eram diariamente vilipendiados no que se refere aos seus direitos trabalhistas mais indiscutíveis?
- onde estava a imprensa, que parece nunca ter visto nada?
Quem acompanhava judicialmente a questão, compreendia que havia (e há) uma estrutura jurídica bem montada com o propósito de enriquecimento dos donos da FTC às custas do suado trabalho de seus funcionários. Não se podia compreender como uma instituição em franco investimento podia ser tão omissa quanto aos pagamentos de seus professores. A coisa era deliberada. Mas, curiosamente, era tratada de forma individual: cada professor que matasse seu leão quando chegasse a hora.
E, pior: havia um valor depositado na Justiça Estadual, referente ao Prouni, em favor da FTC, não liberado porque parece ter havido irregularidade nessas bolsas.
Não quero aqui criticar o ensino privado, mas perguntar não ofende: como pode uma instituição de ensino, cujo objetivo primordial é formar profissionais éticos, preparados para o mercado de trabalho, ou, dizendo de outra forma, cujo objetivo é educar, pode se comportar de uma forma tão mesquinha, tão aviltante, tão deplorável?
Lembro-me de professores-doutores, usados de forma descartável, que se mataram para aprovar determinados cursos e depois foram praticamente chutados da instituição. Lembro-me de árduos defensores da FTC, inclusive diretores, que depois tiveram que entrar na fila para tentar receber algum dinheiro que caísse por acidente dos seus proprietários.
Preferia que a FTC não caísse de podre. Preferia que as pessoas acordassem, e que a instituição fosse publicamente confrontada, e não incensada, como se fossem respeitáveis cidadãos ou próspera empresa. Gostaria que seus donos tivessem que enfrentar uma cela fétida. Incomoda-me não tanto os crimes pelos quais alguns são investigados – “operação jaleco branco”, “octopus” e outros nomes. Incomoda-me que seu enriquecimento tenha ocorrido através da espoliação sistemática de professores, profissão que merece respeito, e não funcionário de RH mandando “buscar na justiça”.
P.S. – Não posso deixar de fazer uma homenagem anônima e silenciosa a determinado Procurador da República e a determinado Juiz Federal, que não se reduziram à burocracia das funções que ocupam, mas que promoveram as devidas diligências a fim de defenderem os interesses dos alunos em determinado processo contra a FTC. Queria que a Justiça do Trabalho fosse igualmente diligente. Não foi, e não é – pelo menos até onde vi.
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Tags: FTC, Gervásio Oliveira, Vitória da Conquista, justiça
Posted by oculos on Dec 4, 2011 in
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Posted by oculos on Dec 3, 2011 in
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Engraçado.
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Posted by oculos on Dec 2, 2011 in
Oslo,
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Vitória da Conquista
Vai este quem vos escreve fazer sushi. Entendam: em Vitória da Conquista, eu acredito que era o maior consumidor de sushi da cidade. Um dia vou perguntar pra minha amiga que tem um delivery de sushi em Conquista se eu era o cliente mais frequente.
Mas, estamos em Oslo, a cidade mais cara (ou segunda) do mundo, onde comer fora frequentemente não é uma opção. Então, descobri que, por um acaso, salmão é uma das coisas (relativamente) baratas que tem por aqui. E resolvi aprender a fazer sushi. Ou melhor, a tentar aprender.
Consegui fazer bolinhos de arroz com salmão por cima, mas não me atrevo a chamá-los de niguiri. São feios, disformes e com um arroz empapado. Mas dá pra comer e matar a saudade de sushi de verdade.
Ocorre que parei de comprar o salmão congelado, para comprá-lo fresco. O sabor é outro. E hoje, para não gastar muito, comprei um em promoção. Só que o tabaréu aqui, cujos conhecimentos de norueguês não são assim uma Electrolux (pra escandinavizar a metáfora, sacou?
, não notou o “Røkt” na porquera da embalagem. Resultado: depois do arroz cozido e preparado, percebi o cheiro: “røkt” quer dizer “defumado”…
Fiz a disgrama do sushi assim mesmo, que coroa norueguesa não dá em árvore. Mas confesso que um estomazil cairia bem agora… :S
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Tags: Oslo, niguiri, sushi
Posted by oculos on Nov 30, 2011 in
Direito,
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Amigo meu postou notícia do CNJ com números de acordos feitos em audiências de Conciliação, principalmente aquelas de mutirões.
