Ensina-me a viver…

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Não, antes que você, leitora engraçadinha, me pergunte se estou apaixonado por alguma “Maud”, explico-lhe que não me chamo Harold… 🙂

Mas a vida não é como os primeiros Macs, que, reza a lenda, vinham sem manual de instruções, porque supunham-se tão amigáveis que a mera intuição possibilitava o uso por qualquer um (doce ilusão – isso até aquela bombinha infeliz que tinha nos System aparecer…). A vida deveria ter manual de instrução. Ou vai ver tem – vai que a Biblia, por exemplo, que já li centas vezes, seja um manual de instrução, e eu é que não me inclino a segui-la rigorosamente porque, afinal de contas, nunca fui dos melhores alunos em nada (tá, fui sim em algumas coisas, mas convenhamos que de vida conheço pouco, ou de repente conheço-a o bastante para saber que não se pode entendê-la).

Sim, o post é melancólico, como são os dias em que amanheço calmo após controlar um turbilhão de ansiedade de um dia interior. Sim, D. sabe do que estou falando, e I. também. Bom, o que importa é que hoje é um outro dia. Aliás, é engraçado como às vezes os antigos disseram coisas que hoje nos parecem tão profundas – será que simplesmente somos mais burros do que antigamente? Puxa, ao dizer “Conhece-te a ti mesmo”, Sócrates talvez tenha dado o conselho mais útil que alguém possa oferecer a alguém. E ele não tinha um Mac (se fosse hoje, seria o computador dele, ÓBVIO)… 😀

Mas enfim, não reparem esse post, que não se propõe a ser um desabafo, mas sim uma mera forma de ocupação do cabeção que, como percebem, se recusa a produzir algo que presta.

Esse frio de Conquista está insuportável. Passei a detestar o frio. Frio me lembra da Noruega, que, para mim, é como as Terras Imortais para os povos de Tolkien – ao inverso: um lugar para onde nunca mais vou voltar, mas que, por essa mania besta da humanidade em procurar refúgio no passado, sempre me parece como um lugar ideal e ao qual eu nunca deveria ter deixado. Esse frio gela os pés, e seria ótimo para beber, caso eu bebesse. Não, eu não bebo, leitores -fui fazê-lo na sexta anterior – nenhum vexame público, exceto perguntar a uma amiga, à exaustão, se ela estava bem: “Mas você tá bem? Tá bem mesmo? Puxa…. Vc tá bem??? Me fala se vc tá bem…”. Bosta…

Consegui emagrecer 6 quilos. Faltam 3. Mas esses 3 quilos se apegaram muito a mim, sabe? Não querem ir embora… Não importa o quanto queira enxotá-los, querem ficar. Não adianta querer deixá-los no meio das corridas de 10km que rendem canelites insuportáveis (se bem que estão até suportáveis). Voltam. Deve ser a frequência que vou ao rodizío de sushi nas quartas-feiras. Vou parar. Chega de Sushi (exceto em SSA).

Contei que comprei um relógio? Uma amiga dizia que meu Casio velho não me caia bem. Pobre Casio, companheiro de mais de 10 anos (contados da primeira encarnação do bicho). Ela dizia que eu ficava parecendo um técnico de computador que atende a domicílio (segundo ela, todos eles, supostamente nerds, usariam Casio). Mas, puxa vida, eu sempre quis ser técnico em informática… Não poderia ao menos usar o relógio deles? Enfim, agora uso um Swatch, relógio que surgiu para ser barato mas é caro, que mal me permite ver as horas à noite e que faz um tic-tac enjoado ao ser colocado muito próximo ao ouvido. Pronto, me vendi: agora sou um engravatado com swatch. Blargh. Mas tem nada não, um dia volto ao meu Casio, que ainda me acorda para correr. Só que essa noite esqueci o alarme ativado e o coloquei do outro lado do quarto. Sim, acordei 5:30 da manhã de um sábado. Pelo menos serviu para esvaziar a bexiga, que sempre castigo aos sábados por preguiça de ir ao banheiro.

E o trabalho, como vai? A lesma lerda… Ainda sem ganhar o meu primeiro milhão…. Mas, let’s face it, nunca corri atrás de um milhão, nem de dois, e talvez por isso nunca irei consegui-lo. Mas às vezes ele faz uma falta, né? Enfim, o trabalho trouxe algumas alegrias e alguns dissabores – felizmente os primeiros foram mais preponderantes. Ganhei um processo que imaginei perdido, perdi um que imaginei ganho, enfim… Mas a satisfação foi apenas profissional – dindin nenhum.

Já no setor público, pela primeira vez perdi a calma (e fui aplaudido por isso). História é a seguinte: pediram-me para fazer, em cima da hora, alguns contratos. Só que pediram em cima da hora. Já havia outro serviço urgentíssimo para fazer, portanto esses contratos não sairiam com a rapidez desejada, porque, caralho, “não somos máquina, homens é que somos”… Mas disse que, no outro dia, ao meio-dia, estariam todos prontos. Tudo certo? Tudo. Só que, meia-hora depois, começaram a ligar pedindo os contratos. Ligaram pra chefe, ligaram para minha colega, enfim, ligaram. E, no outro dia, começaram a ligar novamente. Ligaram umas 3 vezes. Até que atendi uma das ligações, e fiz um discurso onde os termos “moleque”, “irresponsável” e “me deixe trabalhar, me respeite” foram usados por mim sem nenhuma cerimônia ou moderação, aos sorrisos dos colegas de trabalho. Tropa de filho da puta sem costume. Porra, não falei que entregava ao meio dia? Isso aqui não é “Pequeno Príncipe” não (ou, como dizia o Pipi, “Pequeno Paneleiro”) – não tem isso de “se vieres às 3, às 2 vou ser feliz”. Porra, se você disse que vem às 3, chegue às 3 que a gente conversa. Saco. Aliás, falando em filho da puta, aprendi um mantra ensinado por PE: quando alguém insistir muito com uma coisa, tipo: “aceita um chá? Não, obrigado… Ah, aceite… chá é ótimo! Não, obrigado, não me apetece… Ah, não, que desfeita, tome o chá…”, diga, em voz alta, gesticulando com os braços: “PUTA QUE PARIUUUUUUUU!!!! EU NÃO QUERO ESTA MERDAAAAAAAAAA!!!!!! QUE SACOOOOOOOOOOO!!!!!! PÔOOOOORRAAAA VOCÊ É MUITO CHATOOOOOOOOOOO!!!!”. Tá, nunca vou dizer isso, mas toda vez que repito isso pra mim mesmo, me sinto bem mais leve. Hehehehe, sim, eu sou doente… hehehehehe

Ah, o sábado já ficou melhor…. “PUTA QUE PARIUUUUUUUUUUUUUUUUUUU…”  hehehehe

Autor: oculos

the guy who writes here... :D

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