Posted by oculos on Dec 29, 2011 in
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Vitória da Conquista
Vejo em um blog da cidade uma notícia que me causa espanto, indignação e raiva. Não sei porque, já deveria eu estar acostumado…
Pois bem: o Secretário de Planejamento do Governo da Bahia, sr. Zezéu Ribeiro, diz que “Ainda não[sabe]” quando vão iniciar as obras do aeroporto de Vitória da Conquista.
O comentário ilustra algumas coisas importantes:
1 – Como é que um secretário de planejamento tem a coragem de ir a Vitória da Conquista e dar uma resposta idiota dessas, por mais honesta que seja?
2 – Como é que um secretário de planejameto não tem idéia a respeito do início da obra mais esperada, desejada e adiada de toda uma região?
3 – Como é que um secretário de planejamento é incapaz de gerenciar com cuidado algo que é tão caro a uma cidade que, por sinal, tem dado voto de confiança às administrações do PT?
E não se diga que, por ser arquiteto, o Sr. Zezéu Ribeiro não teria formação profissional apta a gerenciar a Secretaria de Planejamento, talvez pasta mais apropriada a economistas, ou sei lá o que. Primeiro, porque uma das maiores gestoras que conheci é, justamente, arquiteta. Segundo, se essa profissão fosse inadequada, que não se colocasse alguém sem qualificação para gerenciar pasta tão importante.
Mas isso dá mostras de uma incompetência dos nossos políticos que é algo que, em outros lugares, já os teria enforcado: como é que anunciam uma obra, por reiteradas vezes, para depois virem a público para dizer que “vão ter que captar mais recursos para a obra?”. Será que políticos são incapazes, de uma incapacidade inata (perdão pela redundância), de gerenciar alguma coisa? De falarem algo limpo? De prometerem algo que realmente desejam cumprir?
É por essas e outras que o Brasil é essa coisa confusa: a China constrói um aeroporto em tempo recorde, uma ferrovia no estalar de dedos. Mas, no Brasil, administrar é algo que os políticos fazem muito a contragosto. É um encargo que têm que suportar enquanto fazem política. E, se o Sr. Zezéu Ribeiro vai a Vitória da Conquista e não sabe a resposta para uma pergunta como essa, deveria ter ficado em Salvador fazendo o que quer que faz por lá. Assim, pouparia o dinheiro dos contribuintes. Não fosse o Brasil um país democrático (e democracia, infelizmente, acaba permitindo a cara de pau irrestrita – coisa que também é comum em ditaduras, diga-se), um cidadão desses seria proibido de pisar em Conquista até que tivesse algo a dizer, ou melhor, contas a prestar.
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Tags: Zezéu Ribeiro, aeroporto
Posted by oculos on Dec 21, 2011 in
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A notícia mais WTF do dia: em razão da crise que afeta Portugal, o Primeiro-Ministro daquele país sugere que seus professores emigrem para o Brasil, ou para outros países de língua portuguesa.
Não obstante poderia eu aqui refletir sobre as raízes dessa sugestão sob diferentes prismas, do tipo “terá o Brasil ficado atraente demais, ou estará Portugal tão ruim assim?”, ou da espécie “e agora, será que a imigração portuguesa vai continuar a barrar brasileiros? será que nossa imigração vai começar a ser xenófoba?”. Mas não vou por aí, embora seja tentador.
Acho, no entanto, que, a despeito do notável crescimento do Brasil e da distribuição de renda ter aumentado, o que o Brasil fez não foi virar primeiro mundo. Não somos essa “coca-cola” toda não. Continuamos ainda a anos-luz disso. O que o Brasil fez foi, tão-somente, mas de imensa importância, reduzir drasticamente a pobreza e introduzir milhões na cadeia de consumo.
Portanto, embora adoraria que emigrantes fossem ao Brasil, para tornar o nosso país um tanto mais cosmopolita e não tão fechado em si mesmo (muito embora seja um país tão rico e diverso que ser cosmopolita acabou não fazendo tanta falta), acho que, por um dever humanitário, alguém deveria avistar à Sua Excelência quanto ganham os professores no Brasil, principalmente quando o nobre político falou em deficiências no ensino básico em terras brazucas, justamente onde se ganha menos…
P.S. Há algo realmente digno de reflexão aqui: nos piores anos do Brasil, nunca se incentivou a imigração, como forma de promover melhores chances para os cidadãos. Mesmo nos anos da ditadura, o slogan “Ame-o ou deixe-o” era de conotação política, não social. E, pelo contrário, logo que o Brasil ensaiou melhorar, não lembro se no governo de FHC ou no de Lula, houve certa campanha para que os brasileiros retornassem! Acho que isso se deu por conta de que aqui, políticos gostam de fazer cara de paisagem em todos os momentos – a coisa pode estar pegando fogo, mas nenhum político admite a tragédia…
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Tags: Portugal, imigração, portugueses
Posted by oculos on Nov 17, 2011 in
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Vitória da Conquista
Descobri, finalmente, a razão de nossas mazelas: A sensibilidade exacerbada.
Ora, vejamos:
Uma ministra do STJ diz que existem “bandidos de toga”, e só faltou ser crucificada. Um deputado falou que 30% dos seus pares não se salvam. Jornalista em Conquista, participando de movimento, critica entidade de classe e recebe críticas de referida entidade.
Por trás das respostas às críticas acima, sempre o mesmo argumento: “generalização”.
É, como já disse aqui antes, infantilizar o debate, tentando esvaziá-lo com argumentos meramente formais. Ou seja: ao invés de discutir a essência da crítica, tenta-se desqualificá-la sob o argumento de generalização. É como se, de repente, dizer que “ganha-se muito mal no Brasil” seria uma mentira apenas porque algumas pessoas ganham bem.
No caso do Caíque, a situação é ainda mais surreal, porque a ADUSB, entidade que o critica, não costuma usar de linguagem lá muito franciscana quando revolta-se (sempre com razão) contra o poder incubente. Aliás, nunca vi movimento algum de protesto usar palavras de ordem do tipo “Governador (ou prefeito) mauzinho!!! Assim não vem mais!!!”. Para quem já viu até enterro simbólico de prefeito, eu acho que “masturbação mental”, uma das expressões que o Caíque teria usado, é até pudico.
Pior: a ADUSB, ao falar em patrulhamento, não só patrulha, como ainda ameaça de forma velada, lembrando do vínculo profissional do Caíque. É vergonhoso, porque espera-se de uma entidade formada por professores o estímulo ao pensamento plural, à crítica, à indignação. Talvez até incentivem isso, mas não contra eles próprios. Crítica sempre é bom quando é contra os outros.
Em um país tão acomodado como o nosso, a provocação para que a academia participe de um debate construtivo é bem-vinda. Pode até ser que a boa parte dos professores tenha algum engajamento em uma mudança social, ou mesmo o contrário. O que importa, no caso, não é a verdade ou inverdade da afirmação. O que me parece grave, aqui, é essa sensibilidade de freira carmelita (com todo respeito às religiosas), justamente quando se sabe que, em protesto contra o sistema, não se pode esperar suavidade.
Eu, se estivesse em Conquista, pode ser até que não teria participado da manifestação. Estaria, é bem possível, enchendo a “pança de batata frita”. Mas, se assim estivesse, me sentiria envergonhado por, em um país tão injusto, não estar protestando.
Aliás, professores devem entender que são, mais do que ninguém, exemplos. Portanto, devem acostumar a ser vidraça também. E, se injustas as críticas, que contestem-nas. Agora, protestar contra o ato de criticar, chegando ao absurdo de dizer que seu exercício beirou a injúria é, mais do que desconhecimento jurídico, intolerância.
E, sinceramente, tenho medo de professores falando que tal manifestação seria um “germe da desagregação”. Muito fascistóide pro meu gosto. Como assim desagregação, cara pálida? Devemos agregar-nos? Com quem? Com a ADUSB? A ADUSB, por acaso, defende o pensamento único, em torno do qual devemos nos agregar?
Acho que a crítica do Caíque não usou de palavras que eu, cheio de não-me-toques que sou, não usaria. Mas acho que esconde, no fundo, uma decepção: se em protestos desse tipo professores não se fazem presentes, acaba por retirar-lhes um pouco de contundência. Porque são eles quem nos ensinaram a indignação. É como se, de repente, tivéssemos sido traídos.
Confesso que, ao receber os primeiros releases sobre o “Nas Ruas”, fiquei preocupado. Nossos professores sempre nos ensinaram a ter medo de movimentos que se dizem apartidários. E estavam certos – vide o “CANSEI”. O problema é que as esquerdas, no poder, provaram que corrupção não tem ideologia. Antes de defender o capitalismo, o socialismo, ou outro ismo, o que estamos pedindo é tão-somente decência com a coisa pública. Sim, eu continuo achando que o capitalismo é, em essência, corrupto. Por isso, acabo sendo de esquerda. Mas há algo legítimo em um pouco de pragmatismo quando se pede, simplesmente, decência. O “Cansei” era dissimulação de burgueses para desestabilizar um governo. Já os Nas Ruas me parece, simplesmente, um legítimo movimento social em uma hora em que a demissão de ministros por corrupção está se tornando algo corriqueiro.
E sim, nossa omissão até hoje deixou que a corrupção se alastrasse.
Não vi nenhuma intolerância em relação às diferenças, conforme afirmou a ADUSB. A crítica do Caíque, dando o desconto para as palavras de ordem e retórica de protesto, resume-se no sentido de falta de envolvimento da Academia nos protestos. Concorde-se ou não com essa falta de envolvimento, parece ser razoável tal crítica. Pode até não agradar, mas, no academicismo de alguns, há pouco ativismo, exceto nas catarses das greves.