As conciliações podem ser vistas por dois ângulos: um deles no fim da angústia da vida processual, para as partes. O outro, na diminuição de um passivo, do ponto de vista do Judiciário. O problema é que o tal passivo é que o tal passivo é que alimenta a tal angústia, sob forma da demora da prestação jurisdicional.
Me pergunto, sinceramente, até que ponto é saudável a comemoração com números de acordos em mutirões. Esses acordos geralmente são enfiados guela abaixo das partes, que já não podem confiar em uma justiça que não é, sobretudo, efetiva. Não que os juízes forcem um acordo. Mas as circunstâncias são as do “não tem outro jeito, ou se acorda aqui, ou se espera uma sentença que levará anos”. Juro que gostaria de comemorar um número recorde de julgamentos – não porque tal comemoração seria uma apologia à litigância, mas simplesmente porque não consigo acreditar que as conciliações demonstrem tentativa de pacificação – são, sobretudo, demonstrações de um Estado falido que, incapaz de cumprir uma função tão básica, devolve aos cidadãos a responsabilidade que não lhes pertencem: “Virem-se”. E, pior: ainda apregoam que isso é solução alternativa de litígio, como se fosse mais austera, ou moralmente mais aceitável, do que o julgamento competente.
Sei que muitos Juízes de boa-fé fazem os tais mutirões, inclusive para tentar diminuir um passivo processual que sequer criaram. Sei, ainda, que outros, sem tanto passivo assim, só têm seu trabalho atrasado com tais semanas de conciliação – ninguém consegue nada em cartório nas semanas antecedentes ou durante à semana de conciliação. Sei que, de fato, alguns acordos são feitos, trazendo paz social. Mas tenho certeza que, na ampla maioria, o acordo é feito porque o aparelho judicial não dá a segurança de um julgamento célere. E aí vem a liçãozinha de moral da propaganda: “quando um não quer, dois não brigam”.
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Tags: judiciário
Posted by oculos on Nov 28, 2011 in
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Ok, escolhi Direito, e mantenho-me fiel à escolha. Caralho, até mestrado em Direito estou fazendo.
Mas às vezes me pergunto se deveria deixar a vocação falar mais alto. Não que não tenho vocação para a área jurídica. Devo tê-la, ou pelo menos me dizem que a tenho. Mas acho que nada me interessa mais do que gente.
Acho que entender as pessoas, seus motivos, seus desejos – entender gente de verdade – queria que essa fosse a minha verdadeira vocação. É que nada me interessa mais do que as pessoas. E nada me satisfaz mais do que conhecer gente de bem.
Por isso talvez eu não seja a pessoa mais adequada para viver no exterior. É que a alegria de conhecer gente boa é facilmente ofuscada pela tristeza de perdê-las, porque, no exterior, quase tudo acaba sendo transitório devido à própria natureza de nossas estadias. Sim, nossas estadias são transitórias por natureza – quer em razão de nossas atividades – um curso, um estágio – quer em razão legal – há sempre algo chamado ”visto” a limitar nossas experiências.
Há, pra mim, algo triste em, por acaso, conhecer gente boa, quando esses encontros já vem com data de validade…
Enfim, que seja eterno enquanto dure!
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Posted by oculos on Nov 22, 2011 in
Filmes,
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Hilário!
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Posted by oculos on Nov 17, 2011 in
Política,
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Vitória da Conquista
Descobri, finalmente, a razão de nossas mazelas: A sensibilidade exacerbada.
Ora, vejamos:
Uma ministra do STJ diz que existem “bandidos de toga”, e só faltou ser crucificada. Um deputado falou que 30% dos seus pares não se salvam. Jornalista em Conquista, participando de movimento, critica entidade de classe e recebe críticas de referida entidade.
Por trás das respostas às críticas acima, sempre o mesmo argumento: “generalização”.
É, como já disse aqui antes, infantilizar o debate, tentando esvaziá-lo com argumentos meramente formais. Ou seja: ao invés de discutir a essência da crítica, tenta-se desqualificá-la sob o argumento de generalização. É como se, de repente, dizer que “ganha-se muito mal no Brasil” seria uma mentira apenas porque algumas pessoas ganham bem.
