Posted by oculos on Dec 29, 2011 in
Política,
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Vitória da Conquista
Vejo em um blog da cidade uma notícia que me causa espanto, indignação e raiva. Não sei porque, já deveria eu estar acostumado…
Pois bem: o Secretário de Planejamento do Governo da Bahia, sr. Zezéu Ribeiro, diz que “Ainda não[sabe]” quando vão iniciar as obras do aeroporto de Vitória da Conquista.
O comentário ilustra algumas coisas importantes:
1 – Como é que um secretário de planejamento tem a coragem de ir a Vitória da Conquista e dar uma resposta idiota dessas, por mais honesta que seja?
2 – Como é que um secretário de planejameto não tem idéia a respeito do início da obra mais esperada, desejada e adiada de toda uma região?
3 – Como é que um secretário de planejamento é incapaz de gerenciar com cuidado algo que é tão caro a uma cidade que, por sinal, tem dado voto de confiança às administrações do PT?
E não se diga que, por ser arquiteto, o Sr. Zezéu Ribeiro não teria formação profissional apta a gerenciar a Secretaria de Planejamento, talvez pasta mais apropriada a economistas, ou sei lá o que. Primeiro, porque uma das maiores gestoras que conheci é, justamente, arquiteta. Segundo, se essa profissão fosse inadequada, que não se colocasse alguém sem qualificação para gerenciar pasta tão importante.
Mas isso dá mostras de uma incompetência dos nossos políticos que é algo que, em outros lugares, já os teria enforcado: como é que anunciam uma obra, por reiteradas vezes, para depois virem a público para dizer que “vão ter que captar mais recursos para a obra?”. Será que políticos são incapazes, de uma incapacidade inata (perdão pela redundância), de gerenciar alguma coisa? De falarem algo limpo? De prometerem algo que realmente desejam cumprir?
É por essas e outras que o Brasil é essa coisa confusa: a China constrói um aeroporto em tempo recorde, uma ferrovia no estalar de dedos. Mas, no Brasil, administrar é algo que os políticos fazem muito a contragosto. É um encargo que têm que suportar enquanto fazem política. E, se o Sr. Zezéu Ribeiro vai a Vitória da Conquista e não sabe a resposta para uma pergunta como essa, deveria ter ficado em Salvador fazendo o que quer que faz por lá. Assim, pouparia o dinheiro dos contribuintes. Não fosse o Brasil um país democrático (e democracia, infelizmente, acaba permitindo a cara de pau irrestrita – coisa que também é comum em ditaduras, diga-se), um cidadão desses seria proibido de pisar em Conquista até que tivesse algo a dizer, ou melhor, contas a prestar.
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Posted by oculos on Dec 7, 2011 in
Direito,
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Vitória da Conquista
A situação era conhecida, todo mundo sabia, e ninguém fazia nada: sempre que algum professor da FTC era demitido, tinha que mover processo judicial para receber os valores devidos a título de FGTS.
Até aí, nada de anormal: a Justiça está aí pra isso, e dela se utilizar para receber parcela trabalhista não-paga é absolutamente corriqueiro.
O problema começa quando se nota que TODOS os funcionários da FTC, ao serem demitidos tinham que percorrer idêntico caminho, e isso desde 2006 (provavelmente até antes disso, mas a memória não me ajuda aqui).
Pergunta: como foi possível que, durante esse tempo todo, essa situação perdurasse sem que ninguém questionasse o que estaria acontecendo?
Sim, porque, ao que todo o resto indicava, a FTC seria uma instituição em franco crescimento: suas filiais recrutavam cada vez mais alunos, a publicidade da empresa era onipresente, os alunos costumavam adiantar os pagamentos semestrais através de cheques.
Porém, insistentemente, a instituição, apesar do estilo de vida de ostentação e luxo de alguns dos seus proprietários (muito se falou do apartamento luxuoso do Sr. Gervásio Oliveira, sócio da instituição), parecia sangrar de propósito.
Algo que era de conhecimento de todos era o fato de que, alguns anos atrás, a empresa começou a adotar a tática de não mais demitir seus funcionários – esperava que estes “caíssem de maduro”. Ou seja: não davam mais horários de aula para alguns professores, ou simplesmente comunicavam a demissão de forma informal, a fim de “cavarem” uma briga judicial que lhes permitissem prorrogar o pagamento das verbas rescisórias. Era comum o funcionário de RH dizer ao empregado demitido “isso só pagamos na justiça”, mesmo se tratando de verba corriqueira como aquela do FGTS.
Sendo a FTC uma empresa autorizada pelo Ministério da Educação, prestando, assim, serviço público (Educação), sempre foi estranha a grande mudança de personalidade jurídica. Primeiro, SOMESB. Depois, IMES. Tudo isso dificultava a execução das dívidas trabalhistas. Depois, engenhoso esquema financeiro foi montado para que o dinheiro que ingressava na faculdade (oriundo das mensalidades dos alunos) não fosse visto pela Justiça: a sua folha de pagamento foi, aparentemente, terceirizada! Ao invés do dinheiro entrar direto na conta da FTC, os valores pagos pelos alunos eram depositados na conta de uma empresa sediada em São Paulo, fora, portanto, do alcance das penhoras online da Justiça.
Nesse meio-tempo, as notícias de mandados de prisão contra o Sr. Gervásio Oliveira pipocaram nos noticiários, mas a omissão da grande imprensa, normalmente destinatária da publicidade ostensiva da FTC, causa espanto.
Para efeito de comparação, quando a FAINOR, de Vitória da Conquista, proporcionalmente bem menor do que a FTC, passou por problemas financeiros, a comoção social foi enorme, a ponto de que uma ampla negociação foi feita com professores que deixaram a instituição, sendo que, até onde se sabe, todos os acordos foram devidamente honrados. Por que só agora os professores da FTC entraram em greve? Por que não houve nenhuma comoção antes?
Perguntas, então, que exigem uma resposta:
- onde está o MEC, que, após sucessivas inspeções na FTC, após sucessivos rebaixamentos nas notas dos cursos da instituição, após sucessivos cortes no número de vagas de alguns cursos, nunca pareceu atentar para o problema do FGTS?
- onde está o Ministério Público do Trabalho, que parece nunca ter procurado verificar a precarização das relações de trabalho de uma faculdade que não é qualquer uma, mas talvez a maior faculdade de ensino privado do Nordeste?
- onde está a Justiça do Trabalho, que, a despeito de centenas de reclamações trabalhistas, até recentemente, chegou a recusar o pedido de advogado, de enviar o caso ao MPT (o que talvez responda em parte a questão anterior) para que este investigasse a situação, sabendo que se tratava de empresa de grande porte que, curiosamente, tinha apenas centavos em suas contas-correntes?
- onde está o Ministério do Trabalho?
- onde estavam os professores que hoje fazem greve, quando assistiam a seus colegas serem demitidos e viam estes terem que brigar na justiça para receberem o FGTS?
- onde estavam os alunos, ao verem as notas de seus cursos caírem, e ao tomarem conhecimento de que seus mestres eram diariamente vilipendiados no que se refere aos seus direitos trabalhistas mais indiscutíveis?
- onde estava a imprensa, que parece nunca ter visto nada?
Quem acompanhava judicialmente a questão, compreendia que havia (e há) uma estrutura jurídica bem montada com o propósito de enriquecimento dos donos da FTC às custas do suado trabalho de seus funcionários. Não se podia compreender como uma instituição em franco investimento podia ser tão omissa quanto aos pagamentos de seus professores. A coisa era deliberada. Mas, curiosamente, era tratada de forma individual: cada professor que matasse seu leão quando chegasse a hora.
