É impressão minha?

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Quando José Serra ultrapassou Dilma Rousseff nas pesquisas, o assunto esteve na primeira página do UOL. Foi tema de reportagens. Lá ficou por longos dias. disso me recordo, pois o fato não foi há tanto tempo assim.

Pois bem: na sexta ou no sábado, o instituto Datafolha divulgou pesquisa em que Dilma voltou a passar Serra nas pesquisas. O assunto ficou por algumas horas na seção principal do UOL, para depois ir para o fundo da página. Depois, nova divulgação de pesquisa CNT/Sensus, com Dilma à frente, teve a manchete dizendo que “Dilma e Serra estão em empate técnico”, para logo depois, também, ir para o fim da página.

Pra mim está absolutamente claro quem é o preferido do Grupo Folha.

Como também continua a me espantar receber e-mails de meio mundo de gente dizendo que a Dilma participou do atentado que matou um sargento (argumento hipócrita, já que estávamos em uma ditadura, e mentiroso, já que o nome dela não consta da lista dos que participaram da ação). Ou que a Dilma é isso, ou aquilo.

Sempre achei que o jogo sujo, dos e-mails e hoaxes, é orquestrado cuidadosamente para difamar candidatos de esquerda. Digo isso porque nunca recebi um único e-mail sequer falando, por exemplo, de filho extra-conjugal de um ex-presidente. Já a da filha do Lula, até em horário gratuito saiu. Enfim, é a versão moderna das famosas cartas anônimas, colocadas por baixo das portas em décadas passadas, cujo único objetivo era o de divulgar boatos e difamar a honra alheia (ou mesmo espalhar um acontecimento legítimo, sob o manto do anonimato).

Mas o certo é que, 8 anos depois, o Brasil não quebrou, como disseram que ia quebrar. Não faliu, como disseram. E não nos sovietizamos nem um pouco. Claro, como todo brasileiro, sinto que a política ficou mais homogênea. O PT, infelizmente, cometeu deslizes. Passou a ser vidraça. Nosso país não deixou a corrupção para trás, ao contrário do que imaginávamos. Quem diria: dizia-se que o governo do PSDB era corrupto, mas sabia administrar. E eu dizia que não se vendem princípios. Os anos passam, e a gente aprende e se surpreende: o PT administrou muito melhor que o PSDB, mas assimilou algumas práticas por pragmatismo puro.

Acho eu que nunca tivemos uma auto estima tão elevada. O Brasil volta a ser o país do futuro. Mas a verdade é que continuamos tão bárbaros quanto antes. Nosso jogo político ainda é do nível das cartas anônimas da década de 60/70, e da imprensa de direita-tipo-Globo-do-debate-CollorxLula.

E vou concluir, antes que comece a falar da hipocrisia e cinismo do Geddel falar mal de Wagner, em cujo governo estava até alguns poucos meses atrás, sob forma de cargos, sem que tenha a decência de assumir a responsabilidade pelos erros do governo. Ou pela hipocrisia e cinismo de dizer que não houve transferência de recursos do Governo Federal para a Bahia sob o governo de Wagner, quando ele mesmo, Geddel, foi acusado de ter usado recursos destinados a situações de emergência em valores astronômicos para a mesma Bahia. Ou das conversas de alianças Wagner-César Borges-Geddel, como se programa de governo fosse o que menos importasse – vão se xingar em um teatro para platéia no horário eleitoral gratuito.

O certo é que política é que nem viver em um mundo virtual, como Matrix: lá, como cá, há apenas uma aparência destinada a chamar a nossa atenção quando, de fato, somos apenas um instrumento para a busca do poder deles, uns com melhores intenções que os outros, mas sempre desejosos de poder. E nos convencem direitinho, os danados… Somos como torcedores de times de futebol, cegos pelas cores das bandeiras, sem perceber que, lá no gramado, são 11 jogadores de um lado, em nada diferentes dos outros 11 do outro lado, a não ser pelas cores que seus uniformes ostentam. E nós, como malta ensandecida, optamos por um desses times, ou partidos políticos, que hoje digladiam-se, amanhã amam-se, mas que todos os dias nos fazem de idiotas.

Autor: oculos

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