E acrescento: infelizmente, não só os professores foram omissos. Fomos, também, nós, advogados. Servidores públicos. Médicos.
Falta de motivos para protestar não é o caso. Falta-nos, na verdade, coragem.
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Tags: ADUSB, Caíque, Nas Ruas, UESB
Posted by oculos on Nov 14, 2011 in
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Notícia interessante no jornal:
Um parlamentar quer mudar a constituição daqui para que seja proibido indicar como Secretário de governo alguém que seja representante no parlamento. A idéia é que é a população, e não o governo, quem deve escolher os membros do parlamento.
Interessante, não?
Lembra-me desses ajustes que no Brasil são comuns de indicar deputados, senadores, vereadores, etc., para ocuparem cargos, a fim de que outros que não conseguiram votos suficientes integrem o parlamento.
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Posted by oculos on Nov 12, 2011 in
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Vitória da Conquista
Dizem que Conquista é uma cidade politizada. Não acho. Conquista é uma cidade onde a frivolidade é centrada na política, como se esta fosse apenas a Sessão da Tarde, ou a revista Contigo. Enfim, é um passatempo. Aliás, não é diferente no interior da Bahia – a polaridade na política é onipresente na maioria das cidades, com as famílias devidamente alinhadas a um ou a outro grupo político.
Isso, penso eu, é extremamente alienante. Pessoas bem-intencionadas acabam apoiando causas ruins em nome do grupo político que integram, apenas para evitar o fogo-amigo. Do mesmo modo, criticam projetos adversários apenas por serem defendidos por estes.
O pior é quando políticos agem a reboque dessa forma simplista de agir com a coisa pública. Vereadores ou jogam movidos com certo medo da opinião pública (o que seria, em tese, bom), ou simplesmente de acordo com sua posição nessa polarização da política: se são oposição, tendem a criticar tudo e, se situação, costumam defender tudo.
Poucos são os políticos que procuram ter uma postura construtiva, independente ou destinada a criar decisões mais discutidas, ou de acordo com a própria consciência.
O maior exemplo disso é a questão do Centro Cultural Banco do Nordeste.
Pelo que me lembro, referido centro seria destinado a funcionar onde hoje existe a Feira do Paraguai. Difícil pensar em melhor lugar: estacionamento de sobra (à noite), central, com acesso às principais artérias da cidade, transporte público frequente, e possibilidade de revitalizar uma região degradada.
Pois bem: a prefeitura, então, coloca o debate da seguinte forma: ou será na Praça Sá Barreto, ou não será em lugar nenhum. Aí o que os vereadores (e bons amigos meus) fazem? Votam com o seguinte raciocínio: “o melhor lugar seria no centro, mas, para não perder o equipamento, vamos aprovar”. Ou seja: não quiserem arriscar um desgaste com a opinião pública.
Na verdade, a administração de uma cidade deveria ser coletiva. Se os vereadores, quando chamados a discutir uma séria questão (ao invés da costumeira trivialidade de mudança de nomes de ruas, indicações do tipo “indicamos enviar o fulano à lua” sem consideração com orçamentos, etc.) preferem não assumir riscos ao invés de promover uma adequada consulta às suas bases, apenas para salvar a pele, isso apenas aponta que o parlamento não tem a devida autonomia ou interesse pelo coletivo – apenas joga para a torcida e pela auto-preservação. A cidade que se dane.
Sempre votei nas administrações de esquerda, e sempre nelas continuarei a votar. Apóio o atual governo, do qual fiz parte, inclusive. Mas essa decisão foi praticamente empurrada goela abaixo, e, infelizmente, nenhum vereador deve a coragem de não ceder à implícita chantagem do “ou aqui ou em lugar nenhum”. Eu prefiro uma Câmara que erre com coragem do que acerte com medo. Medo é bom freio quando se toma uma decisão apenas por um motivo político, em detrimento da população. Mas é péssimo incentivo quando destina-se apenas a decidir para não ficar feio na foto.
Conquista precisa de praças, de lugares abertos. O surgimento da cidade, quase sem planejamento, fez da ocupação desordenada uma regra. Com o surgimento de shopping centers mais afastados, os centros da cidade de varias cidades enfrentam, sempre, estagnação. O de Conquista já começa a estagnar-se, seja por causa do trânsito, seja por causa da migração dos serviços públicos para lugares descentralizados. O que será do centro de Vitória da Conquista daqui a 10 anos, com o Poder Judiciário todo na Estada para a UESB, com Shopping Centers em franca expansão, e com milhares de novos carros postos em circulação?
No entanto, um bom equipamento para trazer cultura ao centro é destinado a uma região quase predominantemente residencial, sem muito estacionamento e com o argumento de que estaria próximo a bairros populares, como se existisse algum lugar em Conquista que não estivesse próximo a bairro populares…
Enfim, não conheço bem as razões para a escolha do local. Vai ver até exista alguma exigência do BNB – eu não me lembro de ter ouvido isso, mas pode ser que seja essa a razão. Mas fico triste pela excelente oportunidade perdida pela cidade. E fico triste de que nossos destinos sejam tratados por vereadores que preferiram se omitir para salvarem suas cabeças ao invés de serem firmes em uma postura mais democrática.
P.S. – Não, não passei para a oposição. Continuo a admirar o governo como sempre o fiz. Mas, da mesma forma que seria estúpido acreditar que todos no governo concordam com tudo o que ali acontece, seria também cínico ou hipócrita achar que não posso criticar algo no governo só porque sou alinhado com ele.
P.S.2 – Sim, eu sei que pessoas que só querem atingir o governo podem usar meus argumentos apenas para prejudicarem um adversário. O problema é dessas pessoas, não meu. Se seu modo de fazer política consiste nesse comportamento mesquinho de que tudo da oposição é bom e tudo do governo é ruim, não preciso eu agir da mesma forma de fingir que tudo que eu mesmo faço e apóio é bom e tudo o que os outros fazem é ruim. Ingênuo? Talvez. Mas é mais honesto e menos cínico.
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Tags: Centro Cultural do BNB, Vitória da Conquista, vereadores
Posted by oculos on Nov 9, 2011 in
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Vitória da Conquista
De longe, acompanhei nessa semana a repercussão de artigo do querido Prof. Paulo Pires, que, em seu texto sempre muito bom de se ler, protesta contra o protesto, ou melhor, contra a manifestação motivada pelos dados divulgados pela revista Veja, que situam Conquista como a pior cidade do Brasil no quesito educação. Para o Prof., pelo que entendi, “Vergonha Nacional” seria um termo pejorativo demais para uma cidade como Conquista.
Meu amigo Gutemberg Macedo, da OAB, pelo que li em outro artigo do Prof. Paulo Pires, teria dado um “puxão de orelha” no Prof. Paulo Pires, e este teria recebido críticas no sentido de que seu artigo acabaria por defender o prefeito.
Eu confesso que não sei como me posicionar. Não acho eu que tenho que me posicionar sobre tudo nessa vida, mas gosto de ter idéias claras.
Gosto da idéia do protesto. Eu prefiro protesto errado, mal direcionado, do que ausência de protesto. Políticos precisam ter medo. Autoridades são bajuladas a todo instante; é preciso sempre mostrar-lhes que devem um trabalho bem-feito à sociedade. Nesses termos, acho que o protesto foi bem-vindo.
Por outro lado, acho que essas coisas acabam sendo factóides. Sinceramente: alguém precisaria da revista Veja para descobrir que a educação pública sempre foi ruim em Conquista, na Bahia e no Brasil? Ou será a Veja agora a única fonte de visão para nós, cegos a respeito da nossa própria realidade?
Alguém acha que a educação de Conquista é de fato a pior do Brasil? Alguém acha que é a melhor? Isso importa?
O que importa, acho eu, é conhecer a realidade da educação e se envolver com ela. É saber quem são os professores que ensinam aos nossos alunos.
Penso que o uso de palavras de ordem como “Vergonha Nacional” deveria ser o que menos importa. Pra mim, não passa de slogan. Não passei a ter vergonha de Conquista por causa dos dados da revista Veja, nem meu orgulho diminuiu. Não foi a Veja quem me disse que a educação em Conquista é ruim – a educação no Brasil é ruim, e migalhas decimais em avaliações de ensino não vão exatamente me fazer crer que essa educação seja a pior, como quer a reportagem, nem que seja excelente, como os textos oficiais querem fazer crer.
Pra mim, esse é o problema: introduzir o elemento paixão na briga política é sempre tentador, mas não sei se constrói. Nem dizer que a cidade é vergonha nacional, nem dizer que ama Conquista – tudo isso, parafraseando um texto conhecido, contribui tanto para resolver o problema quanto “mascar chiclete contribui para resolver uma equação matemática”.
Agora, cabe a pergunta: o que os políticos da cidade – oposição e situação – querem fazer para resolver o problema?
Preocupa-me o fato de que o Brasil, neste ano, alcança a posição de 6ª maior economia do mundo. Parece piada – estamos entrando na porta das nações mais ricas pela porta dos fundos. Mas não há um esforço de desenvolvimento direcionado a melhorar a educação. Há um esforço para fazer as obras da copa em um tempo hábil, isso sim, dá pra se ver…
A realidade da educação é fruto do dilema do Brasil: falta de vontade de ruptura. Sim, ruptura. A mera injeção gradual de recursos, ao que parece, só contribui para manter a educação nos níveis ruins que se encontram. Professores mal remunerados produzirão péssimos resultados. Escolas mal conservadas, idem.
