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Filmes que vi: Un Cuento Chino

Posted by oculos on May 16, 2012 in Filmes

Filme argentino, excelente, com a sempre genial atuação de Ricardo Darin.

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Filmes que vi: Os 3 e The Hunger Games

Posted by oculos on May 14, 2012 in Filmes, Principal

Os 3 – Filme brasileiro sobre três amigos que vão morar juntos.

The Hunger Games – bacana.

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Desculpe, não temos bifanas…

Posted by oculos on May 11, 2012 in Principal

O dia foi 10 de maio de 2012. Estava eu a aproveitar meus últimos minutos em Bruxelas, quando avistei a placa de um restaurante, em boa língua lusa: “Bifanas”. A um brasileiro, tal palavra soaria completamente estranha, como outras tantas do português europeu, como passaram a chamar o idioma falado em Portugal. Mas a mim não era estranha. Após anos a ver em documentários televisivos os malabarismos que os portugueses fazem com os ingredientes, até fazer deles comida – e não comida qualquer – passei a me interessar pelos quitutes de Portugal, sejam preparados pela querida Armanda, com suas variações angolanas, seja nas rápidas e curtas visitas a Lisboa, oportunidades em que sou apresentado pessoalmente à arte culinária do país por obséquio do amigo Pedro Aniceto. Nunca tivemos tempo para pratos enormes, cuja digestão, suponho, demande escaladas mais demoradas naquele país. Mas, se minha cultura não me permite analogia mais elaborada, permitam-me dizer que o que quer que tenha comido em Portugal (ou feito por mãos portuguesas) sempre me causou sensação parecida à do crítico culinário personagem do filme Ratatouille, quando este finalmente prova o prato de um restaurante e foi remetido à história de sua infância pela simplicidade, mas autenticidade do prato. Não é que a cozinha portuguesa seja simples – é que parece-me rústica (embora exemplos não faltem de complexidade e fineza), mas sempre deliciosa e autêntica. É comida feita pra gente, e não pra meros observadores científicos. Não é que volto à infância, mas fica sempre a impressão que aquela comida é de verdade, é real, e que não há nenhum truque a nos enganar. Pois bem, por indicação do mesmo Pedro Aniceto, vi um episódio do No Reservation, onde o Tony Bourdain visita Lisboa, e refestela-se com bifanas. Depois de ter comido “pregos” em Portugal três anos atrás, tinha que provar as bifanas. E eis que, como disse, encontrava-me em Bruxelas, uma semana após ter tomado conhecimento do tal sanduiche. E, ao rondar a cidade, pronto a despedir-me, deparei-me com a seguinte placa:

 

Sim, a foto está desfocada de ansiedade...

Não pude reter a alegria, que contagiou a um americano que comigo estava e que também se interessou a provar o tal famoso sabor português, a apenas alguns metros da Grand Place. Adentro ao estabelecimento. “Bonjour”, diz a senhorita. Arrisco um “olá”, apenas para checar a autenticidade do local, e recebo-o de volta, desta vez com o indisfarçável jeito lusitano de falar. Alívio – é mesmo uma casa portuguesa. Meu amigo americano a tudo acompanha, e conseguiu entender quando pergunto pelo prato que nos trouxe até ali. É quando escuto “Desculpe, não temos bifanas.” Em um restaurante que se chama por tal…

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Por que adoro a Dilma Rousseff

Posted by oculos on May 6, 2012 in Principal

Digam o que quiserem, mas ADORO a Dilma Rousseff. Ela não tem aquela desfaçatez dos políticos, sempre falando para as câmeras. Ela parece ser do tipo de brasileiro que trabalha, e não daquele outro tipo que encosta em quem trabalha.

A Dilma me transmite a sensação de que não quer exatamente ser popular. Quer ter a consciência de que está fazendo o certo para o país. Eu vejo que isso faz uma diferença tremenda. Toda a mídia fala da falta de tato dela com os demais políticos, mas isso porque ela não parece ter aderido ao non-sense do mis-en-scene (pois, dois estrangeirismos em uma frase, vai te catar) da vida política nacional, do tipo que opta por clichês, adora um microfone ou vive naquela política de promoção partidária. Dilma, pra mim, é daquele tipo que entende do que está falando, e parece ter zelo com o que governa.

Isso, para um país acostumado a um teórico deslumbrado como FHC, um mauricinho não menos deslumbrado como Collor, e um popular, mas também – sim – deslumbrado – Lula, a Dilma é uma vitória daqueles que sempre viram o trabalho como ética de uma vida decente e honesta. Os outros exalavam aquele velho ideal brasileiro do sucesso na base do charme, da simpatia, do carisma. Nossa presidenta – como ela prefere ser chamada – é do tipo trabalho em bastidores, que obstina-se a terminar bem algo que lhe colocam às mãos para fazer.

Por isso, relatos sobre seu comportamento rude nunca me assustaram. Aliás, sempre gostei de ouvir dizer que ela seria bruta em reuniões, que cobraria rigidamente desempenho, essas coisas. Detesto tiranos, e odiava que o lado criativo de Steve Jobs carregava consigo o acessório da descompostura, da grosseria gratuita. Mas, com a Dilma, parece-me que ela não se coaduna com o velho jeitinho que tentei retratar acima, o de que bastaria um português mais complicado e um gráfico apresentável para demonstrar uma tarefa cumprida. Dilma cobra competência, e isso, em um país acostumado com tanta incompetência, é algo a comemorar.

Adorei, assim, o relato de Elio Gaspari na Folha de São Paulo de hoje:

“BEM-FEITO

Um turista acidental do Palácio do Planalto ouviu um destampatório da doutora Dilma numa conversa com um de seus ministros. Ficou horrorizado. Quando chegou em casa, foi estudar o caso e concluiu:

1) O moço queria dar uma lição de governo à doutora.

2) Tecnicamente, ela tinha razão e conhecia o assunto melhor do que ele.”

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Desabafo: Paulo Francis

Posted by oculos on May 5, 2012 in Principal

A Folha, nas últimas semanas, têm promovido, em seus artigos, uma reedição dos textos de Paulo Francis. Primeiro, foi usado amplo espaço na Ilustrada. Depois, em colunas de opinião, como a de Ruy Castro de hoje.

