Por que adoro a Dilma Rousseff

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Digam o que quiserem, mas ADORO a Dilma Rousseff. Ela não tem aquela desfaçatez dos políticos, sempre falando para as câmeras. Ela parece ser do tipo de brasileiro que trabalha, e não daquele outro tipo que encosta em quem trabalha.

A Dilma me transmite a sensação de que não quer exatamente ser popular. Quer ter a consciência de que está fazendo o certo para o país. Eu vejo que isso faz uma diferença tremenda. Toda a mídia fala da falta de tato dela com os demais políticos, mas isso porque ela não parece ter aderido ao non-sense do mis-en-scene (pois, dois estrangeirismos em uma frase, vai te catar) da vida política nacional, do tipo que opta por clichês, adora um microfone ou vive naquela política de promoção partidária. Dilma, pra mim, é daquele tipo que entende do que está falando, e parece ter zelo com o que governa.

Isso, para um país acostumado a um teórico deslumbrado como FHC, um mauricinho não menos deslumbrado como Collor, e um popular, mas também – sim – deslumbrado – Lula, a Dilma é uma vitória daqueles que sempre viram o trabalho como ética de uma vida decente e honesta. Os outros exalavam aquele velho ideal brasileiro do sucesso na base do charme, da simpatia, do carisma. Nossa presidenta – como ela prefere ser chamada – é do tipo trabalho em bastidores, que obstina-se a terminar bem algo que lhe colocam às mãos para fazer.

Por isso, relatos sobre seu comportamento rude nunca me assustaram. Aliás, sempre gostei de ouvir dizer que ela seria bruta em reuniões, que cobraria rigidamente desempenho, essas coisas. Detesto tiranos, e odiava que o lado criativo de Steve Jobs carregava consigo o acessório da descompostura, da grosseria gratuita. Mas, com a Dilma, parece-me que ela não se coaduna com o velho jeitinho que tentei retratar acima, o de que bastaria um português mais complicado e um gráfico apresentável para demonstrar uma tarefa cumprida. Dilma cobra competência, e isso, em um país acostumado com tanta incompetência, é algo a comemorar.

Adorei, assim, o relato de Elio Gaspari na Folha de São Paulo de hoje:

“BEM-FEITO

Um turista acidental do Palácio do Planalto ouviu um destampatório da doutora Dilma numa conversa com um de seus ministros. Ficou horrorizado. Quando chegou em casa, foi estudar o caso e concluiu:

1) O moço queria dar uma lição de governo à doutora.

2) Tecnicamente, ela tinha razão e conhecia o assunto melhor do que ele.”

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