MidnightSun Marathon

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Desde quando comecei a me interessar por maratonas, lá pelos idos de 2009, ouvia falar da maratona do Sol da Meia-Noite, em Tromsø, na Noruega, até por já ter morado no país anos atrás. A proposta é correr à “noite” no dia mais longo do ano, quando o sol não se põe. Isso por si só já tornaria a maratona exótica e atraente.

Mas há mais que isso: a cidade de Tromsø oferece um visual tremendo, o que, pra quem consegue admirar alguma coisa enquanto ofegantemente se arrasta quilômetro a quilômetro, é sempre uma boa motivação para correr.

Eu confesso que fui um pouco desleixado dessa vez: não considerei que o tempo em Tromsø nessa época do ano é imprevisível. Ano passado, por exemplo, a temperatura estava em torno de 15 graus – excelente para uma maratona – embora eu particularmente prefiro acima dos 20. Nesse ano, a temperatura ficou em torno de 6 graus. Isso não seria problema, porque eu estou acostumado a correr de camiseta em Oslo em temperaturas semelhantes. O problema é que lá ventava muito, dando a sensação de estarmos a 0 grau, ou algo assim. Eu fiquei nervoso o dia inteiro, pois não sabia se deveria usar uma jaqueta corta-vento, ou se deveria correr com a roupa com a qual já estava acostumado.

Decidi, então, pelo meio-termo: usei apenas uma camisa de corrida, mas, dessa vez, de manga comprida. Na verdade, acho que não fez diferença, pois o corpo estava logo aquecido e corri confortavelmente. Claro, usei uma luva, porque, se por um lado sou pé quente, por outro lado sou mão fria. Haha, sem graça.

Mas enfim, a prova foi linda, mas teria sido ainda melhor se o céu estivesse claro. A paisagem é muito bonita, com montanhas com topos cobertos de neve à vista durante quase todo o percurso. Teria sido maravilhoso ver aquilo sob céu azul, mas não deu. O percurso é bem plano, com umas subidinhas aqui e ali, mas nada desafiador – exceto a ponte que conecta a ilha onde fica boa parte da cidade ao continente, onde a subida é mais longa.

Essa deve ser a mais conhecida prova de atletismo da Noruega – fora da Noruega. Vi muitos estrangeiros, e nem na maratona de Oslo vejo tantos participantes internacionais. Entre as provas realizadas no mesmo dia – maratona, meia, 10k e outras pra crianças – éramos 58 brasileiros. Quer dizer, 57, porque, por algum motivo, a organização do evento me colocou como norueguês, mesmo tendo informado minha nacionalidade corretamente.

Mas a participação do Brasil não se resumiu à corrida: eram muitos os brasileiros na torcida, mas nada igual ao entusiasmo dessa brasileira. A reportagem está em norueguês, mas basta ver o vídeo pra perceber. 🙂 Enfim, brasileiros animando o mundo das corridas. Aliás, na maratona de Oslo do ano passado, a escola de samba Unidos de Oslo (ou foi o grupo Sambaladies?) também animou o percurso.

Quase não treinei durante o semestre passado. Entre 20 dias no Brasil, gripe que me tirou do treino por uns 10 dias e outros percalços, acabei não me preparando bem para essa prova. O resultado – 3h24m41s – foi melhor do que eu esperava, considerando o tempo, mas já começo a ficar chateado, pois já se vão quase 2 anos desde que completei a prova abaixo de 3h15. Está na hora de voltar a ter seriedade nos treinos, mas é difícil sem os amigos corredores com quem treinava em Conquista.

Depois da prova, acredito ter tido hipotermia. Uns 5 minutos após a chegada, comecei a tremer de frio, e apressei minha volta ao apartamento. Chegando em casa, corri pro chuveiro e fiquei uns 15 minutos debaixo da água quente. Ao desligar o chuveiro, voltei a tremer de frio. Olhei no espelho, e os lábios estavam azuis! Voltei pro chuveiro e a água quente começou a esfriar após alguns minutos. Aí fiz logo um chá e corri pra debaixo da coberta. Só depois é que comecei a ficar mais tranquilo.

Trata-se de uma maratona exótica, mas muito bem pensada e que conta com excelente apoio dos moradores. Quase todo mundo ia pra porta de casa para dar apoio aos corredores – foi talvez uma das maratonas com mais apoio popular nas ruas que já vi. O apoio era tanto que tinha trechos onde o tráfego de veículos não era interrompido, pois os motoristas iam super devagar, parando para os corredores. Diferente de Curitiba, por exemplo, onde vi motoristas quase que jogando o carro pra cima dos corredores, com visível mau humor pelo transtorno do trânsito interrompido aos domingos.

Enfim, um sonho realizado é sempre bom. Foi minha 11ª maratona, e por enquanto tem sido bom manter a idéia de correr 2 maratonas por ano. Penso em mudar para meia-maratonas, porque depois da prova dá pra farrear um pouquinho. Mas, por outro lado, uma maratona é sempre uma maratona. Sacrificante, dolorida, suada, mas sempre recompensadora. Vamos ver. 🙂

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