E, pior: havia um valor depositado na Justiça Estadual, referente ao Prouni, em favor da FTC, não liberado porque parece ter havido irregularidade nessas bolsas.
Não quero aqui criticar o ensino privado, mas perguntar não ofende: como pode uma instituição de ensino, cujo objetivo primordial é formar profissionais éticos, preparados para o mercado de trabalho, ou, dizendo de outra forma, cujo objetivo é educar, pode se comportar de uma forma tão mesquinha, tão aviltante, tão deplorável?
Lembro-me de professores-doutores, usados de forma descartável, que se mataram para aprovar determinados cursos e depois foram praticamente chutados da instituição. Lembro-me de árduos defensores da FTC, inclusive diretores, que depois tiveram que entrar na fila para tentar receber algum dinheiro que caísse por acidente dos seus proprietários.
Preferia que a FTC não caísse de podre. Preferia que as pessoas acordassem, e que a instituição fosse publicamente confrontada, e não incensada, como se fossem respeitáveis cidadãos ou próspera empresa. Gostaria que seus donos tivessem que enfrentar uma cela fétida. Incomoda-me não tanto os crimes pelos quais alguns são investigados – “operação jaleco branco”, “octopus” e outros nomes. Incomoda-me que seu enriquecimento tenha ocorrido através da espoliação sistemática de professores, profissão que merece respeito, e não funcionário de RH mandando “buscar na justiça”.
P.S. – Não posso deixar de fazer uma homenagem anônima e silenciosa a determinado Procurador da República e a determinado Juiz Federal, que não se reduziram à burocracia das funções que ocupam, mas que promoveram as devidas diligências a fim de defenderem os interesses dos alunos em determinado processo contra a FTC. Queria que a Justiça do Trabalho fosse igualmente diligente. Não foi, e não é – pelo menos até onde vi.
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Tags: FTC, Gervásio Oliveira, Vitória da Conquista, justiça
Posted by oculos on Dec 2, 2011 in
Oslo,
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Vitória da Conquista
Vai este quem vos escreve fazer sushi. Entendam: em Vitória da Conquista, eu acredito que era o maior consumidor de sushi da cidade. Um dia vou perguntar pra minha amiga que tem um delivery de sushi em Conquista se eu era o cliente mais frequente.
Mas, estamos em Oslo, a cidade mais cara (ou segunda) do mundo, onde comer fora frequentemente não é uma opção. Então, descobri que, por um acaso, salmão é uma das coisas (relativamente) baratas que tem por aqui. E resolvi aprender a fazer sushi. Ou melhor, a tentar aprender.
Consegui fazer bolinhos de arroz com salmão por cima, mas não me atrevo a chamá-los de niguiri. São feios, disformes e com um arroz empapado. Mas dá pra comer e matar a saudade de sushi de verdade.
Ocorre que parei de comprar o salmão congelado, para comprá-lo fresco. O sabor é outro. E hoje, para não gastar muito, comprei um em promoção. Só que o tabaréu aqui, cujos conhecimentos de norueguês não são assim uma Electrolux (pra escandinavizar a metáfora, sacou?
, não notou o “Røkt” na porquera da embalagem. Resultado: depois do arroz cozido e preparado, percebi o cheiro: “røkt” quer dizer “defumado”…
Fiz a disgrama do sushi assim mesmo, que coroa norueguesa não dá em árvore. Mas confesso que um estomazil cairia bem agora… :S
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Tags: Oslo, niguiri, sushi
Posted by oculos on Nov 17, 2011 in
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Vitória da Conquista
Descobri, finalmente, a razão de nossas mazelas: A sensibilidade exacerbada.
Ora, vejamos:
Uma ministra do STJ diz que existem “bandidos de toga”, e só faltou ser crucificada. Um deputado falou que 30% dos seus pares não se salvam. Jornalista em Conquista, participando de movimento, critica entidade de classe e recebe críticas de referida entidade.
Por trás das respostas às críticas acima, sempre o mesmo argumento: “generalização”.
É, como já disse aqui antes, infantilizar o debate, tentando esvaziá-lo com argumentos meramente formais. Ou seja: ao invés de discutir a essência da crítica, tenta-se desqualificá-la sob o argumento de generalização. É como se, de repente, dizer que “ganha-se muito mal no Brasil” seria uma mentira apenas porque algumas pessoas ganham bem.
No caso do Caíque, a situação é ainda mais surreal, porque a ADUSB, entidade que o critica, não costuma usar de linguagem lá muito franciscana quando revolta-se (sempre com razão) contra o poder incubente. Aliás, nunca vi movimento algum de protesto usar palavras de ordem do tipo “Governador (ou prefeito) mauzinho!!! Assim não vem mais!!!”. Para quem já viu até enterro simbólico de prefeito, eu acho que “masturbação mental”, uma das expressões que o Caíque teria usado, é até pudico.
Pior: a ADUSB, ao falar em patrulhamento, não só patrulha, como ainda ameaça de forma velada, lembrando do vínculo profissional do Caíque. É vergonhoso, porque espera-se de uma entidade formada por professores o estímulo ao pensamento plural, à crítica, à indignação. Talvez até incentivem isso, mas não contra eles próprios. Crítica sempre é bom quando é contra os outros.
Em um país tão acomodado como o nosso, a provocação para que a academia participe de um debate construtivo é bem-vinda. Pode até ser que a boa parte dos professores tenha algum engajamento em uma mudança social, ou mesmo o contrário. O que importa, no caso, não é a verdade ou inverdade da afirmação. O que me parece grave, aqui, é essa sensibilidade de freira carmelita (com todo respeito às religiosas), justamente quando se sabe que, em protesto contra o sistema, não se pode esperar suavidade.
Eu, se estivesse em Conquista, pode ser até que não teria participado da manifestação. Estaria, é bem possível, enchendo a “pança de batata frita”. Mas, se assim estivesse, me sentiria envergonhado por, em um país tão injusto, não estar protestando.
Aliás, professores devem entender que são, mais do que ninguém, exemplos. Portanto, devem acostumar a ser vidraça também. E, se injustas as críticas, que contestem-nas. Agora, protestar contra o ato de criticar, chegando ao absurdo de dizer que seu exercício beirou a injúria é, mais do que desconhecimento jurídico, intolerância.
E, sinceramente, tenho medo de professores falando que tal manifestação seria um “germe da desagregação”. Muito fascistóide pro meu gosto. Como assim desagregação, cara pálida? Devemos agregar-nos? Com quem? Com a ADUSB? A ADUSB, por acaso, defende o pensamento único, em torno do qual devemos nos agregar?
Acho que a crítica do Caíque não usou de palavras que eu, cheio de não-me-toques que sou, não usaria. Mas acho que esconde, no fundo, uma decepção: se em protestos desse tipo professores não se fazem presentes, acaba por retirar-lhes um pouco de contundência. Porque são eles quem nos ensinaram a indignação. É como se, de repente, tivéssemos sido traídos.
Confesso que, ao receber os primeiros releases sobre o “Nas Ruas”, fiquei preocupado. Nossos professores sempre nos ensinaram a ter medo de movimentos que se dizem apartidários. E estavam certos – vide o “CANSEI”. O problema é que as esquerdas, no poder, provaram que corrupção não tem ideologia. Antes de defender o capitalismo, o socialismo, ou outro ismo, o que estamos pedindo é tão-somente decência com a coisa pública. Sim, eu continuo achando que o capitalismo é, em essência, corrupto. Por isso, acabo sendo de esquerda. Mas há algo legítimo em um pouco de pragmatismo quando se pede, simplesmente, decência. O “Cansei” era dissimulação de burgueses para desestabilizar um governo. Já os Nas Ruas me parece, simplesmente, um legítimo movimento social em uma hora em que a demissão de ministros por corrupção está se tornando algo corriqueiro.