Eu acho urgente uma avaliação contínua dos professores públicos nas áreas em que atuam. Com a qualidade de muitos professores que temos, sem acesso a salário que lhes permitam uma vida digna, como exigir deles que mantenham-se reciclados, atualizados, empenhados e motivados? E, com professores assim, o que esperam? Que alunos tenham acesso a ensino de qualidade?
Sinceramente, não são números da revista Veja – esse lixo de jornalismo – que irão me fazer descobrir que nenhum professor que ganha salário mínimo – ou dois, ou três – poderá desempenhar bem sua profissão. Não são os números daquela revista de gente reacionária e vendida que irão me dizer que escolas projetadas sem levar em conta a utilidade dos prédios para a tarefa de educar estarão fadadas a se transformar em depósitos de alunos.
Um dado interessante, que talvez ajude a entender um pouco a coisa toda: o Brasil é um país com baixo grau de individualismo, de acordo com o site Geert Hofsteder Cultural Dimensions. Esse site faz uma análise de dimensões culturais. No Brasil, para o bem e para o mal, nossa sociedade não é muito individualista. Nós somos um país extremamente generoso. Por outro lado, esperamos que a coletividade nos dê o que precisamos, esquecendo-nos que temos que construir essa coletividade. Eis os gráficos – Brasil e Noruega:
Ou seja: não parece que cabe a nós, cidadãos, resolver o problema da educação. Não conhecemos as salas de aula onde nossos filhos estudam. Alguém já foi ajudar a limpar a escola? Alguém já coordenou algum mutirão de reforma? Alguém já organizou doações de material para a escola de sua comunidade?
Não – essas funções são sempre de outras pessoas. A culpa é do Prefeito, a culpa é do dono da escola particular, a culpa é dos professores… Enquanto não começarmos a nos envolver com os serviços públicos, ficaremos sempre sujeitos à realidade que não conhecemos – a dos baixos orçamentos públicos, que, segundo os políticos, impedem avanços significativos. Nunca conheceremos a real dimensão dos numeros – quer dos de Veja, quer das cifras orçamentárias. Com isso, vamos conduzidos como gado por slogans como “Vergonha Nacional” ou “Ame Conquista”. O problema, diremos, não é nosso – é do prefeito.
Não quero eximir a Administração Pública quanto a isso – acho que política, infelizmente, não segue a ciência da administração (ou Teoria da Administração). Segue uma lógica de poder que nem sempre coincide com as melhores escolhas. Mas acho que poderíamos ter o melhor prefeito do mundo, e a situação não seria nunca a ideal, pois o ideal sempre passará por um governo onde a sociedade, de fato, conheça a administração e com ela se confunda.
Voltando ao protesto – o ruim dessas coisas é que tudo acaba se politizando (no sentido ruim da palavra) – quem protesta pela qualidade da educação acaba sendo de oposição, e quem reclama do protesto acaba sendo de situação. Mas a educação, mesmo, com ela parece que ninguém se preocupa. Tudo, no fundo, acaba sendo reduzido à responsabilidade do prefeito (como se a comunidade nada tenha a ver com isso), ou ao desamor à cidade, ou à confiabilidade dos dados. Pergunto eu, que gosto de perguntar coisas: se os dados dissessem que estamos entre as 10 melhores cidades em educação pública, alguém aí estaria satisfeito, ou amaria Conquista por causa disso?
E o assunto voltará a dormir até que algum outro dado estatístico venha a dar um novo “barato” a quem precisa dele para fazer a sua “viagem”…
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Tags: Paulo Pires, Veja, Vitória da Conquista, educação, revista Veja
Posted by oculos on Nov 4, 2011 in
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Documentário estrelado por THC, digo, FHC (hehe, perdão pelo trocadilho cretino, feito apenas para zoar com o ex-presidente), sobre o problema das drogas e da criminalização do uso, do tráfico, etc.
Vou confessar uma coisa: tenho uma admiração grande por Fernando Henrique Cardoso. Essa admiração às vezes é prejudicada por preconceito meu de que nada que venha do PSDB pode prestar – muito parecida com o preconceito que muita gente tem do Lula, por ser este último popular. Em razão do meu preconceito, fico imaginando que o documentário foi uma forma de FHC levantar uma bandeira, qualquer uma, a fim de ganhar um certo verniz de estadista, meio que a la Al Gore.
O preconceito, como todo ele, é ridículo. FHC já era estadista muito antes do documentário, e o fato de tê-lo lançado depois da conquista de Lula de igual patamar requer apenas malícia para não achar que o ex-presidente tucano estava falando sério.
Eu não suporto preconceito. Não importa, pra mim, quais as razões de FHC, assim como não quero que ninguém desconfie das minhas razões o tempo todo. No Brasil, temos esse problema: nunca confiamos em ninguém porque preferimos especular as razões dos outros.
Pessoalmente, acho que ele refletiu muito sobre o assunto, e não teve medo de se expor ou de usar sua credibilidade para falar de um assunto tão espinhoso. Gostaria muito que os políticos, cada vez mais, assumissem posições, ainda que espinhosas. O debate franco é muito melhor do que essa dissimulação ridícula que existe no Brasil, onde o discurso político é semore envernizado, cuidadosamente preparado para não gerar compromisso, para não tomar partido, para não dizer nada.
A verdade é que o documentário é excelente. Se não admiro FHC como presidente, admiro a sua inteligência, bem como o fato de ter tido o desprendimento de falar do assunto que preferimos jogar para debaixo do tapete.
Continuarei a não votar no PSDB. Mas confesso que gostaria que esse e outros assuntos polêmicos fossem, sinceramente, objeto de defesa de partidos políticos. Esses, no entanto, defendem as mesmas coisas. Já reparou que no debate político o discurso é sempre homogêneo?
Lembro-me que, durante a campanha eleitoral, houve aquela celeuma toda a respeito da Dilma e a igreja, Dilma e o terror, etc. Vimos que nada daquilo era de fato importante. Era apenas mis-en-scene eleitoral. Como sempre. Porque, no Brasil, não estamos acostumados a dizer a verdade. Apenas colocamos uma bonita cortina perfumada para ocultá-la. Ou apagamos a luz para não vê-la.
Quando cheguei a Oslo, isso me espantou um pouco, porque vi partidos políticos dizendo explicitamente que eram contra jardins -da-infância gratuitos, ou contra a proibição de carros no centro da cidade. Não imagino jamais um político no Brasil dizendo, em época de campanha, algo negativo, impopular…
Enfim, o documentário vale a pena ser assistido.
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Tags: FHC, Fernando Henrique Cardoso, Filmes, Quebrando o Tabu, drogas
Posted by oculos on Oct 26, 2011 in
Política,
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Admito: desconheço muito da situação do regime iraniano, a não ser o que é informado pela imprensa e a despeito de conhecer alguns iranianos. Imagino que seu governo, como quase todo governo que existe, não deve ser flor que se cheira.
Mas espero, sinceramente, que as previsões de Mark Wesibrot (Folha de São Paulo de hoje) não se confirmem: a de que Obama poderia lançar mão de uma guerra ao Irã com fins de garantir a sua reeleição. Não espero – e acho que ninguém espera – isso de Obama. Mas, segundo o artigo, algumas frases do presidente americano fazem crer isso, inclusive uma em que diz que “todas as opções estão sobre a mesa”.
Enfim, preciso conversar com mais iranianos. Precisamos, todos, ouvir as pessoas. Elas é quem nos devem dizer se precisam de uma guerra, pois são elas que sofrem. É preciso ouvir gente de carne osso, como eu e você, a fim de que formemos nossas opiniões. Não somos nós que teremos vidas destruídas, ruas e casas arrasadas e gente mutilada. E até que um iraniano me diga que precisa de uma guerra americana para acabar com seu regime político, apoio a frase com que Brot termina a sua coluna:
“O Brasil é um dos poucos países que têm a estatura internacional e o respeito necessários para ajudar a desativar esse confronto. Só podemos esperar que ele faça mais tentativas de poupar o mundo de mais uma guerra horrível.”
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Tags: Irã, Mark Weisbrot
Posted by oculos on May 7, 2011 in
Política,
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Excelente post no blog do meu amigo Pedro Aniceto, em forma de video, cujo teor me é muito caro: como o pragmatismo e o egoísmo atual omitem gestos de amizade e grandeza do passado.
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Tags: Finlândia
Posted by oculos on Nov 23, 2010 in
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Toda vez que vou ao Sul do País – só fui lá 3 vezes, sempre por 4 dias apenas – volto meio envergonhado. Envergonhado porque aquela região consegue ser tão mais desenvolvida que a nossa, que, ao chegar em casa, me sinto vindo de outro país.
Eu sei que a nossa herança maldita foi perversa: escravatura, coronelismo, etc. A deles: colonização com oferta de terras pelo Governo Brasileiro, cultura mais voltada à comunidade, etc. Mas será que nosso passado vai nos condenar para sempre?
Quando o Nordeste vai sair dessa mescla de pobreza, de falta de senso comunitário, de desorganização?
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Posted by oculos on Oct 31, 2010 in
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O que me deixa mais feliz não é só a Dilma ganhar. É ver como as pessoas podem ser tão cruéis e preconceituosas. Como a derrota (ou a possibilidade desta) pode trazer o que há de mais selvagem, mesquinho e discriminatório nas pessoas.
Amigo que sigo no Twitter retransmitiu os seguintes posts: “Para quem voltou na Dilma parabéns pela vitória, e para quem votou no Serra parabéns pela inteligencia! (@larygsm)”
ou “@happymoon: graças à pessoas como o porteiro do prédio ao lado que disse em voz alta pra todo mundo votar na “Dilma Rósséfa”
O primeiro comentário reflete a arrogância dos ditadores: quem não pensa como eu, é idiota, menos inteligente, ou o que o valha. O segundo, reflete a perversa idéia de que alguém mais humilde não tem direito a uma escolha, ou não pode fazê-la de acordo com sua percepção do que é melhor. Minha escolha pode não ter sido a melhor, mas foi a que pareceu a melhor de acordo à minha consciência.