Não entendo, como é que em pleno ano da graça de 2012, reeditam Paulo Francis. Pra mim, é como reeditar “Mein Kampf”. É digno de nota que a mídia se escore em um suposto valor intelectual de Paulo Francis para tolerar seu chauvinismo, seu racismo, seus pensamentos discriminatórios, etc. É como se o jornal usasse as palavras de Paulo Francis para, usando-se da escusa da excentricidade deste, dizer aquilo que pensa mas que não poderia dizer diretamente. Essa matreirice da mídia pode até enganar a alguns, mas, a mim, não passa de uma forma de poder voltar a dizer aquilo que, por avanços sociais e que tais, não poderia dizer hoje.

Paulo Francis deveria ser banido da história da mídia do Brasil. Deveria haver vergonha ao citá-lo. Mas não: há um deslumbramento! As ressalvas que se fazem às maluquices que dizia, feitas sempre rotulando-o de polêmico, contraditório, complexo, são apenas desculpas esfarrapadas para justificar o injustificável comportamento de um reacionário racista. Fosse eu ou qualquer um a dizer o que esse cidadão dizia, e já estaria a ser linchado na rua. Mas era Paulo Francis, dando uma roupagem intelectual, quase cult, ao preconceito. E, por ser quase cômico, era, talvez por isso, também aceito.

Um país, um povo que se respeita, não pode aceitar o culto a alguém que dizia “pérolas” como essa:

“COLLOR
“Collor fala como a gente, isto é, como as pessoas com quem convivo. Os nossos ‘ilustres’ em geral estariam melhor num circo. É alto, bonito e branco, branco ocidental. É outra imagem do Brasil, com que fui criado, francamente”"

Ou, citando a Folha de São Paulo: “Num artigo em que contava de sua irritação com um garçom “crioulo” em Nova York, escreveu: “Pensei logo numa chibata”.”

Preciso realmente dizer mais? É, hoje, aceitável que um jornal repita uma vulgaridade racista dessa a fim de ressuscitar alguém tão retrógrado, tão incompatível com nosso espírito do tempo? Aliás, se Paulo Francis teve algum valor, que seja ressuscitado por tal suposto valor, mas não pelo que tinha de pior. É como se Monteiro Lobato fosse, hoje, endeusado pelo que tinha de pior, quando, na verdade, há sempre constrangimento ao lembrar do quão reacionário Lobato foi. Mas, no caso de Paulo Francis, há um mal disfarçado prazer em relembrá-lo justamente no que ele tinha de pior, e isso diz muito sobre o tipo de imprensa porca que temos hoje.

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Ê, mundo grande sem porteiras…

Posted by oculos on Apr 29, 2012 in Principal

Hoje estava a pensar no quão difícil é saber que se pode viver um, e apenas um, estilo de vida, mas saber que existem vários para se viver, cada um tão atraente quando o outro.

Explico: imagine fazer um voto de pobreza, e viver a caminhar por aí, sem compromisso, sem amarras, sem nada. Lembro-me que um professor uma vez me disse à turma que queria fazer isso, e a idéia me pareceu estranha, mas hoje faz todo o sentido. Mas também penso que seria muito legal ser capaz de construir muita coisa com o trabalho, e fazer coisas que durem mais do que a própria vida, coisas que transformem a vida de muita gente.

Seria legal viver em um canto sossegado, mas também seria enriquecedor viver 6 meses em cada lugar, e viver tudo o que há por aí para se viver.

Seria bom passar a vida aprendendo a tocar violino, ou a tirar boas fotografias. Alguém sem talento como eu precisaria mais que uma vida pra isso (e, no caso da fotografia, olhos um bocadinho melhores). Ou poder passar a vida sem ter que aprender nada – que a vida é curta mesmo.

Sei que não existe um jeito ideal de se viver. Mas o que mata é existirem tantos, em uma vida que acaba logo ali.

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A exceção do terrorismo

Posted by oculos on Apr 28, 2012 in Direito, Oslo, Principal

Esses dias têm sido um tanto difíceis para a Noruega. Talvez com a esperança de que o julgamento do terrorista cujo nome não se deve pronunciar, as pessoas aguardam com muita atenção o resultado. Há uma necessidade de um fechamento justo para isso, mas é como se o julgamento e todo o período compreendido entre a tragédia ocorrida em 22 de julho de 2011 e a sentença fossem parte de um processo de purgação do povo desse país.

Eu não entendo nada de Direito Penal, muito menos de criminologia. Mas enquanto meu amigo Eduardo Viana não escreve nada sobre o assunto, escrevo eu.

Eu usei a palavra “purgação”, e não sei se foi a mais apropriada. Mas o que quero dizer é que nós, no Brasil, não temos um processo de purgação dos crimes. Um exemplo claro disso é o que ocorreu no caso do assalto ao ônibus 174. A sociedade mal teve tempo de refletir, mas o mal já estava “purgado”. Nosso país, infelizmente, parece precisar de vingadores, porque nós mesmos não nos identificamos com o papel de um sistema judiciário que construímos e que não funciona como deveria.

Tinha escrito um longo, enorme post a respeito. Não vou mais fazê-lo. Mas não consigo me desapegar da idéia que essa situação é tão excepcional que deveria ser pensada com cuidado. Igualar a morte de 77 pessoas ao homicídio tal como consta no Código Penal é algo que não consigo assimilar. Expus minhas razões anteriormente, mas talvez ter perdido o post seja um sinal de não devo ter a arrogância de dar palpite em seara que não é a minha.

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Maratona de Paris

Posted by oculos on Apr 16, 2012 in Corrida

Ontem corri minha sétima maratona, desta vez em Paris.

Muita gente torce o nariz quando eu digo, antes da prova, que estou com medo de correr a maratona, ou quando digo que, aos 30km, sempre me pergunto o que estou fazendo ali. E o motivo para tal incredulidade é que muita gente não entende que cada maratona é única, e imprevisível.

Não sei quanto aos outros atletas, mas tudo pode influenciar uma corrida – desde um alarme que não tocou no horário correto, até esquecer de descansar o suficiente alguns dias antes da prova.

Eu fiz um ótimo tempo nessa maratona – 3:13:48, mas não foi melhor do que a prova de Oslo no ano passado, onde corri minha melhor prova. Não tenho uma explicação satisfatória: terá sido o inverno, que não me deixou treinar como gostaria? Terá sido a alegria de finalmente encontrar amigos do Brasil (e de Conquista!) depois de 8 meses de exílio? Teriam sido as caminhadas em Paris, uma cidade absolutamente fantástica? Enfim, não acho que vou achar nada que explique. Vou treinar mais distância daqui pra frente, e tentar enxergar essa prova pelo que ela significou: uma oportunidade de correr no percurso mais bonito que já corri.

