Oh, não, carnaval de novo!!!!

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Não gosto do carnaval, e acho que, desde que essa fossa blogal foi criada, em todos os carnavais escrevo algo contra.

Não vou tão longe quanto um amigo meu, psiquiatra de profissão, que diz que não temos mesmo razão pra comemorar. Ele acha que o país tem problemas sérios, e que não merecemos gastar dinheiro com outra coisa a não ser resolvê-los. A lógica é matemática, não humana, por isso não sei se concordo ou discordo. Até quando devemos ser matemáticos? Onde devemos colocar nossa humanidade? E o Tribunal de Contas da União andou cobrando explicações sobre gastos com bebidas pelo presidente da república. Não deveria então cobrar explicações com essas folias? Tá, geram empregos, e são para todo o povo. Mas, pelo raciocínio matemático e da legalidade, acho que dinheiro público não deveria ser gasto com diversão enquanto tivermos um IDH tão baixo. Deveríamos nos colocar numa espécie de Ramadã, ou Ano Sabático, ou, ainda, Purgatório, Ano de Penitência, sei lá. Só tem festa quando diminuirmos nossa corrupção, nossa incapacidade de sermos sérios na gestão pública, etc.

Mas ainda assim acho que eu seria ranzinza no carnaval. Adolescente que nunca dançou, com seus óculos fundo-de-garrafa de vários graus, acabou esse mané a não curtir muito essas folias, e, pior, ter movimentos tão sutis quanto o Robocop (apelido que ganhei, inclusive, quando membro do DeMolay). Sim, arrumo mil e uma desculpas para não gostar do carnaval – tem também a velha (e válida, legítima desculpa) de odiar a segregação de classe social cada vez mais existente no carnaval de Salvador, por exemplo. O carnaval passou a ser dos blocos, dos pagante$.

Mas não quero enganar ninguém: não gosto do carnaval porque não fui criado para gostar dele. Teve, de um lado, a religião protestante, mas essa não me impediu de fazer outras travessuras. Do outro lado, os óculos, mas esses também nunca me impediram de fazer outras loucuras, entre elas, dirigir. Será por que não bebo? Será por que não tenho dos melhores humores (ah, mas eu sou tão engraçadinho… eheheheheh)?

Não sei a razão. Só sei que é chato não gostar de uma coisa que parece ser a razão da vida da humanidade inteira (ou da parte da humanidade que me cerca mais de perto). Mas não gosto. Quando pequeno, ainda gostava de ouvir os clássicos do carnaval baiano, porque eram coisas mais genuínas, talvez menos comerciais. Quem é que não gosta de ouvir “Ah, imagina só, que loucura, essa mistura, alegria, alegria é o Estado que chamamos Bahia…”. Hoje é essa coisa estranha, tipo “A paradinha, inha, inha…” … Me bata um abacate…

Autor: oculos

the guy who writes here... :D

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