No caso do Caíque, a situação é ainda mais surreal, porque a ADUSB, entidade que o critica, não costuma usar de linguagem lá muito franciscana quando revolta-se (sempre com razão) contra o poder incubente. Aliás, nunca vi movimento algum de protesto usar palavras de ordem do tipo “Governador (ou prefeito) mauzinho!!! Assim não vem mais!!!”. Para quem já viu até enterro simbólico de prefeito, eu acho que “masturbação mental”, uma das expressões que o Caíque teria usado, é até pudico.
Pior: a ADUSB, ao falar em patrulhamento, não só patrulha, como ainda ameaça de forma velada, lembrando do vínculo profissional do Caíque. É vergonhoso, porque espera-se de uma entidade formada por professores o estímulo ao pensamento plural, à crítica, à indignação. Talvez até incentivem isso, mas não contra eles próprios. Crítica sempre é bom quando é contra os outros.
Em um país tão acomodado como o nosso, a provocação para que a academia participe de um debate construtivo é bem-vinda. Pode até ser que a boa parte dos professores tenha algum engajamento em uma mudança social, ou mesmo o contrário. O que importa, no caso, não é a verdade ou inverdade da afirmação. O que me parece grave, aqui, é essa sensibilidade de freira carmelita (com todo respeito às religiosas), justamente quando se sabe que, em protesto contra o sistema, não se pode esperar suavidade.
Eu, se estivesse em Conquista, pode ser até que não teria participado da manifestação. Estaria, é bem possível, enchendo a “pança de batata frita”. Mas, se assim estivesse, me sentiria envergonhado por, em um país tão injusto, não estar protestando.
Aliás, professores devem entender que são, mais do que ninguém, exemplos. Portanto, devem acostumar a ser vidraça também. E, se injustas as críticas, que contestem-nas. Agora, protestar contra o ato de criticar, chegando ao absurdo de dizer que seu exercício beirou a injúria é, mais do que desconhecimento jurídico, intolerância.
E, sinceramente, tenho medo de professores falando que tal manifestação seria um “germe da desagregação”. Muito fascistóide pro meu gosto. Como assim desagregação, cara pálida? Devemos agregar-nos? Com quem? Com a ADUSB? A ADUSB, por acaso, defende o pensamento único, em torno do qual devemos nos agregar?
Acho que a crítica do Caíque não usou de palavras que eu, cheio de não-me-toques que sou, não usaria. Mas acho que esconde, no fundo, uma decepção: se em protestos desse tipo professores não se fazem presentes, acaba por retirar-lhes um pouco de contundência. Porque são eles quem nos ensinaram a indignação. É como se, de repente, tivéssemos sido traídos.
Confesso que, ao receber os primeiros releases sobre o “Nas Ruas”, fiquei preocupado. Nossos professores sempre nos ensinaram a ter medo de movimentos que se dizem apartidários. E estavam certos – vide o “CANSEI”. O problema é que as esquerdas, no poder, provaram que corrupção não tem ideologia. Antes de defender o capitalismo, o socialismo, ou outro ismo, o que estamos pedindo é tão-somente decência com a coisa pública. Sim, eu continuo achando que o capitalismo é, em essência, corrupto. Por isso, acabo sendo de esquerda. Mas há algo legítimo em um pouco de pragmatismo quando se pede, simplesmente, decência. O “Cansei” era dissimulação de burgueses para desestabilizar um governo. Já os Nas Ruas me parece, simplesmente, um legítimo movimento social em uma hora em que a demissão de ministros por corrupção está se tornando algo corriqueiro.
E sim, nossa omissão até hoje deixou que a corrupção se alastrasse.
Não vi nenhuma intolerância em relação às diferenças, conforme afirmou a ADUSB. A crítica do Caíque, dando o desconto para as palavras de ordem e retórica de protesto, resume-se no sentido de falta de envolvimento da Academia nos protestos. Concorde-se ou não com essa falta de envolvimento, parece ser razoável tal crítica. Pode até não agradar, mas, no academicismo de alguns, há pouco ativismo, exceto nas catarses das greves.
E acrescento: infelizmente, não só os professores foram omissos. Fomos, também, nós, advogados. Servidores públicos. Médicos.
Falta de motivos para protestar não é o caso. Falta-nos, na verdade, coragem.
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Tags: ADUSB, Caíque, Nas Ruas, UESB
Posted by oculos on Nov 14, 2011 in
Oslo,
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Procuro me manter atualizado quanto a tudo o que acontece no Brasil, o que não é difícil, graças à internet. Mas não quero ficar alienado em relação ao que acontece aqui na Noruega, então leio quase que diariamente o principal jornal daqui, o Aftenposten.