E sim, nossa omissão até hoje deixou que a corrupção se alastrasse.
Não vi nenhuma intolerância em relação às diferenças, conforme afirmou a ADUSB. A crítica do Caíque, dando o desconto para as palavras de ordem e retórica de protesto, resume-se no sentido de falta de envolvimento da Academia nos protestos. Concorde-se ou não com essa falta de envolvimento, parece ser razoável tal crítica. Pode até não agradar, mas, no academicismo de alguns, há pouco ativismo, exceto nas catarses das greves.
E acrescento: infelizmente, não só os professores foram omissos. Fomos, também, nós, advogados. Servidores públicos. Médicos.
Falta de motivos para protestar não é o caso. Falta-nos, na verdade, coragem.
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Tags: ADUSB, Caíque, Nas Ruas, UESB
Posted by oculos on Nov 12, 2011 in
Política,
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Vitória da Conquista
Dizem que Conquista é uma cidade politizada. Não acho. Conquista é uma cidade onde a frivolidade é centrada na política, como se esta fosse apenas a Sessão da Tarde, ou a revista Contigo. Enfim, é um passatempo. Aliás, não é diferente no interior da Bahia – a polaridade na política é onipresente na maioria das cidades, com as famílias devidamente alinhadas a um ou a outro grupo político.
Isso, penso eu, é extremamente alienante. Pessoas bem-intencionadas acabam apoiando causas ruins em nome do grupo político que integram, apenas para evitar o fogo-amigo. Do mesmo modo, criticam projetos adversários apenas por serem defendidos por estes.
O pior é quando políticos agem a reboque dessa forma simplista de agir com a coisa pública. Vereadores ou jogam movidos com certo medo da opinião pública (o que seria, em tese, bom), ou simplesmente de acordo com sua posição nessa polarização da política: se são oposição, tendem a criticar tudo e, se situação, costumam defender tudo.
Poucos são os políticos que procuram ter uma postura construtiva, independente ou destinada a criar decisões mais discutidas, ou de acordo com a própria consciência.
O maior exemplo disso é a questão do Centro Cultural Banco do Nordeste.
Pelo que me lembro, referido centro seria destinado a funcionar onde hoje existe a Feira do Paraguai. Difícil pensar em melhor lugar: estacionamento de sobra (à noite), central, com acesso às principais artérias da cidade, transporte público frequente, e possibilidade de revitalizar uma região degradada.
Pois bem: a prefeitura, então, coloca o debate da seguinte forma: ou será na Praça Sá Barreto, ou não será em lugar nenhum. Aí o que os vereadores (e bons amigos meus) fazem? Votam com o seguinte raciocínio: “o melhor lugar seria no centro, mas, para não perder o equipamento, vamos aprovar”. Ou seja: não quiserem arriscar um desgaste com a opinião pública.
Na verdade, a administração de uma cidade deveria ser coletiva. Se os vereadores, quando chamados a discutir uma séria questão (ao invés da costumeira trivialidade de mudança de nomes de ruas, indicações do tipo “indicamos enviar o fulano à lua” sem consideração com orçamentos, etc.) preferem não assumir riscos ao invés de promover uma adequada consulta às suas bases, apenas para salvar a pele, isso apenas aponta que o parlamento não tem a devida autonomia ou interesse pelo coletivo – apenas joga para a torcida e pela auto-preservação. A cidade que se dane.
Sempre votei nas administrações de esquerda, e sempre nelas continuarei a votar. Apóio o atual governo, do qual fiz parte, inclusive. Mas essa decisão foi praticamente empurrada goela abaixo, e, infelizmente, nenhum vereador deve a coragem de não ceder à implícita chantagem do “ou aqui ou em lugar nenhum”. Eu prefiro uma Câmara que erre com coragem do que acerte com medo. Medo é bom freio quando se toma uma decisão apenas por um motivo político, em detrimento da população. Mas é péssimo incentivo quando destina-se apenas a decidir para não ficar feio na foto.
Conquista precisa de praças, de lugares abertos. O surgimento da cidade, quase sem planejamento, fez da ocupação desordenada uma regra. Com o surgimento de shopping centers mais afastados, os centros da cidade de varias cidades enfrentam, sempre, estagnação. O de Conquista já começa a estagnar-se, seja por causa do trânsito, seja por causa da migração dos serviços públicos para lugares descentralizados. O que será do centro de Vitória da Conquista daqui a 10 anos, com o Poder Judiciário todo na Estada para a UESB, com Shopping Centers em franca expansão, e com milhares de novos carros postos em circulação?
No entanto, um bom equipamento para trazer cultura ao centro é destinado a uma região quase predominantemente residencial, sem muito estacionamento e com o argumento de que estaria próximo a bairros populares, como se existisse algum lugar em Conquista que não estivesse próximo a bairro populares…
Enfim, não conheço bem as razões para a escolha do local. Vai ver até exista alguma exigência do BNB – eu não me lembro de ter ouvido isso, mas pode ser que seja essa a razão. Mas fico triste pela excelente oportunidade perdida pela cidade. E fico triste de que nossos destinos sejam tratados por vereadores que preferiram se omitir para salvarem suas cabeças ao invés de serem firmes em uma postura mais democrática.
P.S. – Não, não passei para a oposição. Continuo a admirar o governo como sempre o fiz. Mas, da mesma forma que seria estúpido acreditar que todos no governo concordam com tudo o que ali acontece, seria também cínico ou hipócrita achar que não posso criticar algo no governo só porque sou alinhado com ele.
P.S.2 – Sim, eu sei que pessoas que só querem atingir o governo podem usar meus argumentos apenas para prejudicarem um adversário. O problema é dessas pessoas, não meu. Se seu modo de fazer política consiste nesse comportamento mesquinho de que tudo da oposição é bom e tudo do governo é ruim, não preciso eu agir da mesma forma de fingir que tudo que eu mesmo faço e apóio é bom e tudo o que os outros fazem é ruim. Ingênuo? Talvez. Mas é mais honesto e menos cínico.
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Tags: Centro Cultural do BNB, Vitória da Conquista, vereadores
Posted by oculos on Nov 9, 2011 in
Política,
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Vitória da Conquista
De longe, acompanhei nessa semana a repercussão de artigo do querido Prof. Paulo Pires, que, em seu texto sempre muito bom de se ler, protesta contra o protesto, ou melhor, contra a manifestação motivada pelos dados divulgados pela revista Veja, que situam Conquista como a pior cidade do Brasil no quesito educação. Para o Prof., pelo que entendi, “Vergonha Nacional” seria um termo pejorativo demais para uma cidade como Conquista.
Meu amigo Gutemberg Macedo, da OAB, pelo que li em outro artigo do Prof. Paulo Pires, teria dado um “puxão de orelha” no Prof. Paulo Pires, e este teria recebido críticas no sentido de que seu artigo acabaria por defender o prefeito.
Eu confesso que não sei como me posicionar. Não acho eu que tenho que me posicionar sobre tudo nessa vida, mas gosto de ter idéias claras.
Gosto da idéia do protesto. Eu prefiro protesto errado, mal direcionado, do que ausência de protesto. Políticos precisam ter medo. Autoridades são bajuladas a todo instante; é preciso sempre mostrar-lhes que devem um trabalho bem-feito à sociedade. Nesses termos, acho que o protesto foi bem-vindo.
Por outro lado, acho que essas coisas acabam sendo factóides. Sinceramente: alguém precisaria da revista Veja para descobrir que a educação pública sempre foi ruim em Conquista, na Bahia e no Brasil? Ou será a Veja agora a única fonte de visão para nós, cegos a respeito da nossa própria realidade?