A organização da prova foi impecável. O chato foi o frio – cerca de 5 graus. Mas foi uma excelente corrida, e estou feliz por ter lá ido, apesar de ficar um pouco triste por não correr em Zurique, onde tudo começou, semana que vem. Será a 10ª edição da prova, e  seria muito legal participar.

Paris, com certeza, deixa marcas na gente. Estou com muita saudade de lá, apesar de ter ficado apenas 3 dias na cidade. Mas um dia eu volto…

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Gravação de policiais e servidores públicos

Posted by oculos on Apr 11, 2012 in Direito, Política, Principal

Lembro-me uma vez que, ao filmar uma diligência efetuada por policiais militares, em uma suspeitíssima operação realizada às vésperas de eleição – o caso merece um artigo dedicado ao episódio – alguns dos policiais intimidaram ao cinegrafista para que parasse com as filmagens, alegando um suposto “direito de imagem”.

A equipe, na época, ficou muito assustada, porque ninguém gostaria de enfrentar policiais, muito menos da CAESG, conhecidos que são, digamos, pela “contundência” com que agem. (Aqui não vou emitir uma crítica à classe em geral, até porque, amigo que sou de alguns dos policiais da corporação, sei que muitos são gente de bem, estudiosos, muitos graduados em direito e cônscios dos seus direitos e deveres. Mas sei também que muitos não alisam, e que outros extrapolam). Pois bem: à época, eu disse que fossem buscar o tal “direito da imagem” na justiça. Não sei se eles se referiam ao direito objeto do Art. 20 do Código Civil, ou ao direito à privacidade e à honra previsto na Constituição Federal. À época, eu dizia que, como entes estatais, ali não estavam em um contexto de privacidade, mas sim no desempenho de uma função pública, função essa que está sujeita ao controle não só do próprio Estado, mas também da sociedade.

Pois bem: os EUA não são um país que defende com unhas e dentes a privacidade – lá, a liberdade de expressão tem uma proteção maior, garantida constitucionalmente. Porém, esse artigo me interessou porque a justiça americana de segunda instância entendeu que é lícito a filmagem de operações policiais, e a polícia não pode interferir no trabalho da imprensa ou de terceiros que registram as operações.

Seria muito bom que os policiais, ou todos os agentes públicos, agissem sempre pensando que estão sendo filmados. Assim, teríamos uma polícia com “accountability”, que prestaria contas à sociedade, que não vivesse em uma retaguarda, sempre assumindo que a defesa de direitos humanos significa a negação do trabalho policial.

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Cabelos brancos

Posted by oculos on Apr 10, 2012 in Principal

Oficialmente, tenho cabelos brancos.

Não que não os tivesse antes. Mas é que hoje, ao cortar os cabelos, vi alguns fios inteiramente brancos caírem, como se me dissessem que chegaram pra ficar, que não adianta pensar que eu ficaria nos marotos fiozinhos meio-cinza-meio-pretos que há anos vinham e iam. Não. O exército chegou. Claro, a nação de cabelos negros ainda continua a dominar o território, mas sei que a guerra será fatalmente perdida. Quantos anos ainda restam à soberania destes guerreiros? Por quanto tempo ainda serei jovem?

Aliás, a pergunta não deixa de ser idiota, porque não imagino que cabelos pretos ou brancos queiram dizer nada mais ou menos do que o que já é dito em letras Arial na minha cédula de identidade. E, nesse sentido, lembro que o lado da minha avó começava a ter cabelos brancos aos 20, 21 (dessa escapei). Já o lado do meu avô, vejo-os com cabelos impecavelmente negros até certa idade.

Mas o fato é que talvez os tais cinzentos estejam avisando, ou melhor, lembrando, de que essa breve vida já está um tanto passada, e que é melhor refletir sobre o que fazer nos anos vindouros. Agora, sabedoria para fazer isso, que é bom, nada. Ou seja: asseguro: os tais cabelos brancos não trazem sabedoria. Na verdade, são um certo deboche à nossa já perdida luta contra o tempo, que a todos nós há de consumir.

E diante dessa fatalidade, alguém me responde qual mesmo o sentido disso tudo?

(P.S. O corte ficou uma bosta, se querem saber. Foi o segundo pior corte de cabelo da história, o que não deixa de ser um consolo, considerando isso aqui.)

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Filmes que vi: The Best Exotic Marigold Hotel

Posted by oculos on Apr 9, 2012 in Filmes, Principal

Muito, muito bom.

Sinopse: http://www.imdb.com/title/tt1412386/

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Livros que li: The Immortal Life of Henrietta Lacks

Posted by oculos on Mar 30, 2012 in Principal

Livro sobre Henrietta Lacks, americana, pobre e negra, cujas células cancerígenas foram utilizadas, sem consentimento seu ou da família, para pesquisas. As células dela eram (são) especiais porque continuaram a se reproduzir em cultura.

Livro interessante.

Autora: Rebecca Skloot

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Eu adoro Oslo! :)

Posted by oculos on Mar 18, 2012 in Corrida, Oslo, Principal

Hoje fiz a corrida que considero não unicamente parte do treinamento para uma maratona, mas sim a corrida check-up: os 30km. Completou os 30km? Sinal que tá pronto pra uma maratona. Não sei se é psicológico, mas é como acho que funciona. Um mês antes da prova, 30km é garantia de sucesso, ainda que sejam 30km meia-boca.

Hoje foi um dia de recordação. Lembro que, na primeira vez que corri 30km, na noite anterior, comi panquecas (e destruí o jardim dos amigos ao estacionar o carro). Hoje, não destruí jardins, mas comi panquecas, e acho que nenhuma comida é melhor para dar energia em um longão! :)

Com ou sem panquecas, a Maratona de Paris está chegando. Não acho que vou quebrar o tempo que fiz em Oslo, mas acredito que será uma excelente corrida, ainda mais porque alguns amigos de Conquista também vão pra lá, e vou poder matar um pouco de saudade.

Adoro correr em Oslo. O trajeto em alguns pontos da costa é muito bonito. Se não é perfeito correr com 5 graus de temperatura, pelo menos é bom correr sem stress, sem ter que ficar se preocupando com carros passando por cima da gente, já que aqui muita gente também corre e há muitas pistas para pedestres.

Segue um mapinha do percurso.

do centro de Oslo a não-sei-onde-só-sei-que-é-bonito

 

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Revisão do “Direito de ser esquecido”

Posted by oculos on Mar 17, 2012 in Direito, Principal

Eu escrevi aqui há algum tempo atrás sobre o “Direito de Esquecer”. E, por essas coisas da vida, acabei tendo um trabalho da faculdade a respeito do assunto, já que a legislação européia está incorporando tal direito, dando a oportunidade a quem tiver seus dados pessoais transitando pela internet requerer que tais dados sejam apagados.