Quase nunca vi notícias sobre o Brasil. Hoje saiu apenas uma foto da ocupação da Rocinha, escrito “Rochina”. O que é estranho é que, em outros jornais importantes do mundo, é normal ler notícias do Brasil. Aqui, nada. Mas quase diariamente saem notícias de países mais próximos, como Afeganistão, Geórgia, Rússia…
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Posted by oculos on Nov 14, 2011 in
Política,
Principal
Notícia interessante no jornal:
Um parlamentar quer mudar a constituição daqui para que seja proibido indicar como Secretário de governo alguém que seja representante no parlamento. A idéia é que é a população, e não o governo, quem deve escolher os membros do parlamento.
Interessante, não?
Lembra-me desses ajustes que no Brasil são comuns de indicar deputados, senadores, vereadores, etc., para ocuparem cargos, a fim de que outros que não conseguiram votos suficientes integrem o parlamento.
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Posted by oculos on Nov 12, 2011 in
Política,
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Vitória da Conquista
Dizem que Conquista é uma cidade politizada. Não acho. Conquista é uma cidade onde a frivolidade é centrada na política, como se esta fosse apenas a Sessão da Tarde, ou a revista Contigo. Enfim, é um passatempo. Aliás, não é diferente no interior da Bahia – a polaridade na política é onipresente na maioria das cidades, com as famílias devidamente alinhadas a um ou a outro grupo político.
Isso, penso eu, é extremamente alienante. Pessoas bem-intencionadas acabam apoiando causas ruins em nome do grupo político que integram, apenas para evitar o fogo-amigo. Do mesmo modo, criticam projetos adversários apenas por serem defendidos por estes.
O pior é quando políticos agem a reboque dessa forma simplista de agir com a coisa pública. Vereadores ou jogam movidos com certo medo da opinião pública (o que seria, em tese, bom), ou simplesmente de acordo com sua posição nessa polarização da política: se são oposição, tendem a criticar tudo e, se situação, costumam defender tudo.
Poucos são os políticos que procuram ter uma postura construtiva, independente ou destinada a criar decisões mais discutidas, ou de acordo com a própria consciência.
O maior exemplo disso é a questão do Centro Cultural Banco do Nordeste.
Pelo que me lembro, referido centro seria destinado a funcionar onde hoje existe a Feira do Paraguai. Difícil pensar em melhor lugar: estacionamento de sobra (à noite), central, com acesso às principais artérias da cidade, transporte público frequente, e possibilidade de revitalizar uma região degradada.
Pois bem: a prefeitura, então, coloca o debate da seguinte forma: ou será na Praça Sá Barreto, ou não será em lugar nenhum. Aí o que os vereadores (e bons amigos meus) fazem? Votam com o seguinte raciocínio: “o melhor lugar seria no centro, mas, para não perder o equipamento, vamos aprovar”. Ou seja: não quiserem arriscar um desgaste com a opinião pública.
Na verdade, a administração de uma cidade deveria ser coletiva. Se os vereadores, quando chamados a discutir uma séria questão (ao invés da costumeira trivialidade de mudança de nomes de ruas, indicações do tipo “indicamos enviar o fulano à lua” sem consideração com orçamentos, etc.) preferem não assumir riscos ao invés de promover uma adequada consulta às suas bases, apenas para salvar a pele, isso apenas aponta que o parlamento não tem a devida autonomia ou interesse pelo coletivo – apenas joga para a torcida e pela auto-preservação. A cidade que se dane.
Sempre votei nas administrações de esquerda, e sempre nelas continuarei a votar. Apóio o atual governo, do qual fiz parte, inclusive. Mas essa decisão foi praticamente empurrada goela abaixo, e, infelizmente, nenhum vereador deve a coragem de não ceder à implícita chantagem do “ou aqui ou em lugar nenhum”. Eu prefiro uma Câmara que erre com coragem do que acerte com medo. Medo é bom freio quando se toma uma decisão apenas por um motivo político, em detrimento da população. Mas é péssimo incentivo quando destina-se apenas a decidir para não ficar feio na foto.
