A vida

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Aprendi que a vida não deve ser tão levada a sério. Ela é curta, frágil e imprevisível. Como algo curto, frágil e imprevisível pode ser levado a sério?

Aprendi que é preciso um propósito na vida, mas que o ideal mesmo é viver a vida apenas pelo que ela é. Planos, metas, carreiras, tudo pode naufragar. Até o amor naufraga. Talvez o que importa é viver sem esperar muito. Talvez o importante é viver sem esperar nada.

Mas tenho a leve impressão de que só amor pode dar alguma sensação de sentido à vida. O resto é apenas um consolo para a sucessão de dias que precisamos preencher apenas por estarmos vivos. Dia após dia, tudo é enfado, correria, sobe-e-desce sem sentido.

Não sei se o amor dá algum sentido à vida. Mas sua falta súbita retira-lhe qualquer gosto, qualquer cheiro, qualquer serventia. É como a fome que só se sente que tínha quando saciada. O sentido da vida, ou seja lá o que quer que isso seja – seu gosto, seu aroma – só é sentido quando falta, quando na vida não mais se sente, não mais se quer, não mais se importa.

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