Claro, a norma tem exceções, e não vou entrar aqui nelas, nem em uma análise do assunto (já o fiz para a faculdade). Mas tem algo meio filosófico nisso tudo: se a busca da humanidade é eternizar-se através dos nossos atos (já que não temos corpos nem vida eterna), para que mesmo queremos um direito de ser esquecidos?

O autor do livro mais comentado sobre o assunto argumenta que os seres humanos são programados de fábrica para esquecerem, e que a internet se tornou uma máquina que não deixa nada escapar. O problema nessa análise, penso eu, é que a humanidade sempre lutou para lembrar. A história é feita de lembrança. Esse controle seletivo do que esquecer me deixa preocupado, como se fôssemos donos da história – da nossa ou da dos outros.

Digo para os meus colegas de mestrado que, se ontem o espaço de convivência social era a praça, hoje é o Facebook, é o Twitter. E se tivermos um direito de apagar isso seja por capricho ou por conveniência, poderemos estar deletando parte de nossa história. Na verdade, eu senti isso um pouco na pele. Apaguei minha conta no Orkut, alguns anos atrás, quando aquilo virou uma profusão de baixaria. Mas esqueci que uma parte da minha história estava ali. Ex-namoradas, depoimentos de amigos que hoje estão mais distantes, os tais “scraps”, comentários nas fotos… E isso hoje está perdido, ou talvez inacessível em algum servidor do Google.

Sob a desculpa de proteger a privacidade e a descontextualizações dos dados pessoais (o exemplo clássico é de uma professora que foi demitida porque uma foto sua com um drink na mão foi descoberta por seus chefes, que consideraram tal foto um mau exemplo), acabamos mimados com a possibilidade de litigância para proteger dados que nós mesmos postamos. Acho que o caminho, em uma internet arisca a regulamentações, seria:

- surgimento de campanhas educativas a fim de que os mais jovens entendam as consequências de se postar algo na internet, algo que poderá nunca ser esquecido;

- o desenvolvimento de uma mentalidade mais humana, menos hipócrita, e que entenda que todo mundo é gente, e que todos fazemos algo de tolo, de bobo ou de que, em um momento privado, nada tem de mais. Li um artigo fantástico sobre isso, e recomendo a leitura para que conheçam mais essa linha de raciocínio.

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SOPA Brasileiro

Posted by oculos on Mar 10, 2012 in Direito, Política, Principal

Para quem pensava que o SOPA estava morto, olha ele aqui, dessa vez por conta de um deputado brasileiro:

 

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=535988

É preciso começar a lutar contra isso JÁ, e não deixar que o lobby dos grandes conglomerados de mídia vençam isso por aqui.

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Blog aniversariante

Posted by oculos on Mar 9, 2012 in Principal

Wow, 9 anos de blog. É quase uma vida, não?

Obrigado por ainda estarem por aí.

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Referências bibliográficas no Mac e iPad

Posted by oculos on Mar 7, 2012 in Apple, Mac, Principal, iPad

(post dedicado à minha amiga Bia Kunze, que sempre tenho como não só como destinatária principal, mas sobretudo como inspiração, quando falo de qualquer coisa relacionada à mobilidade)

Bom, como quem acompanha o blog sabe, estou agora em incursões acadêmicas. E, exceto por ter completado o nível superior, nunca me atentei para o mundo e linguagem próprios da academia. E esse mundo novo (pra mim) trouxe consigo algumas exigências típicas: uma delas, a questão das referências bibliográficas. Quem já escreveu monografia (não foi o meu caso), tese, dissertação de mestrado, etc., sabe o quanto é difícil coletar as referências bibliográficas e apresentá-las em um formato pré-definido pela instituição.

O que eu não sabia é que existem programas específicos para ajudar o escritor. Pode-se, claro, usar o próprio processador de texto, que costuma ter (no caso do Word, por exemplo) uma ferramenta própria para gerenciar referências e citações. Mas, fora disso, os programas começam na casa dos cem dólares e o céu é o limite…

O aplicativo campeão para isso é o EndNote. Disponível para Mac e para Windows, é adotado por muitas universidades pelo mundo. Porém, o mundo moderno de quem usa iPad, Kindle, etc., acaba fazendo do EndNote algo meio anacrônico. Se é poderosíssimo como ferramenta para centralizar as referências, peca pela falta de integração com dispositivos móveis.

Um parêntese aqui: muitos dos artigos que estou lendo são em PDF. E adquiri um costume do Kindle, que, curiosamente nunca usei em livro de papel: passei a marcar os textos que me interessam, e a adicionar comentários. Isso é possível em PDF, mas, como uso o iPad (que, provavelmente, é o melhor leitor de PDF que existe, por conta da tela fantástica e por causa da portabilidade), tive que buscar algumas ferramentas. Testei o iAnnotate, mas acabei ficando com o GoodReader, que integra lindamente com o DropBox.

Pois bem: uma colega da faculdade me falou do BookEnds, mas não me pareceu legal a integração desse com o iPad. Dei de cara com o Sente, que me motivou a escrever esse artigo.

O Sente é bem elegante, tem uma interface própria para Mac (o EndNote, segundo dizem, tem jeitão de Windows), e tem um aplicativo pra iPad que sincroniza lindamente com o Desktop, e permite, no próprio aplicativo, fazer marcações e anotações em PDFs.

Só acho ruim o fato do Sente ser mais centralizador do que… bem, do que deveria. Gostaria de poder continuar usando o DropBox, mas o Sente é bastante agressivo, até bloqueando salvar suas libraries no DropBox. Ele até permite que os PDF’s continuem em um folder qualquer, inclusive no DropBox, mas a experiência fica limitada.

Assim, quando volto para o Desktop, tudo o que grifei nos PDFs está lá, lindamente catalogado, pronto para ser inserido no texto do documento que estou a escrever, seja no Word, seja no Pages, seja em vários outros processadores de texto para Mac. Aliás, o Sente é bem centrado em Mac, portanto integra com quase todo processador de texto dessa plataforma.

O chato é que esses programas quase nunca têm uma forma legal de catalogar legislação (essencial para quem lida com Direito), nem para ajudar a citar livros eletrônicos do Kindle. Mas não se pode ter tudo, não é?