Alguém acha que a educação de Conquista é de fato a pior do Brasil? Alguém acha que é a melhor? Isso importa?
O que importa, acho eu, é conhecer a realidade da educação e se envolver com ela. É saber quem são os professores que ensinam aos nossos alunos.
Penso que o uso de palavras de ordem como “Vergonha Nacional” deveria ser o que menos importa. Pra mim, não passa de slogan. Não passei a ter vergonha de Conquista por causa dos dados da revista Veja, nem meu orgulho diminuiu. Não foi a Veja quem me disse que a educação em Conquista é ruim – a educação no Brasil é ruim, e migalhas decimais em avaliações de ensino não vão exatamente me fazer crer que essa educação seja a pior, como quer a reportagem, nem que seja excelente, como os textos oficiais querem fazer crer.
Pra mim, esse é o problema: introduzir o elemento paixão na briga política é sempre tentador, mas não sei se constrói. Nem dizer que a cidade é vergonha nacional, nem dizer que ama Conquista – tudo isso, parafraseando um texto conhecido, contribui tanto para resolver o problema quanto “mascar chiclete contribui para resolver uma equação matemática”.
Agora, cabe a pergunta: o que os políticos da cidade – oposição e situação – querem fazer para resolver o problema?
Preocupa-me o fato de que o Brasil, neste ano, alcança a posição de 6ª maior economia do mundo. Parece piada – estamos entrando na porta das nações mais ricas pela porta dos fundos. Mas não há um esforço de desenvolvimento direcionado a melhorar a educação. Há um esforço para fazer as obras da copa em um tempo hábil, isso sim, dá pra se ver…
A realidade da educação é fruto do dilema do Brasil: falta de vontade de ruptura. Sim, ruptura. A mera injeção gradual de recursos, ao que parece, só contribui para manter a educação nos níveis ruins que se encontram. Professores mal remunerados produzirão péssimos resultados. Escolas mal conservadas, idem.
Eu acho urgente uma avaliação contínua dos professores públicos nas áreas em que atuam. Com a qualidade de muitos professores que temos, sem acesso a salário que lhes permitam uma vida digna, como exigir deles que mantenham-se reciclados, atualizados, empenhados e motivados? E, com professores assim, o que esperam? Que alunos tenham acesso a ensino de qualidade?
Sinceramente, não são números da revista Veja – esse lixo de jornalismo – que irão me fazer descobrir que nenhum professor que ganha salário mínimo – ou dois, ou três – poderá desempenhar bem sua profissão. Não são os números daquela revista de gente reacionária e vendida que irão me dizer que escolas projetadas sem levar em conta a utilidade dos prédios para a tarefa de educar estarão fadadas a se transformar em depósitos de alunos.
Um dado interessante, que talvez ajude a entender um pouco a coisa toda: o Brasil é um país com baixo grau de individualismo, de acordo com o site Geert Hofsteder Cultural Dimensions. Esse site faz uma análise de dimensões culturais. No Brasil, para o bem e para o mal, nossa sociedade não é muito individualista. Nós somos um país extremamente generoso. Por outro lado, esperamos que a coletividade nos dê o que precisamos, esquecendo-nos que temos que construir essa coletividade. Eis os gráficos – Brasil e Noruega:
Ou seja: não parece que cabe a nós, cidadãos, resolver o problema da educação. Não conhecemos as salas de aula onde nossos filhos estudam. Alguém já foi ajudar a limpar a escola? Alguém já coordenou algum mutirão de reforma? Alguém já organizou doações de material para a escola de sua comunidade?
Não – essas funções são sempre de outras pessoas. A culpa é do Prefeito, a culpa é do dono da escola particular, a culpa é dos professores… Enquanto não começarmos a nos envolver com os serviços públicos, ficaremos sempre sujeitos à realidade que não conhecemos – a dos baixos orçamentos públicos, que, segundo os políticos, impedem avanços significativos. Nunca conheceremos a real dimensão dos numeros – quer dos de Veja, quer das cifras orçamentárias. Com isso, vamos conduzidos como gado por slogans como “Vergonha Nacional” ou “Ame Conquista”. O problema, diremos, não é nosso – é do prefeito.
Não quero eximir a Administração Pública quanto a isso – acho que política, infelizmente, não segue a ciência da administração (ou Teoria da Administração). Segue uma lógica de poder que nem sempre coincide com as melhores escolhas. Mas acho que poderíamos ter o melhor prefeito do mundo, e a situação não seria nunca a ideal, pois o ideal sempre passará por um governo onde a sociedade, de fato, conheça a administração e com ela se confunda.
Voltando ao protesto – o ruim dessas coisas é que tudo acaba se politizando (no sentido ruim da palavra) – quem protesta pela qualidade da educação acaba sendo de oposição, e quem reclama do protesto acaba sendo de situação. Mas a educação, mesmo, com ela parece que ninguém se preocupa. Tudo, no fundo, acaba sendo reduzido à responsabilidade do prefeito (como se a comunidade nada tenha a ver com isso), ou ao desamor à cidade, ou à confiabilidade dos dados. Pergunto eu, que gosto de perguntar coisas: se os dados dissessem que estamos entre as 10 melhores cidades em educação pública, alguém aí estaria satisfeito, ou amaria Conquista por causa disso?
E o assunto voltará a dormir até que algum outro dado estatístico venha a dar um novo “barato” a quem precisa dele para fazer a sua “viagem”…
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Tags: Paulo Pires, Veja, Vitória da Conquista, educação, revista Veja
Posted by oculos on Oct 5, 2011 in
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Vitória da Conquista
Escrever sobre o próprio país quando se está longe pode ser uma tarefa delicada. A distância e as novas experiências dão uma visão privilegiada, mas também, se a reflexão não é cuidadosa, pode revelar-se arrogante ou mesmo imatura, por desconsiderar as peculiaridades do determinado país.
Feita reflexão acima, eu devo dizer que algumas coisas me chamam a atenção na forma que a gente vê as coisas no Brasil. Imagino que discutimos muito as coisas sem uma visão finalística, de resultado, mas apenas com um certo viés imediatista. Dois casos me fizeram pensar muito nisso.
Um, é o Exame de Ordem da OAB. Conversando com colegas de lugares tão variados, não conheci um só exemplo de país onde o exame de ordem não existe. Pelo contrário: as exigências para o ingresso na carreira da advocacia são quase sempre mais duras do que no Brasil, envolvendo, além da graduação, um tempo de mestrado, de estágio em escritórios (além daquele realizado na graduação), etc.
No Brasil, o que se diz? Não vi um só defensor da abolição do Exame de Ordem discutir se este é ou não útil para melhor o nível da advocacia, que é o que está realmente em jogo. O debate passa sempre pela (in)competência da OAB para regular o acesso à profissão, à vontade da Ordem em arrecadar, em que o MEC é quem deveria fiscalizar, que o Exame seria inconstitucional, etc. Ou seja: tudo o que NÃO importa tanto quanto o fato de que é absolutamente necessário maior rigor no acesso à advocacia, e isso qualquer pessoa atuante nos forums (ou “fori”, para preservar o rigor latino) pode testemunhar. O nível de preparo dos advogados no exterior é impressionante. Vi advogados que saíram das faculdades especializados em Propriedade Intelectual, Direito da Tecnologia da Informação, etc. E no Brasil, a preocupação com a qualidade dos nossos profissionais parece ser a última em ordem de relevância entre os argumentos contra o Exame de Ordem. O interesse individual é sempre maior do que o coletivo.
