Windows 8 – gostei, mas não, obrigado.

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Resolvi aproveitar que estou de férias para fazer alguma das experiências sem resultado prático, mas que são bons passatempos, que costumava fazer. Dentre elas, instalar o Windows 8 Release Preview. Claro, instalei no Parallels 6, que não é a versão adequada para rodar o Windows 8, mas funcionou quase 100%, e isso é o que importa. Digo funcionou quase 100%, porque o Parallels 6 não oferece o conforto total para transitar entre Mac e Windows 8. O recomendável seria o Parallels 7, mas não fiz o upgrade porque uso o Windows cada vez menos. Aliás, quando tenho que usar o Windows apenas para abrir algum documento, acesso ao servidor remoto da faculdade via CoRD.

Olha, gostei do Windows 8. Sinceramente. E isso já é dizer muito quando se fala de Windows. Mas não o usaria. Essa tabletização do computador não me parece ter futuro. Veja o LaunchPad da Apple, no MacOS X. Alguém usa aquilo?

Veja, acho que a nova interface do Windows faz todo o sentido do mundo para novos usuários, ou gente de uma geração que não tem conforto com o uso de computadores. Sim, para estes, o Windows 8 é perfeito – quase 100% do que esse público usaria estaria na tela inicial, fácil de ser usado. Mas esse estilo de Digital Signage do Metro (nome dessa interface nova do Windows 8) não funciona para quem já usa um computador há tempos. Nos habituamos a utilizar um sistema operacional sob a ótica dos arquivos. Demoramos uma geração até termos em nossas mentes uma idéia clara de onde estão nossos arquivos, onde salvamos as coisas, etc. Nessa versão, essa forma arquivo-centrista dá lugar a uma visão utilitarista dos computadores: facilita-se o uso das funções presumivelmente mais utilizadas pelos usuários, colocando-as em evidência, mas ao mesmo tempo sendo um obstáculo a mais no caminho de quem utiliza o computador de forma mais complexa.

A interface Metro

Ou seja: seria uma interface ideal há 7, 8 anos atrás, com o início da internet, ou mesmo antes, 10, 15 anos atrás, quando o computador deixou de ser um aparelho de nicho. Mas agora, com todo mundo já habituado aos ícones, estrutura de pastas e arquivos, botões direito com menus contextuais, etc, essa nova interface é simplista demais. Imagino que rode muito bem em um tablet, mas, mesmo assim…

Gosto da idéia de um calendário rapidamente acessível, ou mesmo do e-mail logo ali (embora não consegui usar o e-mail). Mas algumas idéias são meio amalucadas – ou isso, ou entendi errado. Um aplicativo que ocupa toda a sua tela apenas para mandar mensagens, sem sequer mostrar a sua lista de contatos (tem que ir a outro aplicativo para isso), me parece um erro primário, quando todo mundo que usa computador já associa o envio de mensagens a uma lista de contatos logo ali. Se uma tela de milhares de pixels, me parece um absurdo gastá-la com ícones do tamanho de um quarteirão para mostrar uma única mensagem. Parece aqueles telefones com teclas grandes para idosos. Para mim, míope, é fantástico. Mas para quem tem visão perfeita, aquilo parece as imagens de TV de plasma mostrando comerciais em aeroportos, ou aqueles displays de notícias nos comerciais da BBC World.

 

Enfim, gostei, mas, não, obrigado. Talvez seria o primeiro Windows que recomendaria à minha mãe. Mas chegou tarde, ela já usa Mac…

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