O Sente está disponível para testes, o que, infelizmente, não é o caso na versão para iPad (tem até uma versão gratuita, mas sem muitos recursos). Tem preços razoáveis para estudantes. Vale a pena!

UPDATE: NÃO confie tanto no Sente para suas referências bibliográficas!!!! Após um uso pra valer nessa semana, o programa perdeu todas as referências às páginas que fiz no meu texto. Tive que digitar uma por uma de volta. O programa, de vez em quando, apresenta um bug que não reconhece mais um tag, e aí você não consegue mais atualizar uma referência que modificou no Desktop. Passei uma raiva danada ontem tentando consertar o estrago – umas 30 citações tiveram que ser corrigidas na mão. Acho que vou experimentar EndNote+GoodReader. 

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Sobre o endurecimento do Brasil com os turistas espanhóis

Posted by oculos on Mar 3, 2012 in Política, Principal

Sei que um relato pessoal não explica algo tão complexo quanto as relações internacionais de dois países tão próximos quanto são Espanha e Brasil. Mas, se não explica, pode muito bem ilustrar…

Eu já entrei na Europa por aeroportos portugueses, alemães, suíços, suecos, belgas e noruegueses.

NUNCA me pediram nada além do passaporte e passagem aérea. Algumas (poucas) vezes, me perguntaram a razão da viagem, quantos dias iria permanecer, etc. Uma vez, houve uma certa rudeza na saída da Suíça, mas nada que mereça menção.

Em Portugal, país que recebeu milhares de brasileiros, sempre fui especialmente bem tratado – ou com bom humor, ou com educação. E, diga-se: já entrei em Portugal sem um centavo no bolso (apenas com um cartão de saque do meu banco). E isso em épocas que o Brasil não era queridinho mundo afora. Sei que possivelmente outros tiveram experiências diferentes, mas não posso deixar de registrar que, apesar de ser um país pequeno, Portugal, ao que me parece, nunca deixou de cumprir, com certa resignação, com o papel de pai que tem certas responsabilidades com o filho rebelde e peralta. Claro, nunca vivi em Portugal, desconheço a situação dos imigrantes brasileiros por lá. Mas, no que diz respeito a aeroportos e pessoal de alfândega, sempre fui tratado com respeito.

Infelizmente, não posso dizer o mesmo da Espanha. Em Barajas, em uma área de trânsito que mal tem um restaurante, o sujeito passa fome, a não ser que se entupa de torrões de Alicante vendidos no duty-free. Lembro-me que, apesar do atraso do vôo para o meu destino final, sequer me deixaram sair da área de trânsito, mesmo dizendo que, ora pois, ficar 10 horas em uma área de trânsito sem comer não é agradável. A brutalidade com que me negaram uma mera saída nunca me foi esquecida (assim como também nunca me esqueci da amabilidade de um agente do aeroporto que intercedeu para que me liberassem para poder comer).

Isso talvez seja um retrato do tratamento de brasileiros na Espanha. Mas a questão é mais grave.

Primeiro, eu não espero que deixem entrar brasileiros que não comprovem condições de permanecer no país. Isso é indiscutível. O que é ruim é que os critérios não são claros e, ainda pior, que o tratamento dado ao turista frequentemente é humilhante. Ao que eu saiba, o Brasil, ao adotar a reciprocidade, pelo menos o faz de forma adequada, conforme o depoimento dessa turista espanhola aqui.

Segundo, que a justificativa do Sr. Embaixador da Espanha, a de que cumpre exigências do Espaço Shengen, não engana ninguém. Países com problemas maiores de imigração não costumam impor tanta deportação e tantas condições de maus-tratos aos turistas brasileiros. Como exemplo, volto a citar o querido Portugal, mas poderia citar a Suíça ou mesmo a Noruega, países onde em algumas cidades os imigrantes chegam a formar 25% da população.

E não venham dizer que a medida veio porque agora estamos recebendo mais trabalhadores europeus – o Brasil costuma adotar a reciprocidade já há tempos, e já o fez com parceiros econômicos de poderio bem maior, como com cidadãos americanos que foram desrespeitosos com as autoridades brasileiras.

Acho que os povos precisam exigir dos seus governos, sem embargo das justas limitações à imigração ilegal, decência no trato com os estrangeiros. “They are us“, já disse Pete Hamill. Na hora em que o Brasil começar a ser arrogante ou prepotente – o que me orgulho de dizer que não foi até agora – serei o primeiro a me revoltar. Mas amor próprio só faz bem a um país.

Sobre o assunto, excelente artigo de Elio Gaspari pode ser lido nesse link.

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Filmes que vi: The Iron Lady

Posted by oculos on Feb 26, 2012 in Filmes

Não gostei, exceto pela estonteante atuação de Meryl Streep.

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Filmes que vi: Cidade Baixa, Estamos Juntos

Posted by oculos on Feb 26, 2012 in Principal

Estamos Juntos: é impressão minha, ou todo filme com a Leandra Leal, que adoro, é meio chato, ou doido demais?

Cidade Baixa: MUITO bom. Transpira Salvador, transpira o jeito de falar gostoso da capital baiana. Sim, apesar de ser de Conquista e adorar nosso acento, devo dizer que gosto do jeito de falar dos soteropolitanos. Muito legal!

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Filmes que vi: Medianeras, Valentines Day

Posted by oculos on Feb 26, 2012 in Filmes, Principal

Medianeras: melancólico filme argentino, muito legal, embora confesso que não gostei do final.

Valentines Day: comédia romântica, mas achei bacaninha.

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Quatro anos de corrida e o PS maior que o texto principal

Posted by oculos on Feb 5, 2012 in Corrida, Oslo, Principal

Agora em fevereiro completo 4 anos correndo. Eu sei que volta e meia volto a escrever sobre isso, como se fosse algum profeta, arauto ou religioso devoto e radical de uma seita qualquer. Mas vai ver é exatamente isso: escrevo sobre corrida, talvez para lembrar a mim mesmo porque quero continuar a correr, e porque preciso sempre acender uma vela nesse altar.

Acho que os melhores anos da minha vida vieram após começar a correr. Eu não acho que eu precisaria de um motivo para correr – correr basta por si só. Mas, após um período de stress em 2007-2008, após colesterol alto, após fim de um namoro, após atingir meu maior peso, correr parecia ser o escape, a promessa de redenção. E, de certa forma, foi.

Eu nunca fui disciplinado para nada, e não tinha fé alguma de que poderia sê-lo. Mas, curiosamente, conseguir sê-lo com a corrida, ainda que não tanto quanto deveria. E essa foi a primeira lição que aprendi: eu, também, posso ser disciplinado.

