Eu não quero aqui discutir o mérito da questão da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista (para os d’além-mar, essa foi uma discussão forte no Brasil nos últimos anos, que culminou com a decisão da inexigibilidade da graduação para o exercício da nobre profissão).
A questão é que o jornalismo graduado conhece (ou deveria conhecer) algumas normas básicas e deontológicas referentes à sua profissão. O leigo, não. E como ninguém pode alegar desconhecimento da lei para não cumprí-la, os que se aventuram no mar de oportunidades que a internet proporciona para fruição do legítimo direito de liberdade de expressão acabam por, às vezes inadvertidamente, praticar deslizes éticos e legais. Refiro-me, principalmente, à publicação do conteúdo alheio.
Em Vitória da Conquista temos, como em todo lugar, muitos blogs. Exceto alguns poucos que, por sinal, são geridos por jornalistas de carreira, a grande maioria vive de reproduzir conteúdo alheio, muitas vezes sequer sem citar a fonte. Há blogs, inclusive, cujo conteúdo quase exclusivo é composto de vídeos jornalísticos da emissora de TV local.
Alguns agem de completa boa-fé: um amigo-irmão meu, por exemplo, dia desses me perguntou: “ué, mas se você publicou, não se tornou público?”. A confusão é comum: público x de domínio público. Ao redigir um texto, o autor é o seu dono. Publicá-lo não lhe retira a condição de propriedade do direito autoral. A reprodução por terceiros é, assim, violação indiscutível do direito autoral, o que sujeita o infrator às sanções criminais e civis.
O que é pior, ainda, e intolerável, é a reprodução feita ipsis literis sem que sequer a fonte seja citada. Temos, assim, numerosos blogs, mas poucos, de fato, produzem conteúdo.
Infelizmente nenhum grupo econômico em Conquista atentou para o fato de que há uma verdadeira carência de um site de notícias com informações locais. Há boas idéias e boas intenções que, talvez por falta de financiamento, não cumprem a tarefa. E, assim, com a morte dos jornais de papel, qual será o veículo que informará a sociedade? Blogs reprodutores de notícias esparsas? Blogs tão contaminados por interesses partidários que, se espremer, sai voto? Blogs com gente inteligente, mas sem anunciantes, o que impossibilita a oferta de trabalho digno a nossos jornalistas?
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Tags: Vitória da Conquista, blogs, internet, jornalismo
Posted by oculos on May 18, 2010 in
Política,
Principal
Quando José Serra ultrapassou Dilma Rousseff nas pesquisas, o assunto esteve na primeira página do UOL. Foi tema de reportagens. Lá ficou por longos dias. disso me recordo, pois o fato não foi há tanto tempo assim.
Pois bem: na sexta ou no sábado, o instituto Datafolha divulgou pesquisa em que Dilma voltou a passar Serra nas pesquisas. O assunto ficou por algumas horas na seção principal do UOL, para depois ir para o fundo da página. Depois, nova divulgação de pesquisa CNT/Sensus, com Dilma à frente, teve a manchete dizendo que “Dilma e Serra estão em empate técnico”, para logo depois, também, ir para o fim da página.
Pra mim está absolutamente claro quem é o preferido do Grupo Folha.
Como também continua a me espantar receber e-mails de meio mundo de gente dizendo que a Dilma participou do atentado que matou um sargento (argumento hipócrita, já que estávamos em uma ditadura, e mentiroso, já que o nome dela não consta da lista dos que participaram da ação). Ou que a Dilma é isso, ou aquilo.
Sempre achei que o jogo sujo, dos e-mails e hoaxes, é orquestrado cuidadosamente para difamar candidatos de esquerda. Digo isso porque nunca recebi um único e-mail sequer falando, por exemplo, de filho extra-conjugal de um ex-presidente. Já a da filha do Lula, até em horário gratuito saiu. Enfim, é a versão moderna das famosas cartas anônimas, colocadas por baixo das portas em décadas passadas, cujo único objetivo era o de divulgar boatos e difamar a honra alheia (ou mesmo espalhar um acontecimento legítimo, sob o manto do anonimato).
Mas o certo é que, 8 anos depois, o Brasil não quebrou, como disseram que ia quebrar. Não faliu, como disseram. E não nos sovietizamos nem um pouco. Claro, como todo brasileiro, sinto que a política ficou mais homogênea. O PT, infelizmente, cometeu deslizes. Passou a ser vidraça. Nosso país não deixou a corrupção para trás, ao contrário do que imaginávamos. Quem diria: dizia-se que o governo do PSDB era corrupto, mas sabia administrar. E eu dizia que não se vendem princípios. Os anos passam, e a gente aprende e se surpreende: o PT administrou muito melhor que o PSDB, mas assimilou algumas práticas por pragmatismo puro.