Mas o porteiro do meu prédio votou em Serra. Enfim, além da inutilidade do xingamento, o preconceito revela mais algo de ruim sobre quem o emite do que sobre seu alvo.
E espero que tenhamos dias melhores.
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Posted by oculos on Oct 29, 2010 in
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Eu já disse que política é algo que não me encanta mais. Acredito em gente séria e ponto final.
Mas duas coisas me chamaram a atenção: uma, as generalizações. Amigo meu, que vota em Serra, disse que alguém que vota em Dilma fechou a cara pra ele no trânsito. Ele posta o episódio no Twitter, e coloca o tag #coisadopt. Cito apenas um exemplo, mas expressões como “petralhas” são comuns, ou de dizer que algo é coisa do PT. Sinceramente, acho a generalização ruim, embora a entendo como ato de campanha. É ruim, porque alguns dos meus maiores amigos, um deles quase irmão, era fã incondicional de ACM. Se não fosse protestante, acho que acenderia vela pra ele (desculpe meeeeeeeuuu… hehehehe). No entanto, nunca tive coragem de chamar “carlistas” de “ladrões”, porque sempre na cabeça vinha a imagem desse meu amigo, e de outros. Assim como conheço várias outras pessoas que migraram de um partido pra outro, por várias razões: desilusões, oportunismo, mudança de opinião filosófica, etc. Por isso, embora protestante, nunca ridicularizei alguém por professar fé diferente da minha, e nem me refiro a católicos com expressões ruins (que não vou usar nem para exemplificar) por serem contra coisas que eu, protestante, não sou. Daí entendo que o processo eleitoral perde muito com essas coisas.
É como se as pessoas fossem ingênuas a ponto de achar que é política de partido jogar uma bola de papel (ou de boliche) na cabeça de alguém. Ou que Serra mandou jogar bexiga com água na Dilma. Onde há o ser humano, há o imprevisível.
Me espanta a mídia cobrar tanto propostas dos candidatos, quando o JN, talvez o programa com maior audiência, faça perguntas do tipo “O Ciro Gomes disse isso – a senhora concorda?”, ou “O senhor conhece o Paulo Preto?”. Enfim, a hipocrisia é grande porque a mídia sabe que proposta não dá audiência nem voto. Audiência e voto se conseguem por factóides, por fofoca e por escândalos. Essa é a dura realidade. Ou você viu algum candidato dizer qual o tamanho do orçamento pro ano que vem e o que pretendem fazer?
A outra coisa uqe me chamou a atenção foi o oportunismo de Serra e as perigosas conseqüências de uma vitória (ao que parece, implausível agora) dele. Eu até simpatizava com o candidato, confesso. Mas quando prometeu salário de R$600,00, vi que tinha alguma coisa errada. Quando o tema do aborto virou de repente ponto de honra nacional, acendeu a luz amarela. Mas quando prometeu, assim, vetar a lei que pune a homofobia – coisa que ninguém teria coragem de dizer, assim, com todas as letras, me surpreendi com o oportunismo do candidato. Se não for oportunismo, é mais perigoso ainda, porque implica um conservadorismo que vai na contramão do mundo.
Mas o problema é maior: ao fim dessas eleições, seremos católicosxprotestantes, heteroxhomossexuais, abortistasxnão-abortistas, a-favor-da-vidaxcarniceiros, bonzinhosxmauzinhos. É esse o Brasil que sai das eleições.
Curiosamente, quando o Brasil mais cresce, mais é o nosso retrocesso.
P.S. – Nunca fui exatamente orgulhoso de ser protestante – as lideranças protestantes nunca falaram por mim, e acho que dizem muita porcaria. Só ainda me declaro protestante devido à minha identidade com o ponto de vista da fé evangélica – se bem que, com tanta adulteração da doutrina, nem sei se hoje eu seria considerado protestante. Mas confesso que nunca me orgulhei tanto de não ser católico, apesar de admirar bastante a maioria do seu clero, a beleza dos seus rituais e a fé dos que, em um mundo de descrença, continuam a buscar a espiritualidade nas catedrais e igrejas, e a procurarem ser pessoas melhores ali. Mas quando o líder maior da igreja arrisca vir a público meter o bedelho em um assunto soberadno de estado laico, é o tipo de pretexto que cria para dividir um povo. E isso não tem perdão.
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Tags: Eleições 2010, eleições
Posted by oculos on Oct 19, 2010 in
Política,
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Vitória da Conquista
Li com tristeza que o governo de São Paulo não vai mais, por enquanto, licitar o projeto de ligação por trilhos do Centro da capital do Estado ao aeroporto de Congonhas. A justificativa foi o fato de que a atual demanda, de 18 milhões de passageiros, pode não ser suficiente para garantir a viabilidade do projeto.
A notícia me incomoda porque traz em si a mania de pensar pequeno. O aeroporto de Zurique, na Suíça, teve, em 2008, demanda de 22 milhões de passageiros. Porém, já em 1995, havia trem ligando aquele aeroporto à cidade. A população da Suiça inteira é menor do que a da cidade de São Paulo. O aeroporto de Estocolmo teve 16 milhões de passageiros em 2009, e já conta com trem de alta velocidade que o liga à estação central da cidade.
Estamos falando da maior cidade do país e uma das maiores do mundo, com dois aeroportos, com um tráfego aéreo que só aumenta, e com demonstrações de demofobia. Primeiro, porque os novos passageiros que vão aos aeroportos são das classes B e C. Seria interessante, assim, que tivessem meios melhores para que chegassem aos terminais com mais facilidade. Em segundo lugar, é incrível como o Brasil releva sua falta de estrutura. Todos os países emergentes que hoje estão em franco desenvolvimento (Coréia, China, Índia, Taiwan, etc.) têm altos investimentos em ferrovias e conexões férreas entre as cidades e seus aeroportos. Aqui, tudo é desculpa: “o dinheiro poderia ser melhor aplicado nisso ou naquilo”.
É importante que o país se valorize, que se invista em infraestrutura, que se crie mecanismos de transporte que não sejam excludentes, e que se pense na modernidade do país. Trata-se de um país que cresce, e que precisa mudar a sua cara de atraso.
Daí minha dificuldade de entender as críticas ao trem-bala. Num país onde viajar não é exatamente tão barato, é sendo país enorme, precisamos de ligações férreas e rápidas entre as cidades. Há questões ambientais envolvidas, há saturação de aeroportos, há a qualidade do transporte ferroviário e há a necessidade de fomento à aquisição de know-how para novas tecnologias do setor ferroviário.
Infelizmente, o governo de São Paulo tomou essa medida. Infelizmente o candidato Serra critica o Trem-Bala.
Infelizmente, ainda, o governo Lula andou meio devagar com a Ferrovia Oeste-Leste, e infelizmente o traçado dessa ferrovia foi infeliz, pois deveria contemplar Vitória da Conquista.
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Tags: Estocolmo, Zurique, ferrovia, ferrovia Oeste-Leste, ferrovias
Posted by oculos on Oct 9, 2010 in
Política,
Principal
Eu tenho certeza que você é um(a) cidadão(ã) de bem. Sei que você é gente boa, uma pessoa honesta, um amigo para todas as horas.
Sei que se preocupa com a sua família, com alguns valores morais importantes. Sei que se preocupa com os exemplos a serem dados aos seus filhos.
Sei que seu voto é consciente. Que, na época das eleições, procura se informar sobre os projetos políticos dos candidatos, e, possivelmente, faz suas escolhas com base nas propostas dos seus candidatos.
Mas, na intimidade do seu lar, quando ninguém está olhando, você, solitariamente, vive uma vida dupla.
Você se transforma em um criminoso.
Você repassa aos seus amigos um texto qualquer, sem sequer se dar ao trabalho de pesquisar no Google algo acerca da sua autenticidade. Você não percebe que o autor da matéria sequer existe, ou sequer escreveu aquilo.
Você vilipendia a honra das pessoas, questionando, de forma covarde, a sexualidade delas, violando, de uma só vez, a postura ética, despida de preconceitos pela qual você se pauta, e a verdade, sem se dar ao trabalho de verificar a fonte da calúnia.
Você envia fichas criminais falsas, sendo cúmplice, assim, de falsificação grosseira (isso sem contar com o fato de que, enquanto a maioria de nós vivia como gado tangido durante a ditadura, alguns contra ela se insurgiam – toda e qualquer legislação do mundo democrático trata com benevolência o crime político, porque entende que a liberdade não pode ser sufocada, e que, quando isso acontece, há que se insurgir contra isso até com a vida).
Você, que vota conscientemente, bom cidadão que é, deseja conquistar o voto dos outros pela mentira, pela calúnia que espalha no anonimato, pelo boato que espalha. Você se torna cúmplice do crime.
Crime? Sim. Basta olhar o Código Penal Brasileiro e verificar que todos esses atos constituem ou calúnia, ou injúria, ou difamação.
Você está virando terrorista.
Você espera que seus filhos sejam cidadãos iguais a você. Justos, honestos – do bem. Mas você, secretamente, pratica aquilo que não gostaria que eles praticassem. O terrorismo. A mesquinharia da destruição anônima da honra alheia.
A internet possibilita hoje que, de forma confortável, pratique-se aquela conduta típica de décadas anteriores: a da carta anônima.
Prática covarde, que não dá direito de resposta. Que tenta intimidar. Que não propõe nada de novo, apenas tem por objetivo desmoralizar o seu alvo.