Agora, seis maratonas corridas (com duas previstas para esse ano), e, tendo chegado ao meu peso mais baixo desde que comecei a correr (16 quilos a menos), atingi o que Haruko Murakami chama de “running blues”. Já não tenho tanta vontade assim de correr. Mas corro. É como se fosse a corrida entregasse certa coesão a tudo o que faço, nÃo sei.

E não é que fiquei exatamente mais saudável depois que comecei a correr, se saudável significa não ter mais nenhum problema de saúde. Sim, minha alimentação é saudável, até onde se consegue manter uma alimentação saudável em um país onde a comida é, em grande medida, feita com molhos, produtos congelados e quase nada fresco. Mas desde que comecei a correr, tive várias intercorrências – desde asma, gastrite, a uma tireoidectomia. Nada provocado pela corrida. Aliás, cada problema de saúde, depois de superado, era um incentivo a correr não só pela saúde, já que nem sempre temos controle dela, mas sim porque correr em si basta. É, sem dúvida, uma religião, uma droga.

Não, não digo isso no sentido de vício, ou no sentido de corrida é mais um dos remédios de auto-ajuda que podem ser receitados para dar algum sentido à vida de alguém – embora até creio que isso tenha lá seu sentido. Também não me refiro ao efeito estimulante das endorfinas, algo já conhecido e que também já virou cliché (confesso que me sentiria muito mal em depender de um esforço monumental para correr só para produzir uma dose de um entorpecente). Digo que é uma religião porque, se nos rituais religiosos há certa catarse, há certa submissão a algo superior ou maior, nas pistas de corrida há certa diminuição nossa em razão de algo maior – chame-o de tempo, de distância, de suor, ou de desafio. Mas há também a atitude de trazer à pista, como se altar fosse, nossos problemas, nossos dilemas e aporrinhações, esperando que, através da auto-flagelação que é correr, alcancemos alguma luz, alguma absolvição, alguma misericórdia. E, desculpem-me por dizê-lo, frequentemente conseguimos alguma dessas coisas após a corrida. E logo eu, pessoa que não costuma comparar muita coisa às religiões deístas quer por crença, quer por devoção.

Mas não escrevo isso para fazer proselitismo. Odeio (mas com certa inveja) os promotores de lifestyles (e odeio ainda mais gente que usa expressões em inglês pra tudo). Odeio gente que diz que eu deveria defender o planeta, odeio gente que diz que eu deveria doar dinheiro para os pobres da África (ou de qualquer lugar – pobres, infelizmente, não faltam), ou que eu deveria ter melhor alimentação. Ou que deveria correr. Acho que o ódio é, em certa medida, porque essas pessoas estão corretas, assim como são nobres as causas que defendem. Mas não acho que eu, tão incerto que sou no que se refere à minha própria vida, tenho lá lastro para ficar dando palpite no que seria bom para os outros.

Se escrevo, é mais como um depoimento (ou como um pagamento de indulgência). Um relatório para mim mesmo, a fim de que compreenda que não se corre apenas para se chegar ao final de nada. Como Murakami, não ambiciono grandes tempos, grandes resultados. Corro, apenas, porque de certa forma, e não sei exatamente como, correr parece fazer de mim alguém melhor. Não melhor do que quem não corre, mas melhor do que eu seria sem a corrida.

E espero que o “running blues” seja apenas coisa de aniversariante da corrida. Que venham outros 4, 8, 12 anos de corrida.

E agora, em algo completamente diferente: descobri que adoro andar no transporte público de Oslo (bondes, principalmente), nas sextas e sábado à noite. Eles são inundados por hordas de gente jovem bêbada e falante, como se eu estivesse em uma praia baiana, e não em uma cidade onde os habitantes são silenciosos, via de regra, quando usam o transporte público – cada um com seu fone de ouvido e seu olhar distante.

No Brasil, não usava muito transporte público – aliás, usei no meu último mês, ao vender o carro e despertar certa curiosidade de meus colegas quando me viam andar de bicicleta ou pegar o ônibus. Cheguei a perceber certo olhar de solidariedade (ou pena) em um amigo que me viu na fila de um ônibus, como se pensasse “puxa, que pena, tão promissor, o mundo deve estar mau para os advogados”. E também nunca fui de falar com estranhos em um bar – no Brasil (ou em qualquer lugar) nunca me senti muito à vontade com estranhos em um bar – parece que não sou exatamente do tipo que vai ao bar e consegue engatar alguma conversa sobre alguma coisa relevante ao ambiente – qualquer que seja essa coisa – quando essa conversa implica em conseguir se inserir ali naquele contexto de diversão, paquera ou azaração. Mas, curiosamente, em Oslo parece não haver essa pressão, no sentido de que parece sempre ok falar com um estranho em um bar, falar merda com a garota bêbada ao lado, ou dar palpite se a amiga da menina deveria ou não ligar pro namorado dela para dizer que vai vê-lo ainda àquela noite. Sim, não consigo falar com estranhos em qualquer lugar, mesmo em um bar, mas em Oslo isso não me pareceu algo angustiante.

E no transporte público isso é um show à parte – desde gente vindo falar com você do nada, até escutar as maravilhosamente descontraídas conversas de gente bêbada e despreocupada, como se os sábados fossem carnavais e que as segundas podem esperar…

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Melancholia

Posted by oculos on Jan 29, 2012 in Filmes, Principal

Doido, doido, doido. Perturbador, mas muito revelador.

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Filmes que vi: Super 8

Posted by oculos on Jan 28, 2012 in Filmes, Principal

Muito legal, estilo anos 80. Gostei! :)

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Filmes que vi: les femmes du 6ème étage

Posted by oculos on Jan 28, 2012 in Filmes, Principal

Bacaninha, meio sessão da tarde, mas bacaninha.

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Livros que li: What I talk about when I talk about running

Posted by oculos on Jan 21, 2012 in Livros, Principal

Autor: Haruki Murakami

Muito inspirador para corredores ou futuros corredores.

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Domingo

Posted by oculos on Jan 15, 2012 in Oslo, Principal

Domingo de manhã, rotina de sempre: ler jornal, tomar café, assistir a um filme, pensar em tomar coragem para ir correr, etc.

Abro o jornal e leio uma das manchetes: “Cotidiano: mulher é encontrada sem olhos e sem pele em Mairiporã.” Pergunto eu: “Cotidiano”?!?!

É o mundo cão de volta, depois de dois, três dias de paz com o universo.