Acho eu que nunca tivemos uma auto estima tão elevada. O Brasil volta a ser o país do futuro. Mas a verdade é que continuamos tão bárbaros quanto antes. Nosso jogo político ainda é do nível das cartas anônimas da década de 60/70, e da imprensa de direita-tipo-Globo-do-debate-CollorxLula.
E vou concluir, antes que comece a falar da hipocrisia e cinismo do Geddel falar mal de Wagner, em cujo governo estava até alguns poucos meses atrás, sob forma de cargos, sem que tenha a decência de assumir a responsabilidade pelos erros do governo. Ou pela hipocrisia e cinismo de dizer que não houve transferência de recursos do Governo Federal para a Bahia sob o governo de Wagner, quando ele mesmo, Geddel, foi acusado de ter usado recursos destinados a situações de emergência em valores astronômicos para a mesma Bahia. Ou das conversas de alianças Wagner-César Borges-Geddel, como se programa de governo fosse o que menos importasse – vão se xingar em um teatro para platéia no horário eleitoral gratuito.
O certo é que política é que nem viver em um mundo virtual, como Matrix: lá, como cá, há apenas uma aparência destinada a chamar a nossa atenção quando, de fato, somos apenas um instrumento para a busca do poder deles, uns com melhores intenções que os outros, mas sempre desejosos de poder. E nos convencem direitinho, os danados… Somos como torcedores de times de futebol, cegos pelas cores das bandeiras, sem perceber que, lá no gramado, são 11 jogadores de um lado, em nada diferentes dos outros 11 do outro lado, a não ser pelas cores que seus uniformes ostentam. E nós, como malta ensandecida, optamos por um desses times, ou partidos políticos, que hoje digladiam-se, amanhã amam-se, mas que todos os dias nos fazem de idiotas.
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Tags: Dilma Rousseff, Mídia, PT, Política, Sucessão Presidencial, josé Serra
Posted by oculos on May 7, 2010 in
Direito,
Política,
Principal
Enfim, tudo o que eu queria dizer sobre o assunto, já tendo escrito aqui algumas vezes sobre o tema, mas sem a genialidade do articulista. Sobre a incoerência da lei eleitoral no que se refere a propaganda.
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Posted by oculos on May 6, 2010 in
Política,
Principal
Tá, eu confesso: não é todo dia que assisto ao Bom Dia Brasil. Mas nunca vi a Miriam Leitão elogiar nada feito pelo Governo Lula, e nunca vi ela criticar algo feito pelo Governo FHC.
Mas hoje ela foi com tanta ânsia ao pote que me deixou chocado: disse que a reativação da Telebrás para oferta de banda larga foi a pior solução possível. Pior: que, para popularizar a internet, deveriam usar recursos do FUST.
Achei a coisa, além de demonstrar uma má intenção da comentarista, uma prova de que ela não conhece o assunto nem o programa que criticou.
Quando li a proposta do governo, vi que faz sentido total: a Telebrás não deverá ofertar a última milha, isto é, não irá virar um provedor, salvo em situações excepcionais. Qual é a idéia? Prover fácil acesso ao backbone, ou seja, à rede de fibra ótica possuída pela ex-estatal. O objetivo é baratear os custos de conexão, e se utilizar de provedores privados, empresas, associações, etc., para prover a última milha.
A idéia é excelente. O problema da internet no Brasil não é totalmente estrutural. Sabe-se que há uma rede de fibras ociosa. Não obstante, o custo dos links de acesso é extorsivo. São controlados pelas grandes operadoras, que são, igualmente, fornecedoras de última milha! Controlam, assim, quase todo o circuito que vai da casa do usuário à conexão aos backbones internacionais. Inviabilizaram, com o alto custo dos links, os investimentos privados dos pequenos provedores, cobrando preços astronômicos por links que, em razão da capacidade ociosa das fibras, deveriam ser baixos.
Essa teoria se prova pelo simples fato de que é a ganância das operadoras que constitui o maior entrave à popularização da internet. Quando se observa que os preços são tão diferentes aqui em Conquista dos de Salvador, percebe-se que o que dita o valor cobrado é a competição. O preço de 10mbps em Salvador é menor do que o de 1mbps em Conquista. Os preços eram iguais, até a chegada da competição à capital. Mesma coisa no Rio, em BH e em outras cidades. Embora eu compreenda que os impostos são excessivos, como disse a Miriam Leitão, isso não explica a grande distorção entre mercados tão próximos.
Com custos baixos de link, é possível que projetos comunitários de acesso à internet sejam viáveis. Pequenas comunidades usando wifi, wimax, etc., poderão florescer. Acho que pode ser que a internet se torne, finalmente, algo bastante acessível a todos.
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