Análise sobre as reações das pessoas e os preconceitos

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Sempre houve o preconceito contra Lula, por ser quem é: um brasileiro de origem humilde, da senzala, e que jamais seria aceito pela casa-grande. Isso, de casa-grande e senzala no Brasil é algo que quem nasce no país vive impregnado – seja no modo arrogante de falar com alguém da senzala, seja no olhar baixo e reverente quando se fala com algum dos senhores de engenho.

Mas o que me levou a escrever essas linhas foi a do preconceito embutido nas falas, a na falta de respeito com o objeto do discurso, nesse caso do Gilmar Mendes acusar Lula de… enfim, vocês já sabem. Vejamos:

Sepúlveda Pertence, sobre hipótese de Lula procurá-lo para discutir o mensalão:

“Não fui procurado e não creio que o ex-presidente Lula pretendesse falar alguma coisa comigo a esse respeito

Já Ayres Britto:

Só então acendeu-lhe a “luz amarela”. E daí? “Eu imediatamente apaguei, pois Lula sabe que eu não faria algo do tipo.” (em entrevista)

A diferença de estilo é sutil, mas diz muito. Enquanto Pertence trata Lula com o respeito que sua figura de ex-presidente merece, dando-lhe, ao menos, o benefício da dúvida, Ayres Britto prefere tecer loas à sua própria firmeza de caráter, dizendo que Lula conheceria tal honestidade, e que por isso não faria tal proposta (e não por julgar a ele, Lula, incapaz de fazer uma proposta dessas).

Vê-se, portanto, a forma mal disfarçada que boa parte da elite do país enxerga Lula – como um Macunaíma, como um herói sem caráter, e não como um líder popular, um estadista. Mas é normal, no Brasil o costume é de se tratar bem engomadinhos e endinheirados, insuspeitos por causa da cor ou do dinheiro. Já quem vem de casta mais inferior, independente do quão insuspeito, nunca se lhe terá por inocente.

 

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