Na semana que passou, fui voluntário junto à faculdade para receber os novos estudantes intercambistas. Sim, aqui é muito comum receber estudantes que saem dos seus países para cursar um semestre em outra faculdade. Com currículos mais flexíveis, é uma excelente oportunidade para treinarem o inglês e adquirirem experiência internacional, ainda que a diferença cultural não seja assim tão acentuada entre os países da Europa, de onde vêm a maioria. OK, as diferenças são grandes, mas pequenas aos olhos de quem vem de outro continente, como eu.

A semana foi um sucesso. É sempre bom conhecer gente de vários lugares do mundo. As últimas noites (quinta e sexta) foram só de farra, com este quem vos escreve dançando (bom, dançando, não – tentando) e zoando um bocado. As férias vão acabar em breve, e é sempre bom fazer novos amigos e fazer algo de diferente para quebrar a rotina.

A pior coisa de ser um brasileiro atípico (se é que é possível ser brasileiro atípico, já que quase tudo no mundo pode ser considerado também brasileiro) é que as expectativas às vezes são decepcionantes: uma menina pediu para eu mostrar meus passos (moves?), já que, como brasileiro, eu devo tê-los, não? Enfim, não sabia se inventava alguma coisa ou sumia. Fiz os dois… (ou foi ela que sumiu, não lembro… hehehe).

Esperam que saibamos samba (um outro lá me pediu para dançar samba). Só faltava pedir capoeira ou para dizer qual foi nossa escalação na copa de 78 para que a decepção fosse completa. Bom, pelo menos falo português e adoro praia, não?

Decidi: meu plano agora é me transformar em um brasileiro típico. Já baixei “Ai Se Eu Te Pego”, e acabei de comprar “Danza Kuduro”, hit do momento na Noruega. Sim, um diligente e informado leitor irá me informar que Danza Kuduro é um hit cantado por um latino, de um emigrante português (salvo engano) na França, baseado em rítmo angolano. Mas, por incrível que pareça, um dos discos de Kuduro, na iTunes Store, tem “brasileiro” como gênero. Vou capitalizar nisso… :)

Falando nisso, que coisa, não? A Angola tem uma música sua, original, que agora pasteuriza-se e é enlatada para consumo na Europa. Espero que isso seja uma coisa boa para aquele país, e não uma exploração cultural de gosto duvidoso.

Outra idéia para me transformar em brasileiro da gema: vou aprender a fazer feijoada. Já mandei ver um bolo esses dias (desses que nossas avós e mães fazem no Brasil, normais, sem frufru, mas que adoramos), e agora vou ver se faço feijoada. Ou acarajé, para ser ainda mais brasileiro: baiano. Mas sem axé, que tudo na vida tem limite.

Nos momentos de tédio, resolvi procurar música brasileira no Spotify, serviço de música na moda por aqui, e achei uma versão de Arrumação, de Elomar, cantada por Sérgio Reis. Caralho, não sei se é porque ando em fase de autoafirmação geográfica, mas fiquei arrepiado. Até MPB tenho ouvido… E, para lembrar da infância, escutei “Bananeira Mangará” e “Frevo de Mulher”.

Foi excelente ter ido às festas no bar da faculdade, coisa que normalmente não faço. Descobri que já conheço muita gente, descobri que há muita gente boa a conhecer, e descobri que, por mais que não tenha tanto a falar do meu país, é de lá que eu sou, e de lá sinto falta, talvez pela primeira vez.

Conheci uma grega. Sempre quis conhecer uma desde que Cam’s me deu um CD de Despina Vandi. A grega, tal como num filme, me disse que todas as palavras vêm do grego. ADOREI! :D

Vou tirar o troço da Nike que posta no Facebook o quanto eu corro. Descobri que é um pouco demais. De repente, encontrava com noruegueses na faculdade que já sabiam como dizer “Eu corri XX km” EM PORTUGUÊS por causa das postagens automáticas. :D

Bom, deixa eu voltar a ler o jornal, pulando, obviamente, o caderno “Cotidiano”, e fingir que a vida é uma beleza.

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Filmes que vi: Sherlock Holmes

Posted by oculos on Jan 8, 2012 in Filmes, Principal

Sinceramente? Não gostei.

Não sei se é porque assistir um filme falado em inglês britânico, com legendas em norueguês, não seja lá muito fácil, ou se é porque Sherlock Holmes, pra mim, sempre foi um camarada reflexivo e austero (embora excêntrico), ou se simplesmente porque no filme o que vi não era Sherlock Holmes. Era um filme de ação – meio Matrix (que adoro), meio “O Tigre e o Dragão”, com a desculpa de um grande personagem.

Mas acho que sou único nisso – todo mundo fala maravilhas do filme.

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Deixem o Michel Teló em paz

Posted by oculos on Jan 4, 2012 in Principal

Feliz Ano Novo! :)

Coisa que tem me irritado: a quantidade de gente descendo a lenha em Michel Teló. Ah, vai se catar…

Vamos aos fatos:

1. Desde quando neguim espera que música de massa seja exatamente intelectual? Povo metido a besta! Mania de gente descer o cacete em música popular só porque prefere ouvir a MPB, como se esta, apenas por seus méritos, tivesse que ser socada na guela do povo. É como se dissessem: “olha, povão, vocês não têm o direito de gostar dessa música, porque a música popular, de fato, é essa outra, que chamamos de MPB”. É presunçoso, preconceituoso e, no fim das contas, revanchista.

É óbvio que não estou a dizer que a tal música seja lá cheia de mérito, mas é que não vi o cara, nem ninguém, dizer que a música “Ai Se Eu te Pego” deveria ganhar o Prêmio de Letra mais Profunda. Portanto, não pode ser julgada pelo que ela não é.

2. Concordo com Lobão. Podem me detonar. Eu sei, meu gosto pra música é sofrível (porém não gosto dessa música da qual falamos, bem entendido). Mas somos um país intenso – alegre, violento, cheio de contrastes. E, diz Lobão, nada é mais idiota do que achar que a música que nos representa é aquela cantada com o sujeito todo tranquilo, parecendo que tudo é calmo e sereno, em um banquinho com um violão, dizendo “Ela é Carioca, Ela é carioca…”. Ah, devo dizer, essa música NÃO me representa MESMO.

3. Sinceramente? Em que essa música é pior do que o techno dos clubs alemães, do que o dance de Ibiza? Enfim, é música de praia, de festa, não de concertos artísticos. É diversão. Música não tem que ser sempre obra de arte, assim como texto de jornal não tem que ser literário. Música tem função utilitária. Não é útil pra mim, não é pra você, mas muita gente gosta.