Igual reflexão fiz em relação ao projeto de lei que atualmente virou moda em algumas cidades, e agora está a ser analisado em Vitória da Conquista, sobre a regulamentação do horário de funcionamento de bares. Os argumentos contra o fechamento dos bares depois de determinado horário são sempre os mesmos: suposta inconstitucionalidade, aumento do desemprego, cerceamento da liberdade e de uma opção de lazer. O que realmente importa, a questão da suposta redução da criminalidade e da ampla discussão de que a forma de lazer da juventude hoje resume-se, nas médias e pequenas cidades, ao consumo de álcool em bares, não é sequer lembrado.
E quando a discussão passa pela constitucionalidade, parece piada, porque subitamente, o Brasil se transforma no país mais garantidor das liberdades, mais democrático e mais humano do mundo, como se países onde o controle da venda em bares de bebidas alcoólicas fossem exemplos de ditaduras (justo países como Reino Unido, Noruega, Japão e Estados Unidos).
Eu não estou dizendo que o Brasil não teria uma realidade única, e que não poderia ser vanguarda no debate das garantias civis, ou que sempre teria que respeitar, como se fosse um cão vira-lata, o entendimento de outros países. Só acho que, por conta de décadas de ditadura, desconfiamos tanto do Estado e não enxergamos mais o que é interesse coletivo (digo isso inspirado no que disse um dos primos meus em uma discussão no Facebook). Aqui na Noruega foi feita uma pesquisa que apontou a relação entre a venda de álcool e o aumento da violência.
O bom de se morar fora por um tempo é perceber que às vezes temos que pensar no que queremos, e não apenas se algo está de acordo com os paradigmas que construímos como uma jovem nação, ainda um tanto insegura com o que seríamos quando donos do nosso próprio destino.
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Posted by oculos on Nov 14, 2010 in
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Vitória da Conquista

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Posted by oculos on Nov 9, 2010 in
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Vitória da Conquista
Hoje estou realizando um sonho. Estou, juntamente com o amigo Marcus Vinícius Nunes, inaugurando o site www.vitoriadaconquista.com.br. Trata-se do primeiro site jornalístico da cidade.
Conquista têm algumas páginas dedicadas à notícia. Todas são blogs. Entendemos que faltava um órgão destinado à notícia de forma profissional, isto é, com uma equipe de jornalistas voltados à produção de conteúdo noticioso.
Portanto, peço aos leitores amigos que dêem uma visitada no site, e digam o que acham.
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Posted by oculos on Oct 19, 2010 in
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Vitória da Conquista
Li com tristeza que o governo de São Paulo não vai mais, por enquanto, licitar o projeto de ligação por trilhos do Centro da capital do Estado ao aeroporto de Congonhas. A justificativa foi o fato de que a atual demanda, de 18 milhões de passageiros, pode não ser suficiente para garantir a viabilidade do projeto.
A notícia me incomoda porque traz em si a mania de pensar pequeno. O aeroporto de Zurique, na Suíça, teve, em 2008, demanda de 22 milhões de passageiros. Porém, já em 1995, havia trem ligando aquele aeroporto à cidade. A população da Suiça inteira é menor do que a da cidade de São Paulo. O aeroporto de Estocolmo teve 16 milhões de passageiros em 2009, e já conta com trem de alta velocidade que o liga à estação central da cidade.
Estamos falando da maior cidade do país e uma das maiores do mundo, com dois aeroportos, com um tráfego aéreo que só aumenta, e com demonstrações de demofobia. Primeiro, porque os novos passageiros que vão aos aeroportos são das classes B e C. Seria interessante, assim, que tivessem meios melhores para que chegassem aos terminais com mais facilidade. Em segundo lugar, é incrível como o Brasil releva sua falta de estrutura. Todos os países emergentes que hoje estão em franco desenvolvimento (Coréia, China, Índia, Taiwan, etc.) têm altos investimentos em ferrovias e conexões férreas entre as cidades e seus aeroportos. Aqui, tudo é desculpa: “o dinheiro poderia ser melhor aplicado nisso ou naquilo”.
É importante que o país se valorize, que se invista em infraestrutura, que se crie mecanismos de transporte que não sejam excludentes, e que se pense na modernidade do país. Trata-se de um país que cresce, e que precisa mudar a sua cara de atraso.
Daí minha dificuldade de entender as críticas ao trem-bala. Num país onde viajar não é exatamente tão barato, é sendo país enorme, precisamos de ligações férreas e rápidas entre as cidades. Há questões ambientais envolvidas, há saturação de aeroportos, há a qualidade do transporte ferroviário e há a necessidade de fomento à aquisição de know-how para novas tecnologias do setor ferroviário.
Infelizmente, o governo de São Paulo tomou essa medida. Infelizmente o candidato Serra critica o Trem-Bala.
Infelizmente, ainda, o governo Lula andou meio devagar com a Ferrovia Oeste-Leste, e infelizmente o traçado dessa ferrovia foi infeliz, pois deveria contemplar Vitória da Conquista.
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Posted by oculos on Oct 3, 2010 in
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Vitória da Conquista
Nada lembra mais a Diatadura Militar do que as eleições. Aliás, acho que a forma de condução do processo eleitoral hoje é, talvez, sob alguns aspectos, mais ditatorial do que na época da Ditadura.
Primeiro, é esse clima de “Ordem”, de “segurança nacional”, como se estivéssemos em estado de sítio. Não pode isso, não pode aquilo. É a chance que os ditadorezinhos de plantão têm para colocar suas vocações autoritárias para fora. É policial que vê em camisa vermelha/verde/azul como se fosse conluio para propaganda fraudulenta. É Juiz Eleitoral visitando seções de votação como se fosse coronel.
Minha desilusão com a política é ainda maior quando o assunto é eleição. É quando as pessoas colocam as instituições de lado para defenderem o que acham. Reparem que, para as eleições, todos os princípios constitucionais são relativizados, sem lógica alguma, só para que algumas pessoas se sintam mandando e tenham a sensação de que as massas estão domesticadas. Mas eu chego lá.
Primeiro, continua a ridícula, anacrônica e demodê proibição da boca de urna. Tudo para preservar uma suposta “ordem”, típico da Ditadura, onde uma mosca voando era atentado à segurança nacional. Ganha uma quentina-de-mesário quem responder qual o sentido de proibir a propaganda eleitoral no dia da eleição. Antes, a proibição era para impedir que os partidos de esquerda, que tinham militância, pudessem angariar mais votos. Hoje, serve para que policiais e juízes mostrem quem manda. E, depois, os processos ficam lá, entupindo os armários da Justiça Eleitoral, incomodando serventuários, advogados, partidos, militantes e os mesmos juízes, já que tem muita coisa mais importante para ser julgada.
As constantes restrições à propaganda são outro retrocesso: a questão não é disciplinar as eleições, a questão é ter a sensação de controle. Não é por outra razão que um imbecil qualquer propõe uma lei para controlar publicidade eleitoral na internet, como se fosse possível submeter uma rede mundial às indiossincrasias tupiniquins. Ai o TSE (e depois o Congresso, a reboque), define até o que é outdoor e o que é placa, fazendo, a cada eleição, surgir as maluquices – placas móveis, carregadores de estandartes, bonés, enfim – sempre limitando a livre expressão e, ao mesmo tempo, permitindo subterfúgios patéticos que, possivelmente, só existem aqui mesmo.