Conquista precisa de praças, de lugares abertos. O surgimento da cidade, quase sem planejamento, fez da ocupação desordenada uma regra. Com o surgimento de shopping centers mais afastados, os centros da cidade de varias cidades enfrentam, sempre, estagnação. O de Conquista já começa a estagnar-se, seja por causa do trânsito, seja por causa da migração dos serviços públicos para lugares descentralizados. O que será do centro de Vitória da Conquista daqui a 10 anos, com o Poder Judiciário todo na Estada para a UESB, com Shopping Centers em franca expansão, e com milhares de novos carros postos em circulação?
No entanto, um bom equipamento para trazer cultura ao centro é destinado a uma região quase predominantemente residencial, sem muito estacionamento e com o argumento de que estaria próximo a bairros populares, como se existisse algum lugar em Conquista que não estivesse próximo a bairro populares…
Enfim, não conheço bem as razões para a escolha do local. Vai ver até exista alguma exigência do BNB – eu não me lembro de ter ouvido isso, mas pode ser que seja essa a razão. Mas fico triste pela excelente oportunidade perdida pela cidade. E fico triste de que nossos destinos sejam tratados por vereadores que preferiram se omitir para salvarem suas cabeças ao invés de serem firmes em uma postura mais democrática.
P.S. – Não, não passei para a oposição. Continuo a admirar o governo como sempre o fiz. Mas, da mesma forma que seria estúpido acreditar que todos no governo concordam com tudo o que ali acontece, seria também cínico ou hipócrita achar que não posso criticar algo no governo só porque sou alinhado com ele.
P.S.2 – Sim, eu sei que pessoas que só querem atingir o governo podem usar meus argumentos apenas para prejudicarem um adversário. O problema é dessas pessoas, não meu. Se seu modo de fazer política consiste nesse comportamento mesquinho de que tudo da oposição é bom e tudo do governo é ruim, não preciso eu agir da mesma forma de fingir que tudo que eu mesmo faço e apóio é bom e tudo o que os outros fazem é ruim. Ingênuo? Talvez. Mas é mais honesto e menos cínico.
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Posted by oculos on Nov 9, 2011 in
Política,
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Vitória da Conquista
De longe, acompanhei nessa semana a repercussão de artigo do querido Prof. Paulo Pires, que, em seu texto sempre muito bom de se ler, protesta contra o protesto, ou melhor, contra a manifestação motivada pelos dados divulgados pela revista Veja, que situam Conquista como a pior cidade do Brasil no quesito educação. Para o Prof., pelo que entendi, “Vergonha Nacional” seria um termo pejorativo demais para uma cidade como Conquista.
Meu amigo Gutemberg Macedo, da OAB, pelo que li em outro artigo do Prof. Paulo Pires, teria dado um “puxão de orelha” no Prof. Paulo Pires, e este teria recebido críticas no sentido de que seu artigo acabaria por defender o prefeito.
Eu confesso que não sei como me posicionar. Não acho eu que tenho que me posicionar sobre tudo nessa vida, mas gosto de ter idéias claras.
Gosto da idéia do protesto. Eu prefiro protesto errado, mal direcionado, do que ausência de protesto. Políticos precisam ter medo. Autoridades são bajuladas a todo instante; é preciso sempre mostrar-lhes que devem um trabalho bem-feito à sociedade. Nesses termos, acho que o protesto foi bem-vindo.
Por outro lado, acho que essas coisas acabam sendo factóides. Sinceramente: alguém precisaria da revista Veja para descobrir que a educação pública sempre foi ruim em Conquista, na Bahia e no Brasil? Ou será a Veja agora a única fonte de visão para nós, cegos a respeito da nossa própria realidade?
Alguém acha que a educação de Conquista é de fato a pior do Brasil? Alguém acha que é a melhor? Isso importa?
O que importa, acho eu, é conhecer a realidade da educação e se envolver com ela. É saber quem são os professores que ensinam aos nossos alunos.
Penso que o uso de palavras de ordem como “Vergonha Nacional” deveria ser o que menos importa. Pra mim, não passa de slogan. Não passei a ter vergonha de Conquista por causa dos dados da revista Veja, nem meu orgulho diminuiu. Não foi a Veja quem me disse que a educação em Conquista é ruim – a educação no Brasil é ruim, e migalhas decimais em avaliações de ensino não vão exatamente me fazer crer que essa educação seja a pior, como quer a reportagem, nem que seja excelente, como os textos oficiais querem fazer crer.