E, pior de tudo: você manda esse lixo todo pra seus amigos, a mim, inclusive, que você sabe ser simpático a candidatura diferente. Ou você me julga burro o suficiente para me convencer com os ultrajes que me envia, ou, se acredita naquilo que está a me enviar, precisa rever urgentemente sua forma filtrar informações, sob risco de tornar-se mero joguete na mão dos outros.
Sei que você se preocupa com um Brasil melhor. Eu também. Vamos fazer um pacto? Você daí, eu daqui, vamos juntos estudar o programa dos candidatos, ao invés de nos deixar teleguiar por boatos que só querem desviar a nossa atenção do que realmente importa.
Vamos desconfiar do moralismo – bem x mal, ao qual tentam nos alinhar, como se não soubéssemos que todos nós temos nossas contradições. Você vota na Dilma? Você vota no Serra? Você tem lá as suas razões. Confio em sua escolha. Deixe-me cá livre com a minha. Eu não sou idiota. Eu leio o que recebo, e vai pro lixo a mentira. Fosse nosso país um lugar sério, você e os outros que repassam as notícias já estariam na cadeia. Fosse eu um inimigo seu, já teria registrado um B.O. devido à calúnia que você praticou.
Vamos adotar na política a mesma atitude que esperamos dos nossos filhos: que sejam justos. Que não queiram nada mais ou nada menos do que lhes pertence por direito. Que não falem mal dos outros, assim como esperemos que não falem mal deles. Quem não sejam fofoqueiros, espalhadores de boatos, e que aprendam a respeitar as outras pessoas, sem macular-lhes a honra.
Apelo a você, pessoa do bem que é, que reflita sobre a postura covarde de espalhar mentiras. Você não enfiaria dedo no olho ao brigar, enfiaria? Pois a covardia dos e-mails difamatórios envergonha o Brasil. Dizem que o voto dos que recebem Bolsa-Família é um voto comprado. Pois o voto daqueles que acreditam em boatos é fruto da coação moral e vergonhosa à qual somos submetidos todos os dias.
Nossa consciência, afinal, é o que nos resta. Cuidemos dela.
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Tags: Eleições 2010, eleições
Posted by oculos on Oct 5, 2010 in
Política,
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Eu sempre fui admirador de partidos políticos desde a tenra infância. Sempre me interessei por política, e sempre achei que nosso interesse pelo assunto faria com que escolhêssemos melhores representantes.
Eu já não acredito em política. E não, não é propriamente a decepção com o comportamento dos políticos que me afasta do assunto. É que acho que política é uma mera ilusão, uma discrepância entre realidade e ficção, e eu não tenho mais paciência para a hipocrisia.
O grande problema da política hoje em dia é que somos qual gado sendo tangido para aqui ou para ali, sempre com a crença de que estamos fazendo a escolha certa. Nossas escolhas são emocionais ou passionais.
Quer um exemplo? Vejamos: você, leitor que tem raiva da Dilma e do PT. Você provavelmente votará contra o PT ou porque sempre teve raiva do partido (porque os militantes são feios, porque são raivosos, porque são iguais aos outros aos quais outrora criticavam). Já vi gente que simplesmente não gosta da Dilma e pronto.
Já você, leitor, não volta no Serra por causa do Fernando Henrique Cardoso. Porque não volta na direita. Porque são associados ao DEM. E, também, porque são os de sempre.
Todos os motivos acima, pra mim, são passionais, e escondem algo que, isso sim, é preocupante: há uma dissociação muito grande entre a competência administrativa dos governos e o que realmente é debatido.
Criticam o fisiologismo do PT hoje, como se qualquer partido que venha a assumir o poder fosse, num gesto de altruísmo, nomear pessoas de outras linhas ideológicas. Aliás, note-se que o PT, pelo menos, nomeou o Henrique Meireles e o Celso Amorim, sempre aliados com outras linhas ideológicas, sempre em nome da boa administração. Mas, de regra, quem assume o poder coloca os seus na administração.
O próprio escândalo da Erenice Dias, por exemplo – quem desconhece o apetite das pessoas para levar alguma vantagem quando tem acesso a informação privilegiada? Só quem desconhece como funciona a Administração Pública é que pode afirmar que esse tipo de coisa não acontece em qualquer administração.
Os índices do governo – econômicos e sociais – seriam bons indicadores, mas podem sofrer manipulações.
Uma escolha coerente e consciente para o voto é dificílima. A decepção costuma ser a regra. Há personalismo demais na nossa política.
Sabe qual é o problema? Nem você nem eu sabemos como as coisas funcionam lá dentro. Uma vez um assessor parlamentar me disse que os deputados, por exemplo, bocejam se você for discutir um projeto de lei com eles. Mas experimenta dizer: “o senhor ouviu que Fulano vai para outro partido?”. “O QUEEEE???? QUANDO????”. O interesse é do a auto-preservação.
Mas como funciona a administração? Qual o planejamento? Nas cidades pequenas, quem assessora esses prefeitos inexperientes, sem curso superior, sem bons administradores, procuradores, médicos, professores? E nas cidades médias e grandes? Nessas administrações complexas, quem planeja o futuro? Quem tem projeto?
Infelizmente, nem eu nem você sabemos ao certo o que é feito dentro dos Palácios, das governadorias, das prefeituras. Nem eu nem você acompanhamos as licitações. Não nos entrevistamos com os professores municipais para ver a qualidade da sua técnica.
Eu não me acho exatamente como Classe Média – acho que alguém só tem percepção de sua classe social quando se casa e começa a comprar determinados itens que, quando solteiro, não faziam falta. Mas acho que a Classe Média, de todas as classes, é a que tem a menor percepção da eficiência de um governo. A Classe Média não usa os serviços públicos – não usa o SUS, não usa escola pública, vive em condomínio privado, etc. Portanto, a avaliação é ideológica ou passional.
Já as outras classes talvez tenham uma decisão mais diretamente vinculada aos seus interesses. As classes C e D, por exemplo, são destinatárias dos programas sociais, e seu voto, claro, é fruto da melhora na qualidade de vida. Isso sem falar na estabilidade da moeda. Já a Classe A vota em razão da tal estabilidade, mas também em razão das facilidades negociais proporcionadas pelos governos.
Mas qual Administração sobreviveria a uma auditoria do tipo ISO 9001? Se a saúde de uma empresa privada é comprovada por sua conta bancária, sua adimplência a fornecedores e em relação aos tributos, como a sociedade avalia as contas do governo?
Os candidatos são vendidos pela TV como se vende coca-cola. Não há escolha que possa ser coerente com base em inútil programa eleitoral gratuito.
O que a sociedade precisa, urgentemente, é de acompanhamento das administrações. ONG’s formadas por administradores, economistas, juristas, médicos, etc. Profissionais que dediquem um pouco do seu tempo para acompanhar as escolhas dos gestores. As licitações. O planejamento. Tudo isso de forma apartidária, o que, de certa forma, é ingênuo admitir que aconteça. Mas sem que tenhamos conhecimento do que está sendo feito, ficamos com aquela percepção negativa ou positiva. Quer um exemplo?
Eu fui a Salvador no ano passado, e visitei o Pelourinho. Baseado nessa única percepção, eu jamais votaria no atual governador. Acabaram com o lugar. Não há, pra mim, justificativa aceitável para explicar como puderam ser tão omissos com um dos lugares mais significativos de Salvador. Mas o governador foi eleito. Sinal que, em muitas áreas para mim imperceptíveis, sua gestão foi excelente.
Enfim, enquanto a sociedade não acompanhar os gastos, não questionar as compras, não aferir a eficiência das escolas e da rede de saúde, não participar do planejamento para o futuro, vamos continuar votando por medo, por beleza ou por conveniência.
P.S. – E o Tiririca? Bom, ele não vai nos decepcionar. Vai ser um péssimo deputado. Não virá surpresa. Mas e os que elegemos, achando que serão bons representantes? Esses quase sempre não nos surpreendem, e acabam sendo uma lástima.
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Posted by oculos on Oct 3, 2010 in
Política,
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Vitória da Conquista
Nada lembra mais a Diatadura Militar do que as eleições. Aliás, acho que a forma de condução do processo eleitoral hoje é, talvez, sob alguns aspectos, mais ditatorial do que na época da Ditadura.
Primeiro, é esse clima de “Ordem”, de “segurança nacional”, como se estivéssemos em estado de sítio. Não pode isso, não pode aquilo. É a chance que os ditadorezinhos de plantão têm para colocar suas vocações autoritárias para fora. É policial que vê em camisa vermelha/verde/azul como se fosse conluio para propaganda fraudulenta. É Juiz Eleitoral visitando seções de votação como se fosse coronel.
Minha desilusão com a política é ainda maior quando o assunto é eleição. É quando as pessoas colocam as instituições de lado para defenderem o que acham. Reparem que, para as eleições, todos os princípios constitucionais são relativizados, sem lógica alguma, só para que algumas pessoas se sintam mandando e tenham a sensação de que as massas estão domesticadas. Mas eu chego lá.
Primeiro, continua a ridícula, anacrônica e demodê proibição da boca de urna. Tudo para preservar uma suposta “ordem”, típico da Ditadura, onde uma mosca voando era atentado à segurança nacional. Ganha uma quentina-de-mesário quem responder qual o sentido de proibir a propaganda eleitoral no dia da eleição. Antes, a proibição era para impedir que os partidos de esquerda, que tinham militância, pudessem angariar mais votos. Hoje, serve para que policiais e juízes mostrem quem manda. E, depois, os processos ficam lá, entupindo os armários da Justiça Eleitoral, incomodando serventuários, advogados, partidos, militantes e os mesmos juízes, já que tem muita coisa mais importante para ser julgada.
