Miriam Leitão não deve entender de Banda Larga

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Tá, eu confesso: não é todo dia que assisto ao Bom Dia Brasil. Mas nunca vi a Miriam Leitão elogiar nada feito pelo Governo Lula, e nunca vi ela criticar algo feito pelo Governo FHC.

Mas hoje ela foi com tanta ânsia ao pote que me deixou chocado: disse que a reativação da Telebrás para oferta de banda larga foi a pior solução possível. Pior: que, para popularizar a internet, deveriam usar recursos do FUST.

Achei a coisa, além de demonstrar uma má intenção da comentarista, uma prova de que ela não conhece o assunto nem o programa que criticou.

Quando li a proposta do governo, vi que faz sentido total: a Telebrás não deverá ofertar a última milha, isto é, não irá virar um provedor, salvo em situações excepcionais. Qual é a idéia? Prover fácil acesso ao backbone, ou seja, à rede de fibra ótica possuída pela ex-estatal. O objetivo é baratear os custos de conexão, e se utilizar de provedores privados, empresas, associações, etc., para prover a última milha.

A idéia é excelente. O problema da internet no Brasil não é totalmente estrutural. Sabe-se que há uma rede de fibras ociosa. Não obstante, o custo dos links de acesso é extorsivo. São controlados pelas grandes operadoras, que são, igualmente, fornecedoras de última milha! Controlam, assim, quase todo o circuito que vai da casa do usuário à conexão aos backbones internacionais. Inviabilizaram, com o alto custo dos links, os investimentos privados dos pequenos provedores, cobrando preços astronômicos por links que, em razão da capacidade ociosa das fibras, deveriam ser baixos.

Essa teoria se prova pelo simples fato de que é a ganância das operadoras que constitui o maior entrave à popularização da internet. Quando se observa que os preços são tão diferentes aqui em Conquista dos de Salvador, percebe-se que o que dita o valor cobrado é a competição. O preço de 10mbps em Salvador é menor do que o de 1mbps em Conquista. Os preços eram iguais, até a chegada da competição à capital. Mesma coisa no Rio, em BH e em outras cidades. Embora eu compreenda que os impostos são excessivos, como disse a Miriam Leitão, isso não explica a grande distorção entre mercados tão próximos.

Com custos baixos de link, é possível que projetos comunitários de acesso à internet sejam viáveis. Pequenas comunidades usando wifi, wimax, etc., poderão florescer. Acho que pode ser que a internet se torne, finalmente, algo bastante acessível a todos.

Autor: oculos

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