Pra mim, esse é o problema: introduzir o elemento paixão na briga política é sempre tentador, mas não sei se constrói. Nem dizer que a cidade é vergonha nacional, nem dizer que ama Conquista – tudo isso, parafraseando um texto conhecido, contribui tanto para resolver o problema quanto “mascar chiclete contribui para resolver uma equação matemática”.
Agora, cabe a pergunta: o que os políticos da cidade – oposição e situação – querem fazer para resolver o problema?
Preocupa-me o fato de que o Brasil, neste ano, alcança a posição de 6ª maior economia do mundo. Parece piada – estamos entrando na porta das nações mais ricas pela porta dos fundos. Mas não há um esforço de desenvolvimento direcionado a melhorar a educação. Há um esforço para fazer as obras da copa em um tempo hábil, isso sim, dá pra se ver…
A realidade da educação é fruto do dilema do Brasil: falta de vontade de ruptura. Sim, ruptura. A mera injeção gradual de recursos, ao que parece, só contribui para manter a educação nos níveis ruins que se encontram. Professores mal remunerados produzirão péssimos resultados. Escolas mal conservadas, idem.
Eu acho urgente uma avaliação contínua dos professores públicos nas áreas em que atuam. Com a qualidade de muitos professores que temos, sem acesso a salário que lhes permitam uma vida digna, como exigir deles que mantenham-se reciclados, atualizados, empenhados e motivados? E, com professores assim, o que esperam? Que alunos tenham acesso a ensino de qualidade?
Sinceramente, não são números da revista Veja – esse lixo de jornalismo – que irão me fazer descobrir que nenhum professor que ganha salário mínimo – ou dois, ou três – poderá desempenhar bem sua profissão. Não são os números daquela revista de gente reacionária e vendida que irão me dizer que escolas projetadas sem levar em conta a utilidade dos prédios para a tarefa de educar estarão fadadas a se transformar em depósitos de alunos.
Um dado interessante, que talvez ajude a entender um pouco a coisa toda: o Brasil é um país com baixo grau de individualismo, de acordo com o site Geert Hofsteder Cultural Dimensions. Esse site faz uma análise de dimensões culturais. No Brasil, para o bem e para o mal, nossa sociedade não é muito individualista. Nós somos um país extremamente generoso. Por outro lado, esperamos que a coletividade nos dê o que precisamos, esquecendo-nos que temos que construir essa coletividade. Eis os gráficos – Brasil e Noruega:
Ou seja: não parece que cabe a nós, cidadãos, resolver o problema da educação. Não conhecemos as salas de aula onde nossos filhos estudam. Alguém já foi ajudar a limpar a escola? Alguém já coordenou algum mutirão de reforma? Alguém já organizou doações de material para a escola de sua comunidade?
Não – essas funções são sempre de outras pessoas. A culpa é do Prefeito, a culpa é do dono da escola particular, a culpa é dos professores… Enquanto não começarmos a nos envolver com os serviços públicos, ficaremos sempre sujeitos à realidade que não conhecemos – a dos baixos orçamentos públicos, que, segundo os políticos, impedem avanços significativos. Nunca conheceremos a real dimensão dos numeros – quer dos de Veja, quer das cifras orçamentárias. Com isso, vamos conduzidos como gado por slogans como “Vergonha Nacional” ou “Ame Conquista”. O problema, diremos, não é nosso – é do prefeito.
Não quero eximir a Administração Pública quanto a isso – acho que política, infelizmente, não segue a ciência da administração (ou Teoria da Administração). Segue uma lógica de poder que nem sempre coincide com as melhores escolhas. Mas acho que poderíamos ter o melhor prefeito do mundo, e a situação não seria nunca a ideal, pois o ideal sempre passará por um governo onde a sociedade, de fato, conheça a administração e com ela se confunda.
Voltando ao protesto – o ruim dessas coisas é que tudo acaba se politizando (no sentido ruim da palavra) – quem protesta pela qualidade da educação acaba sendo de oposição, e quem reclama do protesto acaba sendo de situação. Mas a educação, mesmo, com ela parece que ninguém se preocupa. Tudo, no fundo, acaba sendo reduzido à responsabilidade do prefeito (como se a comunidade nada tenha a ver com isso), ou ao desamor à cidade, ou à confiabilidade dos dados. Pergunto eu, que gosto de perguntar coisas: se os dados dissessem que estamos entre as 10 melhores cidades em educação pública, alguém aí estaria satisfeito, ou amaria Conquista por causa disso?