4. Mania chata essa de neguim politizar até a porra da música! O cara começou a cantar uma coisa qualquer. Vendeu. Faz sucesso na Europa toda. E é ELE que tá errado? Longe mim dizer que é a música ideal, mas, puta que pariu, essa crítica toda cheira tanto a dor de cotovelo mal disfarçada. Pra que tanto auê?

5. Odeio pensamento único. Do tipo “só curto música boa”, como se música, melodia, não tivesse certo apelo a sensações, emoções, sentidos. E fica aquela coisa meio arrogante, do tipo “a música que escuto é que tem qualidade”. Então tá, então 80% da indústria musical brasileira deveria desaparecer, só porque o povo não aprende que a música que escuta é ruim? Sei…

6. Sei, compreendo e entendo que parte da indústria musical brasileira contribui para a alienação, reproduz valores e mentalidade com a qual não nos identificamos. Mas não é assim com toda espécie de arte, seja ela de qualidade ou não? Ou será que queremos uma ditadura intelectual agora? Uma ditadura onde só caibam Marisas Montes, Caetanos Velosos (pra mim, um chato de galocha) e Cia. Ltda.?

7. É horrível quando alguém se acha superior por causa dos seus gostos. Seria como se eu começasse a achar que todo usuário de Windows é cidadão de segunda classe. Ou que um xiita de dietas começasse a dizer que quem come no McDonald’s é doente, e que essa lanchonete deveria ser extirpada.

8. Não gostou da droga da música? Bem-vindo ao clube. Agora, garanto, tem muita gente que gostou. Não vai ganhar nenhum prêmio da APCA, mas fazer o que se D. Maria lá da feira gosta?

9. O Brasil não é único nessas coisas. A Romênia convive com seu Manele, Portugal com sua música Pimba (é assim mesmo?, e por aí vai. Na Romênia, sei que há um movimento forte contra o apelo do Manele, apesar da popularidade do gênero. Na Noruega, há o DDE, por exemplo, que não é o supra-sumo da música nórdica, mas a garotada escuta e se diverte. Fazer o que?

10. Por último, acho que falta apenas bom humor às pessoas. Música de qualidade não pressupõe, para existir, que se elimine a de massa. É clichê chato o tal “tem espaço pra tudo”, mas, em se tratando de fenômenos que, em regra, são efêmeros, não sei porque não encarar como mais uma daquelas ondas do verão, que sempre vêm e vão. Aliás, um picolé de limão para quem apontar uma música de verão sequer que seja uma pérola da poesia. Acho que, escutável, mesmo, só os Tribalistas que, salvo engano, fizeram sucesso no verão de 7, 8 anos atrás.

11. (UPDATE) Fico pensando no que inspira as pessoas a perderem o seu tempo para escreverem longos textos para detonar alguém apenas porque canta uma música que não é a que gostariam de ouvir. Talvez seja o mesmo e inexplicável desejo meu, de ser ouvido, ou, no caso, lido. Mas talvez seja mais que isso: talvez uma demonstração de uma agressividade latente para com tudo o que não lhes agrada, em uma espécie de egocentrismo no gosto, na opinião. Gente que critica a revista Época porque colocou o cara na capa, como se o cara estivesse ali retratado pela qualidade da música, e não pelo impressionante sucesso alcançado. Se Tiririca foi eleito deputado, porque o cara não pode sair na capa da Época? Aliás, a capa da Época, da Veja, da IstoÉ, da Newsweek, agora virou certificado de importância das coisas? Vá entender…

Enfim, deixem o cara fazer sucesso, deixem que pensem que somos um país alegre, sensual, vibrante. Antes isso do que essa mentirinha de “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…”.

 

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Porque as políticas brasileira e baiana são um teatro…

Posted by oculos on Dec 29, 2011 in Política, Principal, Vitória da Conquista

Vejo em um blog da cidade uma notícia que me causa espanto, indignação e raiva. Não sei porque, já deveria eu estar acostumado…

 

Pois bem: o Secretário de Planejamento do Governo da Bahia, sr. Zezéu Ribeiro, diz que “Ainda não[sabe]” quando vão iniciar as obras do aeroporto de Vitória da Conquista.

 

O comentário ilustra algumas coisas importantes:

 

1 – Como é que um secretário de planejamento tem a coragem de ir a Vitória da Conquista e dar uma resposta idiota dessas, por mais honesta que seja?

 

2 – Como é que um secretário de planejameto não tem idéia a respeito do início da obra mais esperada, desejada e adiada de toda uma região?

 

3 – Como é que um secretário de planejamento é incapaz de gerenciar com cuidado algo que é tão caro a uma cidade que, por sinal, tem dado voto de confiança às administrações do PT?

 

E não se diga que, por ser arquiteto, o Sr. Zezéu Ribeiro não teria formação profissional apta a gerenciar a Secretaria de Planejamento, talvez pasta mais apropriada a economistas, ou sei lá o que. Primeiro, porque uma das maiores gestoras que conheci é, justamente, arquiteta. Segundo, se essa profissão fosse inadequada, que não se colocasse alguém sem qualificação para gerenciar pasta tão importante.

 

Mas isso dá mostras de uma incompetência dos nossos políticos que é algo que, em outros lugares, já os teria enforcado: como é que anunciam uma obra, por reiteradas vezes, para depois virem a público para dizer que “vão ter que captar mais recursos para a obra?”. Será que políticos são incapazes, de uma incapacidade inata (perdão pela redundância), de gerenciar alguma coisa? De falarem algo limpo? De prometerem algo que realmente desejam cumprir?

 

É por essas e outras que o Brasil é essa coisa confusa: a China constrói um aeroporto em tempo recorde, uma ferrovia no estalar de dedos. Mas, no Brasil, administrar é algo que os políticos fazem muito a contragosto. É um encargo que têm que suportar enquanto fazem política. E, se o Sr. Zezéu Ribeiro vai a Vitória da Conquista e não sabe a resposta para uma pergunta como essa, deveria ter ficado em Salvador fazendo o que quer que faz por lá. Assim, pouparia o dinheiro dos contribuintes. Não fosse o Brasil um país democrático (e democracia, infelizmente, acaba permitindo a cara de pau irrestrita – coisa que também é comum em ditaduras, diga-se), um cidadão desses seria proibido de pisar em Conquista até que tivesse algo a dizer, ou melhor, contas a prestar.

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