As constantes restrições à propaganda são outro retrocesso: a questão não é disciplinar as eleições, a questão é ter a sensação de controle. Não é por outra razão que um imbecil qualquer propõe uma lei para controlar publicidade eleitoral na internet, como se fosse possível submeter uma rede mundial às indiossincrasias tupiniquins. Ai o TSE (e depois o Congresso, a reboque), define até o que é outdoor e o que é placa, fazendo, a cada eleição, surgir as maluquices – placas móveis, carregadores de estandartes, bonés, enfim – sempre limitando a livre expressão e, ao mesmo tempo, permitindo subterfúgios patéticos que, possivelmente, só existem aqui mesmo.
Depois, a ridícula lei seca. Como se domingo deixasse de ser domingo. Como se tivéssemos que assistir a uma missa durante o dia todo, ou ficar em casa, apenas porque se trata de eleição. Na verdade, esse ano a lei seca não foi obrigatória em vários estados, mas aqui em Conquista os Juízes, provavelmente para evitar trabalho para eles mesmos, suspenderam a venda de bebida alcóolica. Claro, a desculpa vai ser, sempre ela, a “ordem”, que tem que ser mantida a todo o custo. A mesma “ordem” que tem que ser mantida prendendo um bocado de pobre coitado cujo crime é distribuir um santinho.
Enfim, o que deveria ser uma festa cívica se transforma em um flash de restrição ditatorial do comportamento do brasileiro. É uma emulação do comportamento típico das ditaduras: o controle completo das massas, para que sejam dóceis e domesticadas. Nem que seja por um só dia.
E aí convivemos com as idiotices todas, que violam a Constituição que, engraçado, é democrática: boca de urna, propaganda eleitoral irrestrita (tudo violando a liberdade de expressão, que é princípio constitucional), boca de urna e ficha limpa (que violam o princípio da presunção de inocência), horário eleitoral gratuito (que confunde venda de coca-cola com difusão de propostas), etc.
Enfim, o que outros países comemoram como festa cívica (ou, na verdade, apenas como uma forma apática de cumprir uma obrigação imposta pelo Estado), aqui nos serve apenas para nos lembrar que não é seguro segurar um santinho, não é permitido usar uma camisa com o nome do candidato preferido, não pode beber uma cerveja mesmo com um calor de 35 graus. Enfim, não pode.
É o País onde a bandeira nacional não pode ser vestida. É o país onde a justiça não consegue julgar criminosos, mas empilha processos por boca de urna.
Tudo no Brasil é isso – blábláblá, e pouco desejo de ver as coisas como são.
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Tags: eleições
Posted by oculos on Sep 16, 2010 in
Política,
Principal
A OAB tem finalidades não corportativas/administrativas previstas no inciso I do Art. 44 da Lei que rege à advocacia, e aqui transcrevo:
I – defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas;
Por isso, é incrível como alguns dirigentes nacionais e estaduais usam a Ordem para impor suas plataformas ideológicas.
Primeiro tivemos o D’Urso, em São Paulo, com o movimento “Cansei”, movimento de gente rica, sem a presença de nenhum movimento social, com um certo verniz apartidário, mas que, sem dúvida, tinha como interesse ser porta-voz da elite (olha o petismo no vocabulário, gente!) paulista, surgido em meio à crise do caos aéreo. Como se a OAB fosse tão pequena.
Agora, reagi com surpresa ao ver que o Presidente do Conselho Federal da OAB, Ophir Cavalcante, defendeu o imediato afastamento da Ministra da Casa Civil Erenice Guerra, a fim de que sejam apuradas as denúncias. Eis a pérola:
“A partir do momento em que se coloca em dúvida a credibilidade e a postura da ministra, isso é algo que deveria atrair o imediato afastamento dela”.
Sei. Então alguém é denunciado e deve, ele mesmo, antecipar o próprio julgamento e declarar-se culpado.
Eu até entendo que, em nome da govarnabilidade, para preservação da autoridade nomeante, etc., alguém entregue o cargo em razão de suspeita de prática de delito. Mas ver a OAB, justo ela, defender que o linchamento da imprensa prevaleça sobre o princípio da presunção da inocência só me faz crer em quão oportunista e demagoga a direção da OAB Nacional se tornou.
(note-se que, caso a Sra. Erenice Guerra tenha mesmo praticado alguns dos crimes que insinua a imprensa ter ela praticado, deve ser é presa, não perder o cargo. Mas estou falando de outra coisa – o de como é fácil destruir uma reputação, e que essa destruição jamais poderá ser reparada. Prefiro que a sra. Erenice caia após ser considerada culpada, do que sofra linchamento precipitado.)
E não me venham dizer que, no cargo, ela prejudicaria as investigações. Já com algum tempo de vida pública, percebo que, nesses casos, o sucessor sempre é comprometido politicamente com o grupo, e nunca facilitaria investigação alguma. Diferentemente de servidor estável, que pode ser afastado sem prejuízo de remuneração – muito embora há até jurisprudência afirmando que tal afastamento, se considerado desnecessário, configura direito a indenização por dano moral.
Mas, no Brasil, o linchamento por parte de revista de credibilidade tão questionável quanto a Veja deveria, sim, sempre ser encarada com reserva por parte de quem a lê, em razão da parcialidade e da falta de honestidade das críticas desse meio de comunicação, conforme demonstrado, por exemplo, no caso de Ibsen Pinheiro.
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Ninguém aplaudiu! Pôôô...
Tags: OAB, Veja
Como advogado, tenho que engolir alguns sapos. Às vezes ganhamos, às vezes perdermos.
Alguns processos que perdemos são mais difíceis de engolir do que outros. Não pelo seu valor econômico, mas sim pela injustiça que a sucumbência processual significa para quem dela é vítima.
Algo que sempre me chamou a atenção desde que li o livro “O Mundo na Corda Bamba” (One World, ready or not), foi que devemos começar a nos preocupar com a origem dos nossos produtos. Ou, melhor dizendo: quem produz nossas roupas de grife, nossa comida, nossos computadores? Será que usam o trabalho infantil? Será que fazem horas extras? Será que ganham o suficiente para viver?
Conheçam Luciana (nome fictício). Por morar distante da fábrica do grupo DASS (que produz artigos das marcas Fila, TryOn, Dilly e Umbro) em Vitória da Conquista, Bahia, acorda cedo e pega o ônibus todos os dias. Ganha salário mínimo, o que significa que Luciana nunca vai comprar um tênis de uma das marcas que ajuda a confeccionar. Isso sem falar nas condições de trabalho, péssimas, segundo já divulgado na imprensa. Aliás, a indústria calçadista é assim – em Itapetinga, a Azaléia foi proibida pela justiça de usar determinada máquina que já causou amputações e outras seqüelas aos trabalhadores ali.
Um belo dia, Luciana recebe um aviso de demissão por justa causa. O motivo? Luciana utilizara o vale-transporte fora do horário de trabalho. Não mais que CINCO vezes. Algumas dessas vezes, Luciana foi levar seu filho ao médico. Acompanhei Luciana em sua reclamação trabalhista. Sua chefe confirmou, em audiência, que Luciana, mesmo tendo utilizado o vale-transporte fora do horário de trabalho, continuou a usar o transporte público para ir para a fábrica. Isso quer dizer que Luciana compensou o uso do vale-transporte feito em outro horário com dinheiro do próprio bolso, diferente daquelas pessoas que vendem o vale-transporte para conseguir um dinheiro extra.
Mesmo assim, a justa causa prevaleceu. Luciana não iria ganhar muito dinheiro, mas até isso o juiz lhe negou. Certa estava a empresa, já que a lei prevê que o mau uso do vale-transporte poderá ensejar justa causa. Embora a jurisprudência fosse farta no sentido de que a justa causa deve ser proporcional à falta, o juiz não quis nem saber: abençoou a rigidez da empresa.
Infelizmente, o poder estabelecido é assim com os trabalhadores: a Luciana, nega-lhe uma pífia indenização (será que chegaria a R$1.000,00?). À Dilly, incentivos fiscais para implantação da fábrica. Vendem o Estado para exploração do trabalho.
O pior: como explicar a Luciana que outro juiz foi mais razoável, e anulou a justa causa de uma colega de trabalho despedida pela mesma razão, segundo Luciana?
Enfim, como ao advogado, além de lutar, resta recorrer, recorri. Os ouvidos do Tribunal foram moucos. Apelei a Brasília. Negaram o seguimento ao recurso (grande novidade). Agravo. Nessa, vamos morrer brigando.
A insensibilidade com o trabalhador é gritante. A DASS, cujo faturamento deve ser enorme, economizou seus centavos. Luciana, desempregada, aguardou em vão que lhe fizessem justiça. Infelizmente, os que lhe negaram justiça não estavam muito preocupados em… fazer justiça, talvez usando sapatos da Dilly adquiridos com bons salários, fabricados com o suor de gente como Luciana, sapatos que Luciana não podia e não pode comprar.
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Tags: Dilly Calçados
Posted by oculos on Jul 26, 2010 in
Direito,
Política,
Principal
Esse assunto, embora nem sempre fácil de se discutir dado à sua complexidade, deveria fazer parte da nossa educação básica. Enfim, tomei conhecimento do blog que agora indico, e sugiro a leitura desse artigo. Fala a articulista exatamente sobre a forma injusta usada na tributação brasileira.
Vale a pena marcar esse blog como um dos favoritos.
