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Comprei “O Livreiro de Cabul”, da norueguesa Åsne Seierstad. A autora conviveu alguns meses com a família de um livreiro afegão a fim de retratar melhor aquela sociedade.

O livro é muito interessante e gerou polêmica, já que o livreiro retratado não gostou muito da forma que foi descrito pela autora.

Eu, particularmente, acho que relativismo cultural tem limite. A forma desumana de tratamento dispensado às mulheres não pode ser justificada pela cultura e sociedade em que tal forma está inserida. Pra mim, nunca vai ser certo tratar mulher como um animal ou negar-lhe o direito à vida, ao desejo e à liberdade só porque uma religião diz o contrário. E digo isso sendo evangélico, conhecedor que sou que a doutrina oficial das igrejas evangélicas às vezes traz práticas discriminatórias contra as mulheres também.

Confesso que achei, num primeiro momento, que a crítica fosse oportunista. Afinal de contas, todos sabem que algumas sociedades islamicas têm como viés a diferença de direitos (para usar uma forma neutra ao falar do assunto) entre os sexos. Portanto, satanizar uma família que reproduz uma prátíca aceita na sociedade realmente me pareceu, como eu disse, oportunista. São atitudes como essas que geram os tais conflitos de civilizações.

Porém, é preciso que, em nome dos avanços (?) na área dos direitos humanos que se conquistaram nos países ocidentais, que situações como essas sejam publicamente condenadas e que entrem na agenda das organizações. Não se pode confundir o discurso político ideológico usado para justificar invasões e violações à soberania dos países com a defesa legítima dos direitos humanos, que não deve ser tirada da gaveta só para fundamentar as atrocidades cometidas em nome dos tais direitos.

O livro é muito bom, a crítica é, apesar da consideração anterior, legítima e oportuna, como sempre é oportuna a reflexão sobre a forma que tratamos a nós mesmos.

Autor: oculos

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