Você é um criminoso? Você é um terrorista?

| 6 Comentários

Eu tenho certeza que você é um(a) cidadão(ã) de bem. Sei que você é gente boa, uma pessoa honesta, um amigo para todas as horas.

Sei que se preocupa com a sua família, com alguns valores morais importantes. Sei que se preocupa com os exemplos a serem dados aos seus filhos.

Sei que seu voto é consciente. Que, na época das eleições, procura se informar sobre os projetos políticos dos candidatos, e, possivelmente, faz suas escolhas com base nas propostas dos seus candidatos.

Mas, na intimidade do seu lar, quando ninguém está olhando, você, solitariamente, vive uma vida dupla.

Você se transforma em um criminoso.

Você repassa aos seus amigos um texto qualquer, sem sequer se dar ao trabalho de pesquisar no Google algo acerca da sua autenticidade. Você não percebe que o autor da matéria sequer existe, ou sequer escreveu aquilo.

Você vilipendia a honra das pessoas, questionando, de forma covarde, a sexualidade delas, violando, de uma só vez, a postura ética, despida de preconceitos pela qual você se pauta, e a verdade, sem se dar ao trabalho de verificar a fonte da calúnia.

Você envia fichas criminais falsas, sendo cúmplice, assim, de falsificação grosseira (isso sem contar com o fato de que, enquanto a maioria de nós vivia como gado tangido durante a ditadura,  alguns contra ela se insurgiam – toda e qualquer legislação do mundo democrático trata com benevolência o crime político, porque entende que a liberdade não pode ser sufocada, e que, quando isso acontece, há que se insurgir contra isso até com a vida).

Você, que vota conscientemente, bom cidadão que é, deseja conquistar o voto dos outros pela mentira, pela calúnia que espalha no anonimato, pelo boato que espalha. Você se torna cúmplice do crime.

Crime? Sim. Basta olhar o Código Penal Brasileiro e verificar que todos esses atos constituem ou calúnia, ou injúria, ou difamação.

Você está virando terrorista.

Você espera que seus filhos sejam cidadãos iguais a você. Justos, honestos – do bem. Mas você, secretamente, pratica aquilo que não gostaria que eles praticassem. O terrorismo. A mesquinharia da destruição anônima da honra alheia.

A internet possibilita hoje que, de forma confortável, pratique-se aquela conduta típica de décadas anteriores: a da carta anônima.

Prática covarde, que não dá direito de resposta. Que tenta intimidar. Que não propõe nada de novo, apenas tem por objetivo desmoralizar o seu alvo.

E, pior de tudo: você manda esse lixo todo pra seus amigos, a mim, inclusive, que você sabe ser simpático a candidatura diferente. Ou você me julga burro o suficiente para me convencer com os ultrajes que me envia, ou, se acredita naquilo que está a me enviar, precisa rever urgentemente sua forma filtrar informações, sob risco de tornar-se mero joguete na mão dos outros.

Sei que você se preocupa com um Brasil melhor. Eu também. Vamos fazer um pacto? Você daí, eu daqui, vamos juntos estudar o programa dos candidatos, ao invés de nos deixar teleguiar por boatos que só querem desviar a nossa atenção do que realmente importa.

Vamos desconfiar do moralismo – bem x mal, ao qual tentam nos alinhar, como se não soubéssemos que todos nós temos nossas contradições. Você vota na Dilma? Você vota no Serra? Você tem lá as suas razões. Confio em sua escolha. Deixe-me cá livre com a minha. Eu não sou idiota. Eu leio o que recebo, e vai pro lixo a mentira. Fosse nosso país um lugar sério, você e os outros que repassam as notícias já estariam na cadeia. Fosse eu um inimigo seu, já teria registrado um B.O. devido à calúnia que você praticou.

Vamos adotar na política a mesma atitude que esperamos dos nossos filhos: que sejam justos. Que não queiram nada mais ou nada menos do que lhes pertence por direito. Que não falem mal dos outros, assim como esperemos que não falem mal deles. Quem não sejam fofoqueiros, espalhadores de boatos, e que aprendam a respeitar as outras pessoas, sem macular-lhes a honra.

Apelo a você, pessoa do bem que é, que reflita sobre a postura covarde de espalhar mentiras. Você não enfiaria dedo no olho ao brigar, enfiaria? Pois a covardia dos e-mails difamatórios envergonha o Brasil. Dizem que o voto dos que recebem Bolsa-Família é um voto comprado. Pois o voto daqueles que acreditam em boatos é fruto da coação moral e vergonhosa à qual somos submetidos todos os dias.

Nossa consciência, afinal, é o que nos resta. Cuidemos dela.

Autor: oculos

the guy that owns this thing... :D

FireStats icon Produzido pelo FireStats