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Posted by oculos on Jul 24, 2010 in
Direito,
Política,
Principal
Caramba, fico muito admirado quando advogados vão à luta por causas cujo valor econômico nem sempre é enorme, mas que constituem uma resposta aos desaforos que somos obrigados a suportar por viver em um país com crise de identidade.
Essa crise de identidade reflete-se nessa coisa do país querer se modernizar, mas com carga tributária que desestimula a aquisição de bens de consumo de alta tecnologia. Mas sobre isso escrevo depois.
O que interessa é que o colega Marcel Leonardi conseguiu na justiça liminar que o livrou de pagar impostos na compra de um Kindle. E mais: com um altruísmo digno de aplausos, divulgou a “receita de bolo” no seu site.
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Tags: Kindle, impostos
Posted by oculos on Jul 12, 2010 in
Política,
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Vitória da Conquista
Finalmente foi publicado hoje o decreto de desapropriação de área para a construção do novo Aeroporto de Vitória da Conquista.
O dito cujo vai ser construído em área próxima à Rio-Bahia (BR116), no Povoado do Pé de Galinha.
Segue cópia do decreto:
DECRETO Nº 12.246 DE 08 DE JULHO DE 2010
Declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, a área de terra que indica, e dá outras providências.
A PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NO EXERCÍCIO DO CARGO DE GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, no uso de suas atribuições e à vista do disposto no art. 164, inciso IV, da Constituição Estadual, no art. 5º, alíneas “h”, e “n”, do Decreto-Lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941, e alterações posteriores, e do que consta do Processo nº 0900100014522, do Departamento de Infra-Estrutura de Transportes da Bahia – DERBA,
D E C R E T A
Art. 1º – Fica declarada de utilidade pública, para fins de desapropriação, a área de terra medindo 6.160.000,00m², pertencente a quem de direito, com as acessões e benfeitorias nela existentes, localizada à margem direita do km 1.074 da BR-116, no sentido Vitória da Conquista-Rio de Janeiro, nas proximidades do Sítio São José, conhecido como Pé de Galinha, Município de Vitória da Conquista – Bahia, a seguir descrita: partindo-se do ponto P-1, de coordenada plana N = 8.348.451,37 e E = 296.336,70, com azimute de 305º38’42’’ e distância de 5.600,00m, determina-se o ponto P-2, de coordenadas N = 8.351.714,73 e E = 291.785,83; daí, com azimute de 36º10’49’’ e distância de 1.100,00m, determina-se o ponto P-3, de coordenadas N = 8.352.608,66 e E = 292.426,85; daí, com azimute de 125º38’38’’ e distância de 5.600,00m, determina-se o ponto P-4, de coordenadas N = 8.349.345,29 e E = 296.977,72; daí, com azimute de 216º1’56’’ e distância de 1.100,00m, retorna-se ao ponto P-1, fechando-se a área poligonal em descrição, conforme levantamento do Sítio Aeroportuário elaborado pela Gerência de Terminais do Departamento de Infra-Estrutura de Transportes da Bahia – DERBA.
Parágrafo único – A área de terra de que trata este Decreto destina-se à implantação de um novo aeroporto regional, a ser localizado no Município de Vitória da Conquista – Bahia.
Art. 2º – Fica o Departamento de Infra-Estrutura de Transporte da Bahia – DERBA, autorizado a promover os atos administrativos e judiciais, se necessário em caráter de urgência, com vistas à efetivação da desapropriação de que trata este Decreto e a imitir-se na posse respectiva, providenciando, inclusive, a liquidação e o pagamento das indenizações, utilizando-se, para tanto, dos recursos de que dispuser.
Art. 3º – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de julho de 2010.
TELMA BRITTO
Governadora, em exercício
Eva Maria Cella Dal Chiavon
Secretária da Casa Civil
Wilson Alves de Brito Filho
Secretário de Infra-Estrutura
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Tags: Vitória da Conquista, aeroporto
Posted by oculos on Jun 9, 2010 in
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Nos últimos 2 dias, recebi cerca de 10 ligações da Editora Abril, tentando me fazer assinar a Veja.
Disse que não me interessava. Perguntou o atendente a razão. Eu disse que Veja era de Direita, e ele disse: “O senhor é contra o Lula?”. Eu disse que não. E, então, ele saiu-se com essa:
“Ah, mas o Lula é de Direita, porque ele tá no poder! Quem tá no poder é de direita…”.
Durma com um barulho desses… E vai ver ele tem até razão!
Prosseguiu: “eu votei no Lula! Mas quem tá no governo é vidraça, o senhor concorda?”
Concordo. Mas não me liga mais não…
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Posted by oculos on Jun 6, 2010 in
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Hoje, lendo a coluna de Élio Gaspari na Folha, tive vontade de escrever sobre algo que refleti ontem ao conversar com um amigo: o que importa em um candidato?
É que já ouvi dizer que a Dilma é uma pessoa de difícil trato. Também já ouvi isso do Serra. Já ouvi dizer, ainda, que o Ciro Gomes tem pavio curto.
Enfim, estereótipos não faltam quando se trata de candidato exposto na mídia à opinião pública.
Mas não parece estranho que nós, anônimos, tenhamos nossa competência reconhecida ou rejeitada em razão da qualidade do nosso trabalho, e, mesmo assim, especulamos não sobre a capacidade de trabalho dos candidatos, mas sim sobre suas características mundanas?
Pergunto: Dilma ou Serra sabem mexer no Excel? Pensam com a própria cabeça, ou precisam de algum nerdzinho a dar opinião? Não, não me interessa se ela se veste bem, ou se ele escolhe bem o terno. Eu não me visto lá muito bem (quem se importa?), e isso, pra mim, não é uma característica importante do Presidente da República Federativa do Brasil.
Quero que o futuro Chefe de Estado diga quais são suas prioridades, quais seus recursos, e que dê opiniões claras sobre política externa, transportes, saúde, etc. É a favor ou contra o aborto? Acha que dissidentes cubanos devem morrer? E o salário mínimo, vai aumentar pra quanto? E os incentivos à pesquisa? O Brasil vai continuar a ter uma indústria subsidiada por altos impostos de importação, ou vai investir em ciência e tecnologia?
Somos tão alienados do debate, a administração pública é tão complexa e a há tanta cortina de fumaça com a burocracia e com a ideologia, que votamos no candidato não por suas características como administrador, mas sim por sua afabilidade (somos o tal povo cordato, não?), por seu português impecável (notória exceção do nosso atual presidente, que foge a qualquer explicação que o rotule: é um sucesso que contraria todas as expectativas – nordestino, baixa formação escolar, etc., e foi dos governos mais eficazes, que devolveu a auto estima ao país), por sua vestimenta…
Como se fôssemos o tempo todo um poço de educação, mestres de oratória e super elegantes. Como se candidatos fossem pessoas que, basicamente, não arrotam, não assoam o nariz, tão tiram melequinha do nariz (e paro por aqui com a escatologia).
Élio Gaspari, referendo-se a Serra, disse que esse precisa mostrar uma “plataforma real, livre de marquetagens”. Mas será que quando essa plataforma real for mostrada, saberemos vê-la? Ou daremos crédito?
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Posted by oculos on Jun 4, 2010 in
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Sinceramente, não é que eu seja contra a política externa do Brasil, exceto em relação a Cuba e aos comentários de condescendência com o Presidente do Irã. Acho que Lula foi imperdoável na falta de tato ao tratar dos dissidentes cubanos e ao tomar partido tão imediatamente no caso das eleições do Irã.
Dito isso, agrada-me que o Brasil possa servir em mediações, porque essa é a nossa tradição diplomática, a nossa vocação. O Brasil é tão conciliador que, por exemplo, apesar de uma direita absurdamente hidrófoba, que queria ver sangue no caso da tomada da refinaria brasileira na Bolívia, conseguiu manter excelentes relações com seus vizinhos. Enfim, algo nisso me agrada.
No caso do Oriente Médio, entretanto, algo me soa estranho: o ódio lá parece tão arraigado, tão cauterizado, que esse quadro de “humor” aqui me pareceu grosseiro e inoportuno, e, pela falta de talento humorístico dos atores, pareceu, na verdade, com propaganda de guerra subsidiada.
Ou será que não achei engraçado porque a blague, agora, não foi do Caceta e Planeta com outro país qualquer, mas sim sátira que esculhamba a nós outros?
Gostaria de ouvi-los a respeito.
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Tags: Lula, israel
Posted by oculos on Jun 2, 2010 in
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Nada contra, nada contra mesmo à candidatura de Walter Pinheiro…
Mas não cabia a ele, Walter Pinheiro, um tantinho de humildade e respeito a uma figura histórica, exemplar (no que se refere à vida ilibada) e injustiçada em igual eleição ao senado, e ter desistido em favor de Waldir Pires?
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Ninguém aplaudiu! Pôôô...
Tags: Eleições 2010, PT, Waldir Pires, Walter Pinheiro
Posted by oculos on May 30, 2010 in
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Vitória da Conquista
Eu não sei se o nobre leitor sabe, mas no Edital da concessão à iniciativa privada do serviço de rodovia, mais especificamente da BR-116 (divisa com Minas a Feira de Santana) na Bahia, está prevista a duplicação total de cada trecho caso o volume diário atinja 6.500 veículos.
Alguém duvida que esse alvo já foi atingido?
Ora, basta viajar na BR-116 para perceber que a rodovia está saturada, e que uma duplicação é urgente.
Semana passada, voltávamos de Salvador, quando vimos 4 acidentes entre Feira de Santana e Conquista. A rodovia, apesar do melhor estado de seu asfalto nos dias de hoje, está muito mais lenta. Li hoje na Folha de São Paulo um artigo (disponível apenas para assinantes) onde é mencionado que 90% do tráfego na BR-116 aqui na Bahia é de caminhões. Senhores, 90%!!!! O artigo falava que o crescimento do Nordeste é comparável ao da China, com infraestrutura africana. O cerne é que, com o crescimento do país, é impossível conceber que nosso transporte de carga continue a ser feito por caminhões.