Depois, a ridícula lei seca. Como se domingo deixasse de ser domingo. Como se tivéssemos que assistir a uma missa durante o dia todo, ou ficar em casa, apenas porque se trata de eleição. Na verdade, esse ano a lei seca não foi obrigatória em vários estados, mas aqui em Conquista os Juízes, provavelmente para evitar trabalho para eles mesmos, suspenderam a venda de bebida alcóolica. Claro, a desculpa vai ser, sempre ela, a “ordem”, que tem que ser mantida a todo o custo. A mesma “ordem” que tem que ser mantida prendendo um bocado de pobre coitado cujo crime é distribuir um santinho.
Enfim, o que deveria ser uma festa cívica se transforma em um flash de restrição ditatorial do comportamento do brasileiro. É uma emulação do comportamento típico das ditaduras: o controle completo das massas, para que sejam dóceis e domesticadas. Nem que seja por um só dia.
E aí convivemos com as idiotices todas, que violam a Constituição que, engraçado, é democrática: boca de urna, propaganda eleitoral irrestrita (tudo violando a liberdade de expressão, que é princípio constitucional), boca de urna e ficha limpa (que violam o princípio da presunção de inocência), horário eleitoral gratuito (que confunde venda de coca-cola com difusão de propostas), etc.
Enfim, o que outros países comemoram como festa cívica (ou, na verdade, apenas como uma forma apática de cumprir uma obrigação imposta pelo Estado), aqui nos serve apenas para nos lembrar que não é seguro segurar um santinho, não é permitido usar uma camisa com o nome do candidato preferido, não pode beber uma cerveja mesmo com um calor de 35 graus. Enfim, não pode.
É o País onde a bandeira nacional não pode ser vestida. É o país onde a justiça não consegue julgar criminosos, mas empilha processos por boca de urna.
Tudo no Brasil é isso – blábláblá, e pouco desejo de ver as coisas como são.
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Posted by oculos on Sep 6, 2010 in
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Vitória da Conquista
Os conquistenses são muito ciosos de sua história. Apesar da modernização da cidade, ou até mesmo por causa dela, há uma busca pela preservação da memória do Município.
Por isso, blogs como esse aqui são excelentes para quem gosta de trocar idéias sobre a história conquistense. Fica aqui a dica: Taberna da História – VC.
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Posted by oculos on Aug 28, 2010 in
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Vitória da Conquista
Eu não sou perfeccionista. Sou prático.
Mas detesto que digam que meu trabalho ficou ruim. Não acontece, é bem verdade, talvez porque eu, de fato, procuro ser cuidadoso com o que faço.
Por que é, então, que essa empresa que está furando Conquista inteira para levar água para Belo Campo está colocando uma borrinha de asfalto, de forma tão porca e descuidada? Por que não deixou a via pública do jeito que encontrou? Por que não respeita o dinheiro público gasto para construir a via? Por que não percebe que é horrível dirigir em vias tão desniveladas?
Mas, acima de tudo, por que não percebe que todo mundo vai dizer que o trabalho parece porco, descuidado e “armengado”?
Bom, vai ver o otário sou eu, que penso que há coisas mais importantes do que o dinheiro fácil do descuido com o trabalho sério.
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Como advogado, tenho que engolir alguns sapos. Às vezes ganhamos, às vezes perdermos.
Alguns processos que perdemos são mais difíceis de engolir do que outros. Não pelo seu valor econômico, mas sim pela injustiça que a sucumbência processual significa para quem dela é vítima.
Algo que sempre me chamou a atenção desde que li o livro “O Mundo na Corda Bamba” (One World, ready or not), foi que devemos começar a nos preocupar com a origem dos nossos produtos. Ou, melhor dizendo: quem produz nossas roupas de grife, nossa comida, nossos computadores? Será que usam o trabalho infantil? Será que fazem horas extras? Será que ganham o suficiente para viver?
Conheçam Luciana (nome fictício). Por morar distante da fábrica do grupo DASS (que produz artigos das marcas Fila, TryOn, Dilly e Umbro) em Vitória da Conquista, Bahia, acorda cedo e pega o ônibus todos os dias. Ganha salário mínimo, o que significa que Luciana nunca vai comprar um tênis de uma das marcas que ajuda a confeccionar. Isso sem falar nas condições de trabalho, péssimas, segundo já divulgado na imprensa. Aliás, a indústria calçadista é assim – em Itapetinga, a Azaléia foi proibida pela justiça de usar determinada máquina que já causou amputações e outras seqüelas aos trabalhadores ali.
Um belo dia, Luciana recebe um aviso de demissão por justa causa. O motivo? Luciana utilizara o vale-transporte fora do horário de trabalho. Não mais que CINCO vezes. Algumas dessas vezes, Luciana foi levar seu filho ao médico. Acompanhei Luciana em sua reclamação trabalhista. Sua chefe confirmou, em audiência, que Luciana, mesmo tendo utilizado o vale-transporte fora do horário de trabalho, continuou a usar o transporte público para ir para a fábrica. Isso quer dizer que Luciana compensou o uso do vale-transporte feito em outro horário com dinheiro do próprio bolso, diferente daquelas pessoas que vendem o vale-transporte para conseguir um dinheiro extra.
Mesmo assim, a justa causa prevaleceu. Luciana não iria ganhar muito dinheiro, mas até isso o juiz lhe negou. Certa estava a empresa, já que a lei prevê que o mau uso do vale-transporte poderá ensejar justa causa. Embora a jurisprudência fosse farta no sentido de que a justa causa deve ser proporcional à falta, o juiz não quis nem saber: abençoou a rigidez da empresa.
Infelizmente, o poder estabelecido é assim com os trabalhadores: a Luciana, nega-lhe uma pífia indenização (será que chegaria a R$1.000,00?). À Dilly, incentivos fiscais para implantação da fábrica. Vendem o Estado para exploração do trabalho.
O pior: como explicar a Luciana que outro juiz foi mais razoável, e anulou a justa causa de uma colega de trabalho despedida pela mesma razão, segundo Luciana?
Enfim, como ao advogado, além de lutar, resta recorrer, recorri. Os ouvidos do Tribunal foram moucos. Apelei a Brasília. Negaram o seguimento ao recurso (grande novidade). Agravo. Nessa, vamos morrer brigando.
A insensibilidade com o trabalhador é gritante. A DASS, cujo faturamento deve ser enorme, economizou seus centavos. Luciana, desempregada, aguardou em vão que lhe fizessem justiça. Infelizmente, os que lhe negaram justiça não estavam muito preocupados em… fazer justiça, talvez usando sapatos da Dilly adquiridos com bons salários, fabricados com o suor de gente como Luciana, sapatos que Luciana não podia e não pode comprar.
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Tags: Dilly Calçados
Posted by oculos on Jul 12, 2010 in
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Vitória da Conquista
Coisas em que ando pensando:
- Conversando com uma phd na área da Biologia, ouvi queixas a respeito da resistência de alguns setores quanto a testes em animais, ou a pesquisas com células embrionárias. Eu lembro de uma palestra da profª Maria Auxiliadora Manahim onde ela dizia mais ou menos isso: ora, porque não pensar nessas coisas como a vida se sucedendo, se transformando e, sobretudo, vida preservando, em última análise, vida.
- Conversando com fantástica psicóloga, não parei de pensar desde então: se queremos uma polícia mais humana, porque o seu treinamento é justamente focado em subtrair-lhe a auto-estima, a individualidade, etc., enfim, tudo aquilo que faz de nós pessoas únicas? Perguntei a ela, e continuo perguntando: pra ser eficaz, o policial (ou o soldado do Exército – o militar, em suma), precisa ser moldado de forma tão repressora? É um fato que temos que aceitar tal qual a água ser feita de H2O?
…
Férias acabadas, agora é voltar ao trabalho com todo o gás.
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Posted by oculos on Jul 12, 2010 in
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Vitória da Conquista
Finalmente foi publicado hoje o decreto de desapropriação de área para a construção do novo Aeroporto de Vitória da Conquista.
