O poema

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Estava na rua, e ao regressar, viu um número novo no seu identificador de chamadas. Arguto, percebeu que aquele número era proveniente de sua cidade natal. Além de arguto, é curioso: quis saber quem teria ligado de sua terra. Chamêmo-lo de Carlos.

Ligou, atendeu uma voz jovem. Explicou que vira o número em seu telefone, e perguntou se alguém lhe chamara. A voz jovem pediu que aguardasse e, minutos depois, escuta uma voz de alguém de sua idade, que ouve atentamente nova explicação do porquê daquele telefonema.

A voz da senhora, então, diz: “É você, Carlos?”. Ao que ele confirma. A pessoa, então, na esperança de que ele a reconhecesse, começou a desfilar memórias do tempo em que eram apenas jovens em um Ginásio. E ele não se recordava…

Então a senhora apelou: “Pois veja, vou te repetir um poema que um dia fizeste pra mim, e quem sabe te lembrarás”. Ao ouvir o primeiro verso, Carlos, tomado por grande emoção, repetiu todos os demais. E perguntou: “É você, Ana?”. Era.

Ana sabia de memória todo o poema. Carlos sabia a primeira estrofe. Escrevera aquele poema para Ana, mais de cinquenta anos atrás. Tinha 14 anos. Ana foi a sua primeira namorada. Nunca se viram nem se falaram desde então. Até que, ao voltar da rua, viu um número novo no seu identificador de chamadas…

(o fato é verídico, os nomes não, e fiquei completamente sem sentido ao ouvir a história, que me pareceu linda como a vida, pura como a vontade de estar perto de quem se gosta)

Autor: oculos

the guy who writes here... :D

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