Mas, voltando ao assunto, o Governo deveria informar exatamente qual o tráfego diário de veículos. Algo me diz que o volume necessário para a duplicação completa já foi atingido. Se não foi atingido, foi uma temeridade colocá-lo nesse patamar, porque a rodovia já está inviável nas atuais condições.
Ou isso, ou então vamos encarar mais de 1.000 acidentes por ano em trecho inferior a 400km…
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Tags: BR-116, Bahia, Política, Vitória da Conquista
Os neo-democratas, ou melhor, democratas conforme a ocasião, estão soltos. Quanta hipocrisia…
Refiro-me ao resultado das eleições da UESB. Quando o Prof. Abel Rebouças foi nomeado, apesar de não ter sido o mais votado, onde estava a verve democrática desse povo?
É por isso que, cada vez mais, detesto a politicagem brasileira.
Detesto os argumentos tolos que dizem que o Governador deve nomear A, B ou C. Tolos, porque a LEI dá a prerrogativa ao Chefe do Executivo de nomear alguém DENTRE OS MAIS VOTADOS. A lei, com isso, determina que a sociedade, através do seu representante eleito, é quem tem a palavra final a respeito de quem deve assumir a direção de uma autarquia de tamanha importância.
Além disso, o voto paritário distorce qualquer idéia de legitimidade. O candidato mais votado (ao qual tenho grande simpatia) não foi o preferido por professores e alunos. Assim, sua vantagem perante aos funcionários lhe daria legitimidade? Veja que falo isso por falar, porque legítimo é o escolhido pelo Governador dentre os mais votados, e fim de papo.
Esse discurso hipócrita de hoje é um desserviço à democracia. É uma falta de respeito com um representante do povo, eleito por ele, a quem cabe a prerrogativa INDELEGÁVEL de nomear o Reitor da UESB. É de um oportunismo sem limites tentar misturar as coisas, como se a nomeação da segunda colocada fosse alguma teratologia ditatorial.
Eu, se fosse o Governador, nomearia a candidata ligada a si. O ônus e bônus da atuação da candidata serão do Governador. Ou se o Reitor mais votado for nomeado e fizer uma gestão ruim alguém tem dúvida de que os oportunistas de plantão irão culpar o Governador pela nomeação?
Está na hora de civilizar o debate político, sem esse teatrinho bobo, destinado apenas a garantir os interesses de grupos políticos sob o manto de ideais nobres, como legitimidade, escolha democrática, mas que são apenas palavras, dirigidas com o propósito de sustentar, de forma hipócrita, interesses particulares.
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Tags: Política, UESB, Vitória da Conquista
Eu não quero aqui discutir o mérito da questão da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista (para os d’além-mar, essa foi uma discussão forte no Brasil nos últimos anos, que culminou com a decisão da inexigibilidade da graduação para o exercício da nobre profissão).
A questão é que o jornalismo graduado conhece (ou deveria conhecer) algumas normas básicas e deontológicas referentes à sua profissão. O leigo, não. E como ninguém pode alegar desconhecimento da lei para não cumprí-la, os que se aventuram no mar de oportunidades que a internet proporciona para fruição do legítimo direito de liberdade de expressão acabam por, às vezes inadvertidamente, praticar deslizes éticos e legais. Refiro-me, principalmente, à publicação do conteúdo alheio.
Em Vitória da Conquista temos, como em todo lugar, muitos blogs. Exceto alguns poucos que, por sinal, são geridos por jornalistas de carreira, a grande maioria vive de reproduzir conteúdo alheio, muitas vezes sequer sem citar a fonte. Há blogs, inclusive, cujo conteúdo quase exclusivo é composto de vídeos jornalísticos da emissora de TV local.
Alguns agem de completa boa-fé: um amigo-irmão meu, por exemplo, dia desses me perguntou: “ué, mas se você publicou, não se tornou público?”. A confusão é comum: público x de domínio público. Ao redigir um texto, o autor é o seu dono. Publicá-lo não lhe retira a condição de propriedade do direito autoral. A reprodução por terceiros é, assim, violação indiscutível do direito autoral, o que sujeita o infrator às sanções criminais e civis.
O que é pior, ainda, e intolerável, é a reprodução feita ipsis literis sem que sequer a fonte seja citada. Temos, assim, numerosos blogs, mas poucos, de fato, produzem conteúdo.
Infelizmente nenhum grupo econômico em Conquista atentou para o fato de que há uma verdadeira carência de um site de notícias com informações locais. Há boas idéias e boas intenções que, talvez por falta de financiamento, não cumprem a tarefa. E, assim, com a morte dos jornais de papel, qual será o veículo que informará a sociedade? Blogs reprodutores de notícias esparsas? Blogs tão contaminados por interesses partidários que, se espremer, sai voto? Blogs com gente inteligente, mas sem anunciantes, o que impossibilita a oferta de trabalho digno a nossos jornalistas?
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Tags: Vitória da Conquista, blogs, internet, jornalismo
Posted by oculos on May 18, 2010 in
Política,
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Quando José Serra ultrapassou Dilma Rousseff nas pesquisas, o assunto esteve na primeira página do UOL. Foi tema de reportagens. Lá ficou por longos dias. disso me recordo, pois o fato não foi há tanto tempo assim.
Pois bem: na sexta ou no sábado, o instituto Datafolha divulgou pesquisa em que Dilma voltou a passar Serra nas pesquisas. O assunto ficou por algumas horas na seção principal do UOL, para depois ir para o fundo da página. Depois, nova divulgação de pesquisa CNT/Sensus, com Dilma à frente, teve a manchete dizendo que “Dilma e Serra estão em empate técnico”, para logo depois, também, ir para o fim da página.
Pra mim está absolutamente claro quem é o preferido do Grupo Folha.
Como também continua a me espantar receber e-mails de meio mundo de gente dizendo que a Dilma participou do atentado que matou um sargento (argumento hipócrita, já que estávamos em uma ditadura, e mentiroso, já que o nome dela não consta da lista dos que participaram da ação). Ou que a Dilma é isso, ou aquilo.
Sempre achei que o jogo sujo, dos e-mails e hoaxes, é orquestrado cuidadosamente para difamar candidatos de esquerda. Digo isso porque nunca recebi um único e-mail sequer falando, por exemplo, de filho extra-conjugal de um ex-presidente. Já a da filha do Lula, até em horário gratuito saiu. Enfim, é a versão moderna das famosas cartas anônimas, colocadas por baixo das portas em décadas passadas, cujo único objetivo era o de divulgar boatos e difamar a honra alheia (ou mesmo espalhar um acontecimento legítimo, sob o manto do anonimato).
Mas o certo é que, 8 anos depois, o Brasil não quebrou, como disseram que ia quebrar. Não faliu, como disseram. E não nos sovietizamos nem um pouco. Claro, como todo brasileiro, sinto que a política ficou mais homogênea. O PT, infelizmente, cometeu deslizes. Passou a ser vidraça. Nosso país não deixou a corrupção para trás, ao contrário do que imaginávamos. Quem diria: dizia-se que o governo do PSDB era corrupto, mas sabia administrar. E eu dizia que não se vendem princípios. Os anos passam, e a gente aprende e se surpreende: o PT administrou muito melhor que o PSDB, mas assimilou algumas práticas por pragmatismo puro.
Acho eu que nunca tivemos uma auto estima tão elevada. O Brasil volta a ser o país do futuro. Mas a verdade é que continuamos tão bárbaros quanto antes. Nosso jogo político ainda é do nível das cartas anônimas da década de 60/70, e da imprensa de direita-tipo-Globo-do-debate-CollorxLula.
E vou concluir, antes que comece a falar da hipocrisia e cinismo do Geddel falar mal de Wagner, em cujo governo estava até alguns poucos meses atrás, sob forma de cargos, sem que tenha a decência de assumir a responsabilidade pelos erros do governo. Ou pela hipocrisia e cinismo de dizer que não houve transferência de recursos do Governo Federal para a Bahia sob o governo de Wagner, quando ele mesmo, Geddel, foi acusado de ter usado recursos destinados a situações de emergência em valores astronômicos para a mesma Bahia. Ou das conversas de alianças Wagner-César Borges-Geddel, como se programa de governo fosse o que menos importasse – vão se xingar em um teatro para platéia no horário eleitoral gratuito.
O certo é que política é que nem viver em um mundo virtual, como Matrix: lá, como cá, há apenas uma aparência destinada a chamar a nossa atenção quando, de fato, somos apenas um instrumento para a busca do poder deles, uns com melhores intenções que os outros, mas sempre desejosos de poder. E nos convencem direitinho, os danados… Somos como torcedores de times de futebol, cegos pelas cores das bandeiras, sem perceber que, lá no gramado, são 11 jogadores de um lado, em nada diferentes dos outros 11 do outro lado, a não ser pelas cores que seus uniformes ostentam. E nós, como malta ensandecida, optamos por um desses times, ou partidos políticos, que hoje digladiam-se, amanhã amam-se, mas que todos os dias nos fazem de idiotas.
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Tags: Dilma Rousseff, Mídia, PT, Política, Sucessão Presidencial, josé Serra
Posted by oculos on May 7, 2010 in
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Enfim, tudo o que eu queria dizer sobre o assunto, já tendo escrito aqui algumas vezes sobre o tema, mas sem a genialidade do articulista. Sobre a incoerência da lei eleitoral no que se refere a propaganda.
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