O dito cujo vai ser construído em área próxima à Rio-Bahia (BR116), no Povoado do Pé de Galinha.
Segue cópia do decreto:
DECRETO Nº 12.246 DE 08 DE JULHO DE 2010
Declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, a área de terra que indica, e dá outras providências.
A PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NO EXERCÍCIO DO CARGO DE GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, no uso de suas atribuições e à vista do disposto no art. 164, inciso IV, da Constituição Estadual, no art. 5º, alíneas “h”, e “n”, do Decreto-Lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941, e alterações posteriores, e do que consta do Processo nº 0900100014522, do Departamento de Infra-Estrutura de Transportes da Bahia – DERBA,
D E C R E T A
Art. 1º – Fica declarada de utilidade pública, para fins de desapropriação, a área de terra medindo 6.160.000,00m², pertencente a quem de direito, com as acessões e benfeitorias nela existentes, localizada à margem direita do km 1.074 da BR-116, no sentido Vitória da Conquista-Rio de Janeiro, nas proximidades do Sítio São José, conhecido como Pé de Galinha, Município de Vitória da Conquista – Bahia, a seguir descrita: partindo-se do ponto P-1, de coordenada plana N = 8.348.451,37 e E = 296.336,70, com azimute de 305º38’42’’ e distância de 5.600,00m, determina-se o ponto P-2, de coordenadas N = 8.351.714,73 e E = 291.785,83; daí, com azimute de 36º10’49’’ e distância de 1.100,00m, determina-se o ponto P-3, de coordenadas N = 8.352.608,66 e E = 292.426,85; daí, com azimute de 125º38’38’’ e distância de 5.600,00m, determina-se o ponto P-4, de coordenadas N = 8.349.345,29 e E = 296.977,72; daí, com azimute de 216º1’56’’ e distância de 1.100,00m, retorna-se ao ponto P-1, fechando-se a área poligonal em descrição, conforme levantamento do Sítio Aeroportuário elaborado pela Gerência de Terminais do Departamento de Infra-Estrutura de Transportes da Bahia – DERBA.
Parágrafo único – A área de terra de que trata este Decreto destina-se à implantação de um novo aeroporto regional, a ser localizado no Município de Vitória da Conquista – Bahia.
Art. 2º – Fica o Departamento de Infra-Estrutura de Transporte da Bahia – DERBA, autorizado a promover os atos administrativos e judiciais, se necessário em caráter de urgência, com vistas à efetivação da desapropriação de que trata este Decreto e a imitir-se na posse respectiva, providenciando, inclusive, a liquidação e o pagamento das indenizações, utilizando-se, para tanto, dos recursos de que dispuser.
Art. 3º – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de julho de 2010.
TELMA BRITTO
Governadora, em exercício
Eva Maria Cella Dal Chiavon
Secretária da Casa Civil
Wilson Alves de Brito Filho
Secretário de Infra-Estrutura
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Posted by oculos on Jun 13, 2010 in
Apple,
Corrida,
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Vitória da Conquista
Como bem falaria Emma (que saudade), “hace mucho frio!”…
E, com o frio, a preguiça, a comilança e a súplica pelo sol. O sol até veio, mas eu até que fugi dele um pouco, como se não o merecesse… Mas, enfim, isso é uma outra história.
O que eu queria falar de verdade é sobre algo que me irrita muito, e que hoje, se fosse num dia de muita endorfina, eu teria respondido: hoje em dia, ao comprar com cartões, somos encorajados, nós mesmos, a inserir os cartões nas respectivas maquinetas, correto?
Pois bem: fui ao McDonald’s hoje comer o tal McAlemanha (grande decepção – é apenas um cachorro-quente mais refinado que não é tão gostoso quanto um bom cachorro-quente de R$1,00 da frente do Seminário N. Sa. de Fátima), fui pagar com o cartão. Nisso, fiquei esperando que aparecesse no visor da máquina os dizeres “Insira ou passe o cartão.” Quando o texto apareceu, me diz a funcionária do caixa: “Pode inserir o cartão, senhor.” Tá, eu, zoiudinho, cidadã viu que era cegueta, achou que eu precisava que ela me dissesse. Quando, então, apareceu na máquina “Senha:”, informa a doce atendente: “pode digitar a senha, senhor”. Espumei um tiquinho, mas, bolas, é fim de semana, relaxa, homem. Porém, como tudo sempre pode piorar, aparece na máquina: “Transação Aceita” (ufa!) e “Retire o cartão”. Quando faço menção de fazê-lo, claro, a insofismável caixa arremata: “Pode reitrar o cartão, senhor.”
Vai ver o McAlemanha era bom – eu é que havia perdido o apetite…
…
Terminando um livro, bateu fome. Pés gelados, e fome. Penso em fazer um prato chinês que um amigo chinês me ensinou a fazer com utensílios chineses. Tá, é pirraça: trata-se de um ovo frito com shoyo e cebolinha. A merda é que não tenho cebolinha. Será que deixa de ser um prato chinês se eu não usar a cebolhinha? Sim, porque ovo com arroz domingo à noite é deprimente…
…
Semana começa. Férias idem. 20 dias fora. Muito a descobrir, muito a pensar, muito a decidir. De certo, só o iPad que virá, já que, como todo fanboy, tenho que trazer algo Apple de lá de fora. E, em uma provocação do destino, o forum poderá voltar, e eu que me internar com o stress que isso acarretará com viagem marcada pro meio da semana + jogo do Brasil + prazos que voltam a fluir. Enfim, A Vida é Bela, mas Central do Brasil é melhor…
…
Falando em McDonald’s, já testaram o McItália? Deveria entrar pro cardápio!
Eu devo dizer que quase nunca como no McDonald’s. Com a patologia da corrida, procuro me alimentar com coisas mais saudáveis (e insossas). Daí, ando muito mais no Subway (ou na Vida Natural, lanchonete aqui de Conquista que, um dia, vai tomar o Brasil). Mas sacumé… Férias chegando, a gente vai ficando menos neurótico, aí resolvi comer no McDonald’s, até pela nostalgia de voltar lá, relembrando que já trabalhei no McDonald’s (por 3 dias, mas trabalhei)…. Vi hoje que mudaram o método de salgar a batata! Antes, ensinavam pra gente que eram três séries de três sacudidas com o saleiro. Agora tem um dispositivo que, segundo me pareceu, é repousado sobre as fritas pelo preparador, deixando cair a quantidade certa de sal. Bah!
…
Ano passado, ao ir pra Maratona de Zurique, não levei nenhum adereço que demonstrasse minha origem brazuca – sabe como é, depois da moça que se cortou lá, acho que não seria boa RP… Mas esse ano, com copa do mundo, Brasil amiguinho do Irã, essas coisas, vou levar bandeira, camisa, a p… toda! E vou, talvez, se a coragem, Gaëlle e Matthias permitirem, correr a meia-maratona de Bettmeralp. Não deveria, porque é uma altitude danada, mas acho que devo encarar o desafio até como agradecimento por estar respirando novamente, com a asma sendo tratada.
…
A propósito, na hora de comprar a blusa para correr a tal meia-maratona, acidentalmente comprei a da seleção de vôlei. Feminina. Merda. Voltei pra trocar, e a masculina, mais feia e com o nome “Giba”, não tinha no meu número. Comprei da de futebol, triste, porque não tive coragem de dar R$250,00 na própria para esporte. Feita de garrafa pet, segundo o vendedor. Caraio, por que então não é mais barata, se é reciclada? :S E não me façam contar a saga para achar o tamanho da camisa…
…
Dêem licença, que vou firtar ovo… er… digo, preparar meu prato chinês.
