Em BH

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Estou na capital mineira. O ônibus atrasou ontem 2 horas. A linha era Salvador-Belo Horizonte, mas, por uma dessas máfias que as empresas de ônibus têm, vi num ônibus da linha Natal-São Paulo. Viagem ruim, mas até aí sem novidades. O ônibus não para na rodoviária.

Estou no hotel. Nada mais confortável do que um quarto de hotel. Tudo simples, espartano, legal. Refúgio e consolo pela viagem ruim. Nada mais oprimente do que um quarto de hotel. Não há identidade, não há vida. Só é refúgio mesmo, e mais nada. O ar seco do ar condicionado e a falta que faz ouvir uma voz humana do outro lado. O café-da-manhã, por mais gostoso, não ajuda. Estamos em Minas Gerais, e o pão de queijo que serviam era horrível. A tomada para laptop que disseram que tinha nos quartos é apenas a tomada telefônica – sim, estou conectado por via discada, graças ao bom e velho iG (séculos que eu não usava), a 26.400 (ahhhh, bons tempos os da Mastergate… ;).

Tenho um dia inteiro pela frente. Tem feira hippie hoje (deve ser a única coisa que acontece aos domingos em Belo Horizonte). Mas não quero sair do hotel, esse refúgio-prisão. Aqui pelo menos tenho a sensação de estar em paz, apesar de saber que estou, na verdade, sozinho.

Não sei se já falei sobre o que penso de Belo Horizonte. Acho que é uma cidade de causar inveja aos brasileiros. Limpa, organizada, descolada. Mas talvez seja uma cidade não tão brasileira assim. Segundo alguns mineiros, é apenas uma grande cidade do interior (injustiça, acho a cidade bem cosmopolita, ainda que um tanto conservadora). Mas falta um tempero nessa cidade. Não sei se falta um pouco do povo falando alto, como em Salvador. Ou de diversos sotaques, como São Paulo. Gosto daqui, mas acho que não me sentiria bem vivendo aqui – acho a cidade um tanto quanto enclausurante. Mas estou em um hotel, hotéis são sempre enclausurantes, você poderá dizer. Não, já estive em BH antes. Muitas vezes. Mas, embora também tenho uma ponta de inveja da qualidade de vida daqui, tudo me parece meio kitsch. Vai ver porque não é a Bahia, e baianos são assim: vão pra todos os lugares só pra ficar falando como a Bahia é maravilhosa (e não sei se é tão maravilhosa assim… eheheh). Mas um conquistense sempre se sente meio a vontade em Minas (100km de distância da fronteira explicam isso).

Autor: oculos

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