Porque não acredito mais tanto na política

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Eu sempre fui admirador de partidos políticos desde a tenra infância. Sempre me interessei por política, e sempre achei que nosso interesse pelo assunto faria com que escolhêssemos melhores representantes.

Eu já não acredito em política. E não, não é propriamente a decepção com o comportamento dos políticos que me afasta do assunto. É que acho que política é uma mera ilusão, uma discrepância entre realidade e ficção, e eu não tenho mais paciência para a hipocrisia.

O grande problema da política hoje em dia é que somos qual gado sendo tangido para aqui ou para ali, sempre com a crença de que estamos fazendo a escolha certa. Nossas escolhas são emocionais ou passionais.

Quer um exemplo? Vejamos: você, leitor que tem raiva da Dilma e do PT. Você provavelmente votará contra o PT ou porque sempre teve raiva do partido (porque os militantes são feios, porque são raivosos, porque são iguais aos outros aos quais outrora criticavam). Já vi gente que simplesmente não gosta da Dilma e pronto.

Já você, leitor, não volta no Serra por causa do Fernando Henrique Cardoso. Porque não volta na direita. Porque são associados ao DEM. E, também, porque são os de sempre.

Todos os motivos acima, pra mim, são passionais, e escondem algo que, isso sim, é preocupante: há uma dissociação muito grande entre a competência administrativa dos governos e o que realmente é debatido.

Criticam o fisiologismo do PT hoje, como se qualquer partido que venha a assumir o poder fosse, num gesto de altruísmo, nomear pessoas de outras linhas ideológicas. Aliás, note-se que o PT, pelo menos, nomeou o Henrique Meireles e o Celso Amorim, sempre aliados com outras linhas ideológicas, sempre em nome da boa administração. Mas, de regra, quem assume o poder coloca os seus na administração.

O próprio escândalo da Erenice Dias, por exemplo – quem desconhece o apetite das pessoas para levar alguma vantagem quando tem acesso a informação privilegiada? Só quem desconhece como funciona a Administração Pública é que pode afirmar que esse tipo de coisa não acontece em qualquer administração.

Os índices do governo – econômicos e sociais – seriam bons indicadores, mas podem sofrer manipulações.

Uma escolha coerente e consciente para o voto é dificílima. A decepção costuma ser a regra. Há personalismo demais na nossa política.

Sabe qual é o problema? Nem você nem eu sabemos como as coisas funcionam lá dentro. Uma vez um assessor parlamentar me disse que os deputados, por exemplo, bocejam se você for discutir um projeto de lei com eles. Mas experimenta dizer: “o senhor ouviu que Fulano vai para outro partido?”. “O QUEEEE???? QUANDO????”. O interesse é do a auto-preservação.

Mas como funciona a administração? Qual o planejamento? Nas cidades pequenas, quem assessora esses prefeitos inexperientes, sem curso superior, sem bons administradores, procuradores, médicos, professores? E nas cidades médias e grandes? Nessas administrações complexas, quem planeja o futuro? Quem tem projeto?

Infelizmente, nem eu nem você sabemos ao certo o que é feito dentro dos Palácios, das governadorias, das prefeituras. Nem eu nem você acompanhamos as licitações. Não nos entrevistamos com os professores municipais para ver a qualidade da sua técnica.

Eu não me acho exatamente como Classe Média – acho que alguém só tem percepção de sua classe social quando se casa e começa a comprar determinados itens que, quando solteiro, não faziam falta. Mas acho que a Classe Média, de todas as classes, é a que tem a menor percepção da eficiência de um governo. A Classe Média não usa os serviços públicos – não usa o SUS, não usa escola pública, vive em condomínio privado, etc. Portanto, a avaliação é ideológica ou passional.

Já as outras classes talvez tenham uma decisão mais diretamente vinculada aos seus interesses. As classes C e D, por exemplo, são destinatárias dos programas sociais, e seu voto, claro, é fruto da melhora na qualidade de vida. Isso sem falar na estabilidade da moeda. Já a Classe A vota em razão da tal estabilidade, mas também em razão das facilidades negociais proporcionadas pelos governos.

Mas qual Administração sobreviveria a uma auditoria do tipo ISO 9001? Se a saúde de uma empresa privada é comprovada por sua conta bancária, sua adimplência a fornecedores e em relação aos tributos, como a sociedade avalia as contas do governo?

Os candidatos são vendidos pela TV como se vende coca-cola. Não há escolha que possa ser coerente com base em inútil programa eleitoral gratuito.

O que a sociedade precisa, urgentemente, é de acompanhamento das administrações. ONG’s formadas por administradores, economistas, juristas, médicos, etc. Profissionais que dediquem um pouco do seu tempo para acompanhar as escolhas dos gestores. As licitações. O planejamento. Tudo isso de forma apartidária, o que, de certa forma, é ingênuo admitir que aconteça. Mas sem que tenhamos conhecimento do que está sendo feito, ficamos com aquela percepção negativa ou positiva. Quer um exemplo?

Eu fui a Salvador no ano passado, e visitei o Pelourinho. Baseado nessa única percepção, eu jamais votaria no atual governador. Acabaram com o lugar. Não há, pra mim, justificativa aceitável para explicar como puderam ser tão omissos com um dos lugares mais significativos de Salvador. Mas o governador foi eleito. Sinal que, em muitas áreas para mim imperceptíveis, sua gestão foi excelente.

Enfim, enquanto a sociedade não acompanhar os gastos, não questionar as compras, não aferir a eficiência das escolas e da rede de saúde, não participar do planejamento para o futuro, vamos continuar votando por medo, por beleza ou por conveniência.

P.S. – E o Tiririca? Bom, ele não vai nos decepcionar. Vai ser um péssimo deputado. Não virá surpresa. Mas e os que elegemos, achando que serão bons representantes? Esses quase sempre não nos surpreendem, e acabam sendo uma lástima.

Autor: oculos

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