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Posted by oculos on May 30, 2010 in
Política,
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Vitória da Conquista
Eu não sei se o nobre leitor sabe, mas no Edital da concessão à iniciativa privada do serviço de rodovia, mais especificamente da BR-116 (divisa com Minas a Feira de Santana) na Bahia, está prevista a duplicação total de cada trecho caso o volume diário atinja 6.500 veículos.
Alguém duvida que esse alvo já foi atingido?
Ora, basta viajar na BR-116 para perceber que a rodovia está saturada, e que uma duplicação é urgente.
Semana passada, voltávamos de Salvador, quando vimos 4 acidentes entre Feira de Santana e Conquista. A rodovia, apesar do melhor estado de seu asfalto nos dias de hoje, está muito mais lenta. Li hoje na Folha de São Paulo um artigo (disponível apenas para assinantes) onde é mencionado que 90% do tráfego na BR-116 aqui na Bahia é de caminhões. Senhores, 90%!!!! O artigo falava que o crescimento do Nordeste é comparável ao da China, com infraestrutura africana. O cerne é que, com o crescimento do país, é impossível conceber que nosso transporte de carga continue a ser feito por caminhões.
Mas, voltando ao assunto, o Governo deveria informar exatamente qual o tráfego diário de veículos. Algo me diz que o volume necessário para a duplicação completa já foi atingido. Se não foi atingido, foi uma temeridade colocá-lo nesse patamar, porque a rodovia já está inviável nas atuais condições.
Ou isso, ou então vamos encarar mais de 1.000 acidentes por ano em trecho inferior a 400km…
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Os neo-democratas, ou melhor, democratas conforme a ocasião, estão soltos. Quanta hipocrisia…
Refiro-me ao resultado das eleições da UESB. Quando o Prof. Abel Rebouças foi nomeado, apesar de não ter sido o mais votado, onde estava a verve democrática desse povo?
É por isso que, cada vez mais, detesto a politicagem brasileira.
Detesto os argumentos tolos que dizem que o Governador deve nomear A, B ou C. Tolos, porque a LEI dá a prerrogativa ao Chefe do Executivo de nomear alguém DENTRE OS MAIS VOTADOS. A lei, com isso, determina que a sociedade, através do seu representante eleito, é quem tem a palavra final a respeito de quem deve assumir a direção de uma autarquia de tamanha importância.
Além disso, o voto paritário distorce qualquer idéia de legitimidade. O candidato mais votado (ao qual tenho grande simpatia) não foi o preferido por professores e alunos. Assim, sua vantagem perante aos funcionários lhe daria legitimidade? Veja que falo isso por falar, porque legítimo é o escolhido pelo Governador dentre os mais votados, e fim de papo.
Esse discurso hipócrita de hoje é um desserviço à democracia. É uma falta de respeito com um representante do povo, eleito por ele, a quem cabe a prerrogativa INDELEGÁVEL de nomear o Reitor da UESB. É de um oportunismo sem limites tentar misturar as coisas, como se a nomeação da segunda colocada fosse alguma teratologia ditatorial.
Eu, se fosse o Governador, nomearia a candidata ligada a si. O ônus e bônus da atuação da candidata serão do Governador. Ou se o Reitor mais votado for nomeado e fizer uma gestão ruim alguém tem dúvida de que os oportunistas de plantão irão culpar o Governador pela nomeação?
Está na hora de civilizar o debate político, sem esse teatrinho bobo, destinado apenas a garantir os interesses de grupos políticos sob o manto de ideais nobres, como legitimidade, escolha democrática, mas que são apenas palavras, dirigidas com o propósito de sustentar, de forma hipócrita, interesses particulares.
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Tags: Política, UESB, Vitória da Conquista
Eu não quero aqui discutir o mérito da questão da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista (para os d’além-mar, essa foi uma discussão forte no Brasil nos últimos anos, que culminou com a decisão da inexigibilidade da graduação para o exercício da nobre profissão).
A questão é que o jornalismo graduado conhece (ou deveria conhecer) algumas normas básicas e deontológicas referentes à sua profissão. O leigo, não. E como ninguém pode alegar desconhecimento da lei para não cumprí-la, os que se aventuram no mar de oportunidades que a internet proporciona para fruição do legítimo direito de liberdade de expressão acabam por, às vezes inadvertidamente, praticar deslizes éticos e legais. Refiro-me, principalmente, à publicação do conteúdo alheio.
Em Vitória da Conquista temos, como em todo lugar, muitos blogs. Exceto alguns poucos que, por sinal, são geridos por jornalistas de carreira, a grande maioria vive de reproduzir conteúdo alheio, muitas vezes sequer sem citar a fonte. Há blogs, inclusive, cujo conteúdo quase exclusivo é composto de vídeos jornalísticos da emissora de TV local.
Alguns agem de completa boa-fé: um amigo-irmão meu, por exemplo, dia desses me perguntou: “ué, mas se você publicou, não se tornou público?”. A confusão é comum: público x de domínio público. Ao redigir um texto, o autor é o seu dono. Publicá-lo não lhe retira a condição de propriedade do direito autoral. A reprodução por terceiros é, assim, violação indiscutível do direito autoral, o que sujeita o infrator às sanções criminais e civis.
O que é pior, ainda, e intolerável, é a reprodução feita ipsis literis sem que sequer a fonte seja citada. Temos, assim, numerosos blogs, mas poucos, de fato, produzem conteúdo.
Infelizmente nenhum grupo econômico em Conquista atentou para o fato de que há uma verdadeira carência de um site de notícias com informações locais. Há boas idéias e boas intenções que, talvez por falta de financiamento, não cumprem a tarefa. E, assim, com a morte dos jornais de papel, qual será o veículo que informará a sociedade? Blogs reprodutores de notícias esparsas? Blogs tão contaminados por interesses partidários que, se espremer, sai voto? Blogs com gente inteligente, mas sem anunciantes, o que impossibilita a oferta de trabalho digno a nossos jornalistas?
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Posted by oculos on May 18, 2010 in
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Vitória da Conquista
Fui renovar o passaporte. Finalmente nós, aqui de Conquista, não precisamos mais ir a Ilhéus ou outra cidade qualquer que tenha Delegacia de Polícia Federal para tirar o tal documento.
O passaporte, agora, não é mais entregue na hora, devido às medidas de segurança implementadas. O passaporte, por dentro, está bem mais bonito, e não mais aquela coisa horrível que tínhamos antes. O meu, de 5 anos atrás, tinha meus dados batidos à máquina! Era uma vergonha apresentar aquilo em qualquer imigração.

Agora o material da capa regrediu: pobre, com aspecto barato. O meu passaporte anterior (à esquerda na foto, com buraquinhos de cancelamento) tinha uma capa com material que lembra… camurça? Esse novo parece uma carteira de trabalho estilizada. Tudo bem, é frescura ficar falando da qualidade de algo que, nada mais nada menos, é apenas um documento. Só que quando você olha um passaporte de alguém de outro país, percebe que eles têm um certo cuidado em confeccioná-lo com mais cuidado, com esmero, até.
Fui inventar de tirar a foto sorrindo. Me lembrei de um episódio de Friends, onde Chandler não conseguia sair bem em nenhuma foto onde sorria. Foi exatamente isso que aconteceu: tirei a foto sorrindo, mas fiquei com cara de otário. Preferia quando a gente levava a foto – pelo menos dava pra escolher uma boazinha. Agora, contei apenas com a boa-vontade e paciência do agente da PF, que disse, sobre a foto sorrindo: “ficou melhor”. Ficou P.N.
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Tags: passaporte