E o assunto voltará a dormir até que algum outro dado estatístico venha a dar um novo “barato” a quem precisa dele para fazer a sua “viagem”…
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Tags: Paulo Pires, Veja, Vitória da Conquista, educação, revista Veja
Posted by oculos on Nov 7, 2011 in
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Uma coisa é realmente interessante em relação ao Brasil: sempre que imigrantes decidem tentar a vida no nosso País, não é porque estamos em situação fantástica, mas é que, de onde vêm, as coisas estão piores.
Quando os italianos, alemães e japoneses iniciaram a migração, o Brasil não era nenhuma coca-cola. Talvez isso explique o fato de que não há no ranço do brasileiro o preconceito selvagem contra estrangeiros – éramos todos miseráveis. Claro, preconceito existiu quando da imigração, mas não foi algo que deixou marcas no Brasileiro – pelo contrário, dificilmente outro povo tem atitude tão amistosa em relação a imigrantes.
Agora, surpreendeu-me essa notícia: o número de estrangeiros no Brasil está quase que se equiparando ao número de brasileiros no exterior! E, ao que parece, mesmo a quantidade de brasileiros em Portugal parece – alguém me tire a dúvida – menor do que a de Portugueses no Brasil! E olha que continuamos no mesmo terceiro mundo de sempre…
Gosto disso. Ouço muito aqui o quanto as pessoas admiram o Brasil e os brasileiros por serem mais tranquilos quanto à questão da convivência com pessoas de outros países (é que preferimos matar-nos uns aos outros, respondo eu). Mas, como a imigração no Brasil era coisa do passado, sempre me perguntava se seríamos mesquinhos e xenófobos caso estivéssemos em melhor situação. Quero crer que não, muito embora de vez em quando escutamos algo vergonhoso a respeito de exploração de bolivianos em São Paulo.
P.S. – A questão parece ser realmente uma tendência atual – até o jornal norueguês Aftenposten dedicou uma matéria na edição de ontem, falando dos países europeus – espeficiamente Grécia, Itália, Espanha e Portugal – cujos jovens estão decidindo pela imigração: no passado, eram famílias de imigrantes buscando trabalho braçal, e hoje são pessoas altamente qualificadas.
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Tags: Aftenposten, Brasil, imigração
Posted by oculos on Nov 6, 2011 in
Filmes,
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Filme fantástico, mesmo. Vale a pena ser visto.
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Posted by oculos on Nov 4, 2011 in
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Quanto mais se vive, mais se aprende. Embora uma das frases que mais gosto é “O tempo não cria sábios, cria velhos”, devo admitir que ninguém fica mais burro com o tempo. Acho que ficamos, sim, mais pragmáticos, o que nem sempre é uma coisa boa.
Lembro-me que, quando adolescente, costumava me sentir triste quando amigos que eu prezava muito iam embora e, invariavelmente, não mandavam mais notícias. Sempre procurava manter contato com todo mundo, porque, de certa forma, sempre agi como amigos, família, fossem raizes que merecessem o eterno cultivo.
Não é que eu tenha mudado de idéia ao longo do tempo. Pelo contrário: a distância apenas acentua o quão essas raízes são importantes. Mas não quero mais culpar os outros por não manterem contato, porque não quero negar a ninguém a escolha do que fazer da vida, principalmente porque a idade também nos mostra que o tempo é muito curto.
Não gosto quando as pessoas passam por nossas vidas como se fôssemos apenas pequenos enfeites que adornaram suas passagens, mas que destinam-se apenas ao momento vivido. Mas, por outro lado, agora compreendo que, para algumas pessoas, é importante, quase desesperador, espremer cada gota de novidade da vida, cada nova sensação, cada nova descoberta, cada nova amizade.
No fundo, no fundo, hoje percebo que quero cultivar minhas raízes principalmente porque tenho a impressão de que custa muito criar novas. Custa muito viver a busca intensa pelo novo. Quem realmente importa, fica. Quem realmente importa, chega mesmo a definir quem somos, ao ponto de se misturarem com o que queremos para nós.
E, tenho a sensação de que, no fundo, a vida vence a todos nós, por mais que tentamos dela espremer uma limonada inteira: temos direito apenas, sempre, à metade do copo.
Ou, como diríamos eu e Srta. T.L.: “A vida não é nada mais que isso que tá aí não…”
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