Argentina e nosso próprio opróbio

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Vi muita gente escrever no Facebook sobre grosserias feitas por torcedores argentinos durante essa copa do mundo, e compreendo a insatisfação. De desfilarem com uma coluna vertebral em tosco deboche em relação a Neymar a queimarem a bandeira do Brasil… em pleno Brasil, os argentinos não foram exemplo de bons convidados.

Razões não faltaram, assim, para torcer pela Alemanha, cuja seleção se comportou decentemente no Brasil – antes e depois da vitória. Se isso não for suficiente, a vitória possivelmente comprada dos Argentinos sobre o Peru em 78 ou o possível doping que Maradona admitiu terem aplicado na seleção brasileira em 1990, ou ainda as músicas racistas que entoavam no passado contra o Brasil, com certeza impede que qualquer um tenha um pingo de simpatia pela seleção do país vizinho, noves fora o fatídico gol de mão.

Mas questiono eu, que gosto de questionar coisas: um país feito com gente grosseira que vai a um estádio xingar uma presidente ou que reduz a crítica a um candidato a xingá-lo de “cheirador” (o que, se for verdade, merece compreensão, porque hoje em dia procuro características de candidatos que o tornem humanos, e não seres pasteurizados, sem manchas, lavados com Omo Dupla Ação®) tem lá muita moral pra exigir civilidade dos dito cujos? Nós, que nos comportamos mal em quase qualquer oportunidade, podemos falar muita coisa?

Não que eu ache que devemos relevar a incivilidade dos argentinos. Devemos, sim, é não esquecer da nossa. Torço contra a Argentina porque a natureza me impede de torcer contra o Brasil, porque penso que é preciso muito sangue no olho pra torcer contra o próprio país. Mas não vamos nos esquecer que nosso telhado é de cristal. E que a grosseria deles nos inspire a deixarmos a nossa, porque a coisa toda é vergonhosa.

 

 

 

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