Ciclistas: tem espaço pra todo mundo

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Eu estou entre as centenas de pessoas que usam a Avenida Olívia Flores para praticar atividade física. No meu caso, corro naquela avenida. Na verdade, às vezes acho que sou um perigo público: além de não ter a melhor visão do mundo, teimo em correr onde acham que não devo.

Lembro-me que, ao começar a correr, Herzem Gusmão me dizia: “Meu filho, não corra no asfalto”. Depois o conselho passou a vir de José Raimundo, prefeito à época: “lugar de correr é aqui”, apontando para a calçada. Eu brincava com a situação, dizendo pra todo mundo que o prefeito cuidava de tudo na cidade, até do lugar onde a gente corria! Era quase um xerife!

Enfim, fui ignorando, de forma meio avergonhada, os conselhos. Depois a vergonha passou, e passei a assumir: corro é no asfalto mesmo. E, às vezes, corro na ciclovia, que veio depois, já tendo completado mais de 1 ano e meio. No que diz respeito à minha pessoa, aquela foi a obra municipal que mais impactou a minha rotina diária: agora tenho onde correr com espaço.

Mas não deixo de escutar muxoxos: “lugar de correr é na calçada!”, “aqui é pra bicicleta”, “um carro lhe pega”, etc.

Infelizmente, a quantidade de corredores não é tão grande quanto a dos ciclistas ou dos pedestres e, talvez por isso, não percebam alguns dados importantes:

– o impacto nas articulações ocorrido durante a corrida é, no asfalto, 3 vezes menor do que no concreto/cimento;

Para nós, corredores, correr no cimento é fora de questão. Temos, assim, duas opções: ou correr na pista ou na ciclovia. Ocorre que, dependendo do horário, correr disputando espaço com os carros é altamente perigoso. Quando saio de casa para correr, ainda é muito cedo, os carros trafegando são poucos. Quando volto, às vezes tenho que usar a ciclovia.

Os ciclistas, na verdade, poderiam ser um pouquinho mais tolerantes: a ciclovia tem dois sentidos de tráfego. Basta usá-los adequadamente, que dá pra todo mundo. Nem os corredores devem andar emparalhados, bloqueando o tráfego, nem os ciclistas deveriam trafegar usando os dois sentidos da ciclovia, principalmente quando o fazem em alta velocidade. Corredores e ciclistas podem usar o mesmo espaço com segurança para todos, contanto que todos tenham bom-senso, sigam regras de civilidade e não façam mau uso do equipamento.

E, o mais importante: que as pessoas continuem a se interessar cada vez mais pela atividade esportiva sadia. Nada mais bacana do que ver os amigos andarem naquela avenida, anos a fio, sempre no mesmo horário. Na Avenida Olívia Flores, não há partidos políticos, profissões ou classes sociais: são todos velhos amigos começando o dia juntos, caminhando, correndo ou pedalando.

Autor: oculos

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